Pagª 19 - EDIÇAO NºXLII
, II NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Poemas de Ilona Bastos

QUANDO SONHAMOS !
Ouvindo música,
Vou escrevendo
Ao sabor dos sonhos
Que inundam minha mente,
Invadem meus ouvidos,
Transbordam em meu olhos,
Colorindo as paisagens
Do tom que é o dos sonhos.
Que bela é a vida
Quando sonhamos!
Como apaixonados,
Observamos a Natureza
Com encantamento,
Aceitamos os outros
Com carinho,
Levantamo-nos, pela manhã,
Cheios de um entusiasmo
Que ilumina o nosso olhar.
Que boa é a vida
Quando sonhamos!
Atraímos a beleza aos nossos olhos,
A harmonia aos nossos ouvidos,
A maciez à nossa pele,
A doçura à nossa boca,
O perfume à nossa inspiração,
A fluidez aos nossos pensamentos,
A leveza aos nossos gestos,
A esperança à nossa vida.
Que sabor tem a vida
Quando sonhamos!
Jacarandás
A rua, salpicada em tons de lilás, não é normal!
Não é comum, este colorido, em pincelada larga!
É paisagem de quadro impressionista:
Pinceladas lilases pela calçada branca rotineira;
Pinceladas junto aos círculos, quase perfeitos,
de terra, que o lancil abraça;
Pinceladas sobre as sardinheiras vermelhas
e os tejadilhos dos automóveis
(vejam o escândalo das pinceladas lilases
nos carros encostados ao passeio!);
Pinceladas estampadas no alcatrão negro da avenida!
Tudo, tudo desrespeitosamente, sonantemente, lilás!
Mas não de uma forma ténue, suave, discreta... Não!
Pinceladas audaciosas, numerosas, densas, afrontosas,
que acordam, que indignam, que se impõem!
Vejam a imagem desta tarde citadina,
como se de uma tela se tratasse!
Vejam os fatos cinzentos dos executivos,
surpreendentemente pintados de lilás!
Vejam o cão, preso a um dono, atado a uma trela,
espantados, retocados a lilás!
E os pombos, em pequenos passos pela pintura,
voando no meio de tão lilás incongruência!
Avanço, deliciada!
Deixo-me envolver, também eu, na Magia
e na Arte desta Primavera radiante,
que se desvenda, vibrante,
ao tornear de uma esquina.
Deixo-me cobrir de pétalas maravilhosas,
destas flores lilases que os jacarandás
negligentemente espargem sobre a cidade.
Não estás sozinho
Também eu - quem fui, já mais não sou!
Penso, e não penso, o que então pensei,
Sonho, e não sonho, o que em vão sonhei,
Que o desespero, tão perto de mim rondou…
Mas há momentos em que tudo muda:
Uma palavra, um gesto, uma afeição,
O que, não mostrado, logrou ver, a razão,
O que, não dito, meu coração desnuda.
E só por isso - até se os anos passam,
Se os apelos, desatendidos, murcham,
Se o desejo, insatisfeito, se aniquila,
Se mesmo a fé, perante o mal, vacila -,
Há esta réstia de esperança viva,
Há esta chama que brilha e alumia,
Há este trilho que guia o meu caminho,
Há esta luz que diz: não estás sozinho!
Contenda no trânsito – carros e, motos, na disputa das ruas...por Se Gyn
Descendo a avenida Anhanguera no fim da tarde. O caos apresenta suas diversas e tensas faces: caminhões de carga disputam lugar com os carros de passeio, buscando a BR 153 no sentido Brasília; pessoas atravessam a rua na menor folga.
Algumas, saltam inesperadamente as guardas da faixa de coletivos. E o exército de motoqueiros abre caminho entre os carros e, entre eles mesmos, lançando mão do espaço das calçadas e, das faixas de pedestres, que utilizam para retorno.
