Pagª 26 - EDIÇAO NºXLII
, II NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
O Choro
André de Sapato Novo -Czardas - Bolero de Ravel -Noites...Por Roda de Choro de Lisboa (DEIXE CARREGAR S.F.F.)
O Choro, popularmente chamado de chorinho, é um género musical, uma música
popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Os
conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou
instrumentistas, são chamados de chorões. Apesar do nome, o género é em geral de
ritmo agitado e alegre, caracterizado pelo virtuosismo e improviso dos
participantes, que precisam ter muito estudo e técnica, ou pleno domínio de seu
instrumento. O choro é considerado a primeira música popular urbana típica do
Brasil e difícil de ser executado.
O conjunto regional é geralmente formado por um ou mais instrumentos de solo,
como flauta, bandolim e cavaquinho, que executam a melodia, o cavaquinho faz o
centro do ritmo e um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base do
conjunto, além do pandeiro como marcador de ritmo.
Surgiu provavelmente em meados de 1870, no Rio de Janeiro, e nesse início era
considerado apenas uma forma abrasileirada dos músicos da época tocarem os
ritmos estrangeiros, que eram populares naquele tempo, como os europeus xote,
valsa e principalmente polca, além dos africanos como o lundu. O flautista
Joaquim Calado é considerado um dos criadores do Choro, ou pelo menos um dos
principais colaboradores para a fixação do género, quando incorporou ao solo de
flauta, dois violões e um cavaquinho, que improvisavam livremente em torno da
melodia, uma característica do Choro moderno, que recebeu forte influência dos
ritmos que no início eram somente interpretados, demorando algumas décadas para
ser considerado um género musical.
David Russell - Heitor Villalobos - Choro Brasil No.1 LAZARO CARDENAS mich.
Dentre as composições de Heitor Villa-Lobos, o ciclo dos Choros é considerado a mais significativa.
O chorão mais conhecido e activo na actualidade é o virtuoso flautista e
compositor Altamiro Carrilho, que já se apresentou em mais de 40 países
difundindo o género.
Altamiro nasceu na cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ), em 21 de Dezembro de
1924. Formou seu primeiro conjunto em 1950. Anos mais tarde manteve um programa
na TV Tupi, em horário nobre, época em que gravou o seu famoso maxixe «Rio
Antigo», conquistando um grande respeito e reconhecimento por todo o Brasil.
Actualmente apresenta-se com seu conjunto de choro por diversas cidades
brasileiras, com sucesso absoluto. Em um show alegre e descontraído, conta
algumas histórias da música popular brasileira ao lado de seu seleccionadíssimo e
apurado repertório, que também traz arranjos de música clássica em ritmos
brasileiros. Frequentemente, apresenta-se com orquestras sinfónicas por todo o
território nacional e em diversos países, exercitando assim o seu lado erudito.
Compositor de versatilidade extraordinária, já compôs cerca de 200 músicas dos
mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100
gravações entre discos, fitas e CDs.
É um génio vivo, património inegável de nossa cultura! Um grande exemplo de perseverança, amor pelo instrumento e à música – dom de Deus, que lhe permite transmitir ao público: alegria e amor.
Poemas de Manuela Pittet

O Poeta da Dor
Ele chega devagar
olhando o espaço branco
quer falar do seu amar
mas inunda a folha de pranto
A angústia veste-lhe o pensamento
e escreve os versos como mais-valia
e de tão grande o tormento
enquadra as dores em poesia
Essa roupa que ainda usa
manchada pelo peso da existência
entristece a sua musa
e a cristaliza em ausência
Poeta da dor
levanta os braços ao Senhor
transmite-lhe o que és : Amor
e as estrelas do céu te trarão calor!...
E(é) só um poeta...
E(é) só um poeta...
Casaco rasgado pela viagem
Carregando seu livro de virgens páginas
Procurando seu lugar
Nalgum ponto escondido em seu mapa
Que lhe diga: «Estou aqui!»
E(é) só um poeta...
Perdido nos mesmos versos
Esses com os quais os reversos
A vida não lhe rimou
E ele(a) leu outro livro e pacientou...
E(é) só um poeta...
Que com as ninfas simpatizou
E em folhas brancas namorou
Ao som da sinfonia que o gerou
Essa mesma que não encontrou...
Deixai passar!
Deixai passar o poeta!
Ofereçam-lhe uma refeição
Quente de palavras e emoções
De amores de todas as estações
E verás a cor do seu coração!
Dêem-lhe algo a beber
De preferência verso perfumado
E ele(a) vos dará a ler
Um mundo destroçado e outro abençoado...
Deixai passar! Deixai passar!
E(é) só um poeta...
Força estranha
Caminha, meu irmão, caminha
Cabeça baixa ou erguida
Sobretudo caminha…
Não blasfemes o Deus
Porque não o conheces
Ou tão simplesmente, não recordas…
Agradece-lhe a Vida
Porque a sentes
A Dor é o teu primeiro professor
O teu companheiro primordial
E o que te ensina a existência…
O caminho
Das avenidas escuras e frias
Das casas tristes e vazias
Que percorres a cada dia
Que te inunda de um suor estranho
Como estranho é o cansaço
Da fuga e da busca
Eles são tão só
Os guias da tua força
Os raios solares da tua fé
Que te levarão
Ao País da Luz
Ao Universo da Paz e do Amor.
Por isso, não descanses, caminha !
A tua memoria voltará (…)
Dores e revoltas cessarão
E de tua alma desenharás
O sorriso da empatia !