Pagª 25 - EDIÇAO NºXLII , II NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Cartas ao Director

A publicação das Seleções do ano de 2009 do Jornal Raizonline estão ainda em processo de análise e consideração no plano dos custos e preços sobre a atitude a tomar em face do valor dos portes (nomeadamente para fora de Portugal) não são pequenos, o que virá seguramente a repercutir-se sobre os números de volumes «vendidos».

Estamos a tentar arranjar soluções que minimizem o problema mas um afago de donativos seria bem vindo neste período, de forma a fazer repercutir esses valores nos custos gerais. Agradece-se toda a atenção possível a esta questão...

Depois de alguns amigos e leitores nos terem escrito com o intuito de colaborarem financeiramente (também financeiramente nuns casos e só financeiramente noutros) lançamos nos últimos números as bases (que recordamos abaixo) para que sejam feitos donativos.

Embora a situação esteja mesmo muito má em termos de disponibilidades neste aspecto financeiro é com agrado que registamos a entrada dos primeiros donativos para o nosso Jornal RAIZONLINE.

Em devida altura abriremos uma secção específica sobre esta questão e caso as pessoas queiram tornar públicos os seus donativos, deverão enviar-nos cópia do talão (ou do documento) uma vez que os sistemas bancários não registam de forma inequívoca a origem dos fundos.

E já agora, os nossos agradecimentos... vamos trabalhando para construir um jornal maior e melhor como temos feito sempre.

Repetição do conteúdo anterior:

Este jornal pode gabar-se de não ter até agora consumido um cêntimo (descontando o trabalho de cada um e as despesas que já eram correntes com a Net, software e computadores e o pagamento dos domínios exclusivos).

Mas...talvez seja altura de se começar a pensar nisso:

1) - o primeiro alarme nesse sentido apareceu - nos na mente quando foi aqui noticiada uma festa de homenagem a Odete Murta (uma fadista e marido que atravessam uma situação crítica),

2) - foi crescendo à medida que reparamos talentos que têm dificuldade financeira em fazer-se publicar

3) - e foi crescendo também pela necessidade que vamos tendo de frequentar eventos onde se possa proceder à promoção do jornal, de fazer deslocações que nem sempre cabem em salários cada vez mais apertados, enfim...toda a gente (salvo alguns privilegiados) sabe como é.

Assim, e enquanto as coisas não ficam organizadas de outra forma dizemos àqueles que já nos contactaram neste sentido e àqueles que ainda não nos contactaram porque ninguém falou disso que estamos disponíveis para receber donativos (por enquanto donativos, mais tarde também publicidade paga) e que a pessoa que foi «nomeada» para fazer o lugar de tesoureira enquanto a estrutura não estiver melhor organizada é a Arlete Piedade em Portugal e a Denise Severgnini no Brasil.

Os números (nacionais e internacionais) das contas afectas a este efeito vão abaixo.

NIB 0033 0000 0007 6587 4180 5

IBAN PT50 0033 0000 0007 6587 4180 5

No caso específico do Brasil temos a seguinte conta: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
AGENCIA 2918 - CC 001.00.004.344-8
DENISE DE SOUZA SEVERGNINI

 

«Africa tem medo e vive no medo»

Conflitos e relações entre Islão e Cristianismo foram alguns dos temas abordados nos discursos desta manhã do Sínodo dos Bispos para a Africa

«Africa tem medo e vive no medo», denunciou o arcebispo de Parakou (Benim), D. Fidele Agbatchi, durante a sua intervenção no Sínodo dos Bispos para a Africa. «Guardando para si mesma as conclusões das suas descobertas sobre o mundo e a natureza, deixa-se levar pela desconfiança, suspeita, autodefesa, agressão, logro (…) e sincretismo, fenómenos que contribuem para obscurecer a busca do Deus
verdadeiro», declarou. «Espero deste Sínodo – continuou – um porvir pascal e, depois dos seus sofrimentos, a ressurreição de Africa».

Por seu lado, o bispo de Tunes (Tunísia), D. Maroun Elias, referiu que as relações entre o Cristianismo e o Islão nas Igrejas do Norte de Africa «podem enriquecer as experiências de diálogo que se vivem noutras regiões (na Europa ou na Africa subsariana) e reduzir as reacções de medo e repúdio daquela religião, que começaram a ocorrer em alguns países». «Sabemos que o medo não é bom conselheiro», indicou.