Aquela hora, quando todo mundo procura nervosamente o caminho de casa, quem precisa atravessar a rua à pé, tem um cuidado especial com eles. A fiscalização do trânsito municipal às 18:00h. Então...
Dentro do carro, talvez a título de distração, penso em alternativas para esse processo caótico diário que amedronta e enerva muitas pessoas e vitima tantas outras. O que fazer? O que eu poderia dizer sobre uma questão tão presente e, que é debatida até a náusea, na imprensa e congressos locais?
A questão é meio óbvia, penso: o cidadão pode não ter o transporte público que merece. Diante do impasse na adoção viável, ele trata de procurar uma solução rápida, possível e, no limite de suas possibilidades.
O transporte coletivo local não funciona a contento. Fizeram uma licitação prometendo melhoras. Mas, então, só compareceram as empresas que já atuavam na região metropolitana, para disputar seu objeto. Um mistério!, diriam. Mas, nesse Brasil, há menos de mistérios, do que negociatas e, acordos feitos à sombra... A licitação acabou como um negócio de compadres e, o que ocorreu até agora foi a troca dos ônibus velhos por ônibus novos.
Um sistema de metrôs, o reescalonamento e, zoneamento do fluxo de veículos e, a implementação de ações de educação e fiscalização de trânsito efetivas parecem as medidas de efeito mais abrangentes, mas quando se toca no assunto, os administradores públicos, com raras exceções reviram os olhos entram numas de falar em projetos que não se realizam, de medidas preliminares. Isto quando não mudam de assunto.
Para ordenar o caos - que, em grande parte das vezes, é decorrente da inércia dos agentes públicos, o dinheiro nunca aparece, se sabe. E, quanto à fiscalização de trânsito, boa parte da imprensa e, dos políticos pressionam as autoridades contra a sua implementação com um argumento sem-vergonha, denominado «indústria de multa», destacando e insistindo em ações educativas apenas para justificar a defesa de sua tese irresponsável.
Ah, esse tal de jornalismo de serviços e, as autoridades da mentalidade
frívola e omissa...
Sem solução global e, rindo das alternativas apresentadas pelas
autoridades, a turma parte para a solução individual. Quem pode, compra
um carro. Quem não pode, entra num consórcio, financia a longo prazo e
compra uma motoneta ou, motocicleta leve e, cai no fluxo de trânsito sem
certeza, mas com a solução precária ao seu alcance.
E, me recordo que, dias atrás, discutia o assunto com um amigo,
argumentando que a situação está fora de controle e, que a disputa das
pistas entre motoristas e motoqueiros é algo enervante e, perigoso - que
o digam, registrei, os retrovisores de carros quebrados, o número
absurdo de acidentes de trânsito e, bem assim, o número altíssimo de
trabalhadores «encostados» e, mantidos à custa da previdência social (as
UTIs dos hospitais públicos de Goiânia e região viraram uma espécie de
reserva para emergências relativas a motociclistas acidentados)...
Mas, o meu velho amigo objetou, com sua inteligência privilegiada: «Em
tese, concordo com tudo o que diz. Mas, pense se os motoqueiros fossem
cumprir à risca as regras de circulação no tráfego, você já pensou como
ficaria muito mais difícil circular por Goiânia? Rapaz, o que tem de
motoqueiro no trânsito, não tá escrito...»
Parei para pensar, mentalizei aquela chusma de motocicletas em fila
indiana, no lado direito da pista e, concordei que, se eles cumprissem
fielmente as regras de trânsito, então talvez fossem os motoristas que
iriam partir para a apelação, tomando seu lugar de direito, porque, em
parte, diante do número de veículos na cidade (o maior por habitantes,
no país) as vias de tráfego da capital estão em boa parte, saturadas.
Nem me senti animado a repisar sobre falta de tempo de reação (um a dois
segundos), quando a proximidade entre carros e motocicletas se dá em
termos de centímetros, no meio de zigue-zagues e manobras perigosas, e
zigue-zagues...
