Pagª 20 - EDIÇAO NºXLII
, II NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Poesia de Pequenina

Beijo Matreiro
Hoje eu te pedi um beijo
Não mo destes, e eu magoei
Pedi uma segunda vez; negastes
Não me contive e o roubei.
Foi bem rápido, ligeirinho
Temia em pegar «sapinho»
Não sei se foi mesmo um beijo
Ou não passou de um «selinho»
Sequer senti o seu gosto
Foi muito louco, e matreiro
Ao despertar, tinha a boca
Colada ao meu travesseiro.
Beijei muito, só em sonhos
Acordada, nunca os provei
Se o beijo é boca com boca
Confesso, eu nunca beijei.
Bem dizia a minha avó
Que o beijo não deixa sequela
Boca que não merece um beijo
Carece de pimenta nela.
Camuflando Cicatrizes
Por breve tempo a vida
Banhou e secou-me as feridas
Adoçou o meu coração
Deu-me os momentos mais felizes
Cultivou-os em minhas raízes
Camuflou as cicatrizes.
De azul cingiu o meu céu
De verde, o tom das águas do mar
Das tranças dos meus cabelos
Deu-me as cordas para eu aportar
Pôs-me numa canoa quebrada
E obrigou-me a navegar.
Enfrentei com valentia
Tempestades, chuvas e ventania
Sem me deixar naufragar
Com as penas das gaivotas
Embora que em linhas tortas
Principiei a rabiscar.
Rabisquei a minha vida
E o quanto me foi sofrida
Pus para fora os meus tremores
Falei dos dissabores, e das flores
Bebi do sumo da uva, à taça de fel
Contei estrelas no céu.
Hoje me sinto num espaço
Sem ter as mãos junto aos braços
Lamento em vão os meus percalços
Almejar um amor, eu não tento
Apagou-se do meu pensamento
Ficou no esquecimento.
Ar! Ar! E mais ar! Tanto ar, que raramente pensamos como ele é vital,
como ele é importante para a vida, a nossa vida!
VER E SENTIR
Cristina Maia Caetano
(XXXVII)
Tal como um circulo continuo e incorrupto, ele entra devagar,
devagarinho dentro de nós, e pelos mesmos orifícios sai silenciosamente
e sem perturbações… sem nos apercebermos que se trata do movimento da
vida, que tantas e tantas vezes esquecemos de agradecer…
Concentremo-nos pois na arte respiratória. Fixemo-nos nos movimentos do
nariz e da boca… suavemente respiremos todo o ar que podermos pelo
nariz. É um ar puro, do universo, liberto de qualquer ânsia, mal-estar
ou solidão. É fresco, tal como uma suave brisa marítima repleto de
partículas de paz e outras tantas de harmonia cósmica. E tem cor… de um
bonito violeta libertador de toda e qualquer impureza que tudo
transmuta, tudo altera e modifica para infinitamente melhor, tal como
cada um de nós merece…
Já no nosso aparelho respiratório, este ar invade o nosso corpo
instalando-se em cada pórinho do nosso ser, alastrando-se rapidamente
pressionando o antigo ar que pelas nossas entranhas circula… E esse ar
viciado e carregado pelas nossas angustias, doenças e mal-estares
gerais, vê-se agora encurralado, apertado, aguilhoado… e num ímpeto
explode, saindo rapidamente pela boca…
Sem darmos por ela, … nas nossas veias o tal ar puro, percorre-nos tal
como um indiscreto bocejar… Sem darmos por ela, esse ar limpa-nos,
cicatrizando as nossas feridas, os nossos sofrimentos… sem darmos por
ela, estamos envolvidos numa agradável aura violeta, onde tudo é
possível modificar, possível alterar… sem por ela darmos conta…
Inteligente o universo, sabe sempre o que faz para nossa felicidade,
nosso descanso interior, paz e harmonia… pena é tão absorvida andar a
sociedade, que por esse verdadeiro milagre não dá conta! No entanto ele
acontece e ocorre tantas e tantas vezes por segundo, por minuto, por
hora, por semana, por mês! Razões, pois, para dizer que tão
incompreendido este verdadeiro fenómeno milagreiro é! E tanto perto e
dentro de nós está e se encontra!...
Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza
que o melhor é mesmo não fazerem-se julgamentos...