O prelado sugeriu que o Sínodo para o Médio Oriente, previsto para Outubro do próximo ano, inclua as dioceses do Norte de Africa, devido às minorias cristãs e ao diálogo com o Islão que caracterizam aquelas Igrejas. D. Maroun Elias sugeriu igualmente a realização de um colóquio sobre o Islão em Africa, que tenha em conta a variedade das experiências africanas, de Norte a Sul do continente.

Nacionalismo é anti-cristão

O decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Angelo Sodano, evocou «a fúria homicida entre diferentes grupos étnicos», que «transtornou países inteiros». Se é verdade que o amor pela nação e pelo seu povo é um dever do cristão, as «deformações» do nacionalismo são «totalmente anti-cristãs»: «O cristianismo favoreceu (…) a agregação das gentes de uma determinada região, dando vida ao conceito de povo ou nação com uma identidade cultural própria.

No entanto, (…) condenou sempre qualquer deformação desse conceito de nação, uma deformação que frequentemente passava a ser nacionalismo, ou inclusivamente racismo, que é a verdadeira negação do universalismo cristão».

Pastores da Igreja envolvidos nos conflitos

O egoísmo, a avidez pela riqueza material e as tensões étnicas que resultam em conflitos, são algumas das «raízes da falta de paz em muitas sociedades africanas», declarou o Cardeal Polycarp Pengo, arcebispo de Dar-es-Salam (Tanzânia) e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de Africa e Madagáscar (SECAM).

«É triste ter que reconhecer que alguns dos nossos pastores foram acusados de estar envolvidos nesses conflitos, seja por omissão, seja por participação directa», afirmou o prelado. «A Igreja africana não poderá falar a uma só voz de reconciliação, justiça e paz se no continente é evidente a falta de unidade, comunhão e respeito devido ao SECAM por
parte de alguns bispos, ou conferências episcopais nacionais ou regionais», acrescentou.

A assembleia desta manhã contou com a presença de Bento XVI e de 226 padres sinodais, designação que abrange todos os membros do Sínodo.

Com Serviço de Informação do Vaticano


Coluna de Jorge Vicente

 

The Go-Between (L.P.Hartley)

No final do dia de hoje, tive a sensação de que nada existente no universo da Literatura interessa de facto, a não ser o próprio acto da criação literária e o acto de nos darmos aos outros, de modo gratuito e sem condições, seja através da humanidade de alguns autores seja através das suas personagens, que se nos atravessam na alma e que representam o mundo (o nosso mundo).

Falo disto porque José Luís Peixoto ganhou o Prémio Daniel Faria 2008 e acho um pouco estranho já que o Prémio se destina a autores não consagrados. Mas, enfim, isso não interessa quando temos autores como L.P. Hartley a nos apontarem o céu.

O único livro que li dele foi The Go-Between, que acabei hoje. Já o tinha lido na adolescência, na cadeira de Inglês, mas, na altura, não gostei tanto como agora. Talvez a visão da casa onde Leo Colston passou o Verão de 1900 fosse submergida pela paisagem do Nebraska presente em My Antonia, de Willa Cather, que me maravilhou e assombrou durante anos. E que me continua a inspirar frequentemente.

Hoje, aos 33 anos, porém, conheci melhor e compreendi as emoções fortes e quase dionisíacas das personagens de L.P. Hartley, especialmente Ted Burgess, uma força da natureza, embora trágica e muito frágil, ao mesmo tempo.

Um livro a ler (e a amar).


Maaz (Christian Volckman)


(imagem de Maaz, de Christian Volckman)


(imagem de Renaissance, de Christian Volckman)

Christian Volckman é um dos realizadores de animação mais surpreendentes da actualidade. Ficou conhecido pela obra Renaissance, de 2006, realizada através da técnica motion capture, que consiste na gravação de movimentos de actores reais que, depois, serão utilizados para a animação de modelos digitais em 3D.

A curta-metragem Maaz, que vi ontem, foi uma das suas rampas de lançamento. O filme, nitidamente surrealista é, segundo alguns críticos, uma tentativa de adaptação ao estilo de motion capture, resultando num exercício de estilo bastante interessante e belo.

Quanto a Renaissance, poucas palavras também haverá a dizer. Um dos melhores de animação dos últimos anos. Daniel Craig está irreconhecível.

Jorge Vicente

(Maaz: filme completo)

 

(excerto de Renaissance)