A cidade tem hoje em torno de 1.100.000 habitantes. Imaginem que os seus
mentores a tinham planejado inicialmente para...
...50.000 moradores, a médio e longo prazo.
Na época, carro próprio era luxo e, não se imaginava que viesse a se
tornar um instrumento de trabalho. Muita gente, inclusive, ficava
espantado com o anel duplo de pistas largas ao redor da Praça Cívica e,
as oito pistas de rolamento da Avenida Goiás. Outros tempos.
Enquanto isso, essa disputa diária e pouco amigável pelo espaço e o
direito ir e vir nas vias de tráfego goianienses, uma espécie de loteria,
na qual, em vez de ganhar, todos saem perdendo.
Se Gyn
Memórias de um menino, ou Adeus Mr. Johnny
Por
Acas (Antônio Carlos Affonso dos Santos)
As vezes me identifico as minhas próprias palavras escritas: Certa vez fiz e
enviei uma bitrova ao compositor, radialista e declamador Muibo Cury:
«Fôia do Inhame»
Eu pudia vivê bem
Se eu fosse um home só
Se eu vivesse nos sertão
Onde canta o xororó
Lá as coisa são bunita
Num é perciso recrame:
-Insiste coisa mái bunita
Que orváio na fôia do inhame?
- «as gotas d´orváio nas fôia do inhame» representam para mim o supra-sumo
da beleza; obra fechada com que a Natureza nos brinda todas as manhãs,
especialmente as de outono.
- As gotas de orvalho pousadas nas folhas do inhame, parecem pedras
preciosas, ou semi; que detém a luz do sol incidente e a devolve com brilho
e fulgor ampliados. Mais parecem pedras de águas marinhas líquidas, ou até
mesmo brilhantes em estado gel. Por vezes tentei pegá-las com minhas mãos
calejadas de menino caipira, mas elas, furtivas e apavoradas, fugiam por
entre meus dedos de menino poeta e retornavam «briosas», nas folhas do
inhame.
- o brilho das escamas de um dourado; peixe de rio de água doce que, quando
ferrado no anzol, luta bravamente, corcoveando-se e saltando para muito
acima do nível da água e, ato contínuo, mergulha até o fundo do leito do
rio.
- Se for então num fim do dia, ao lusco-fusco do sol poente, enche-se de
magia: magia dourada. Quando eu era menino, pensava que os lambaris «tambiú»
dos córregos que banhavam a fazenda de café, quando crescessem,
transformar-se-iam em dourados. Achava fabulosa esta metamorfose, mesmo
sendo uma utopia criada por mim.
- nos tempos de eu menino, achava que, quando velhos, os ratos se
transformavam em morcegos. No dia em que me mostraram o feto que haviam tirado da barriga de um
morcego fêmea, com as asinhas e tudo, fiquei pasmo.
- durante os primeiros treze anos de minha vida, ganhei presentes de natal,
presentes estes que o Papai Noel deixava sobre o meu sapato, engraxado e
lustrado de véspera e deixado sob o presépio que a dona Guidinha, minha mãe,
montava todos os anos até então.
- quando menino, ao tempo que vivia ainda na fazenda de café, costumava alongar o olhar até a linha do horizonte para compor uma tese própria: eu acreditava que o céu estava apoiado no espigão que cercava o Vale do Rio do Pântano, onde se localizava a fazenda de café na qual vivia. Acreditava ainda que, na primeira vez que eu subisse aqueles espigões, eu tocaria o céu com minhas pequeninas mãos de menino caipira. Pois bem: a primeira vez que, conscientemente, subi o espigão junto com a família, causou-me espanto o fato de que, por mais que nos elevássemos, o céu parecia também elevar-se.
Como corolário da tese de eu menino, concluí que haveria de ter espigões ainda mais altos que aqueles do Vale do Rio do Pântano e, decerto, o céu estaria apoiado neles. Confesso que pela vida afora, tentei colocar minhas mãos de jovem, de adulto e de velho caipira, no céu. Devo confessar ainda ao leitor: jamais consegui.
Hoje já estou descendo a encosta do último espigão da vida. Percebo agora,
caros leitores, que o tempo escoa por entre os dedos de minhas mãos de
sexagenário. Percebo que, quanto mais passos dou rumo à terra dos justos;
mais se alonga a distância entre eu e o céu. Minha hipótese de menino
caipira estava errada. Só agora percebo isso.
Em toda minha vida, só tive dois cães: quando menino, o Viajante; quando
adulto, o Johny Reevers.
- O primeiro, ficou na fazenda São José, quando vim morar, sozinho, em São
Paulo. Do alto dos meus treze anos de idade, quantas noites chorei de
saudades dos pais, dos irmãos e do Viajante. Ele era um «purus vira-latas»,
de pelos curtos e negros como o azeviche. Ele adorava correr pelos trilhos
(caminhos secundários), fora das rotas de estradas de servidão e dos
carreadores da fazenda de café, onde nós vivíamos.
Ele era quase que necessariamente um cão de companhia; não era um cão de guarda, na verdadeira acepção da palavra, mas era aquele que mais barulho fazia na presença de algo que pudesse intimidá-lo; não era um cão de caça, mas tinha uma qualidade incomum de «caçar frangos», quando saíamos a caçar frango para a refeição do dia; frangos estes criados livres e que beiravam o estado selvagem.
Sem o Viajante, teríamos comido muito menos frangos lá na fazenda; isso implica em dizer que o frango caipira que abatíamos para consumo era a maior fonte de proteínas de que dispúnhamos por aquelas bandas. Uma vez que nós já houvéssemos escolhido qual era o frango daquele dia e o indicávamos ao Viajante, incitando-o, ele se dedicava a correr atrás daquele frango, mesmo que voasse, que pousasse em árvore ou se escondesse, o viajante não desistia nunca, até que a ave se cansasse de correr; o viajante o alcançava e punha as duas patas dianteiras sobre a ave e só as retirava após chegarmos ao local, solicitando que ele largasse o frango.
As vezes, ele me acompanhava até o córrego (Rio do Pântano) e ficava aguardando todo o tempo que brincávamos, sentado calmamente no barranco do rio; algumas vezes nós levávamos toras de bananeira, para brincar de jangada no rio: nós lançávamos as toras no rio num ponto a montante do local desejado; como as toras de bananeira bóiam, nós nos debruçávamos sobre elas, que nos levavam devido à corrente, até um ponto à jusante.
Por vezes isso representava 50 metros, às vezes, mais; ato contínuo, colocávamos as toras nas costas e seguíamos correndo por fora d ´água, entre os barrancos, com o fito de que a parte mais gostosa do brinquedo, a cavalgada nas toras, se repetisse. O Viajante latia feliz, correndo atrás, com aquele jeito feliz que só os cães de menino caipira sabem latir.
No dia em que saí de casa, não encontrei o viajante, para despedir-me dele. Ocorreu que o bom velhinho nunca mais me encontrou. Por algum tempo acreditei que o motivo que impedia que ele pudesse me encontrar, era devido ao exagerado número de crianças da grande cidade. «Chose de lês enfant». Nunca mais o vi. Oito meses depois que cheguei em São Paulo, minha família chegou de mudança. Perguntei pelo Viajante: ele havia morrido um mês depois que saí da fazenda. Durante muito tempo me senti culpado pela morte dele, provavelmente por saudade.
Minha mãe certa vez me confidenciou de que o Viajante havia contraído uma
doença esquisita, após a minha partida e não queria comer; de jeito nenhum.
Meu coração caipira, feito de vidro, quebrou-se ali. Nunca mais haveria de
ter um cão.
Mas, aos vinte e quatro anos de idade, eu órfão de pai e com os irmãos mais
velhos todos casados, morava com minha família, que a esta altura se
compunha de minha mãe, duas irmãs e o irmão caçula. Com o casamento de uma
delas (se mudou para o estado do Pará), a outra irmã fazia faculdade à noite
e reclamava da distância de Taboão da Serra até a avenida Paulista, num
trajeto de hora e meia de ônibus. Ela decidiu alugar um apartamento em
Pinheiros (só quinze minutos de ônibus); minha mãe e irmão caçula aderiram à
idéia. Fiquei só.
Um amigo de trabalho tinha uma cadela linda. Certa feita, a cadela ficou prenha e meu amigo me prometeu, sem que eu pedisse, um filhote para mim. Certo dia ele me falou que a cadela havia dado cria de oito filhotes, sendo dois machos e um era pra mim. Exigiu que eu fosse à casa dele escolher. Quando vi os filhotes, lembrei-me do Viajante e me deu um aperto no coração: será que vou sofrer tudo de novo?
Acostumado ao tempo da fazenda, peguei um e outro pela pele do torso, atrás da cabeça dos filhotes: aquele que permanecesse quieto era o melhor! O primeiro, branquinho, gemeu, reclamou, chorou e latiu fraquinho; o segundo malhado de amarelo e branco, sequer deu um pio, decerto seria um cão de fibra.
Naquele momento estava tocando no rádio da casa do e meu amigo uma música do Johnny Rivers, «Dou you want to dance?». Eu o coloquei junto ao meu peito, o filhote fechou os olhos e dormiu: - apaixonei-me por ele.
O Johnny foi meu companheiro por seis anos, enquanto solteiro e mais dois anos após casado. Pois não é que depois que me casei ele ficou muito mais companheiro da minha mulher do que de mim! Por exemplo: eu quando queria dar um banho nele, ele resmungava muito, se debatia tentava sair de dentro do recipiente (a maioria das vezes era um velho tanque de cimento).
Com a minha esposa, ele ficava calmamente até que ela o enxaguasse safado do Johnny. Ele nem sequer se lembrava de quando só vivíamos eu e ele. Na falta de interlocutor, por morar sozinho, falava com ele o tempo todo: fazia comentários das notícias do jornal, da TV, do rádio, falava de futebol e de cinema. Talvez o fato dele ter nome inglês o deixava fleugmático: entendi finalmente porque o Johnny se aborrecia comigo. O Johnny, meus amigos, nunca falou Português. Que pena!
O Johnny numa certa semana santa desapareceu. Nunca mais voltou. Passei muitos sábados procurando seu cadáver na Rodovia Régis Bittencourt, no depósito de cães da Prefeitura de São Paulo (carrocinha). Nunca o encontramos!
Assim são os entes queridos que nos querem bem: quando estão na pior situação, desaparecem, para não nos deixar preocupados. Mas, minha lembrança lembra dele; trinta anos depois de seu desaparecimento.
Adeus Mr. Johnny! I really loved you!
BONS DIAS!
Tarveiz ocêis nunca sôbe
Das coisa do meu sertão
Das coisa simpres da roça
Das dor que dá no coração
Me alembro das mocinha
Dos córgo, dos igarapé
Dos passarim bonitinho
Das paiada de massapé
Eu ainda me alembro
Das mata donde gorjêa
Tudo us sabiá laranjêra
Lá adonde vive o saci
Chamado Matita Perêra
Lá no meu sertão adorado
Tem muita pôca parmêra
Mais tem um córgo limpinho
I uma linda cachoêra
Lá tem côco macaiúva
Cum gosto de maravía
E tem tamém esse caipira
Que lhes deseja «Bons Dia».
ACAS
Soneto da Desilusão
Pululam poetas
contistas
e cronistas
A indiferença comeu todos
Alardeiam os trovadores
Contando suas dores
Falando de amores
A indiferença comeu todos
Secam os rios
Envenenam os ares
A fome matando
Choram os pobres
Poderosos chorando
-A indiferença nos come a todos!
ACAS