Pagª 2 - EDIÇAO NºXLIX , I NUMERO  DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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COLUNA DE ABILIO LIMA

Abílio Lima é Engenheiro Agrário com larga experiência na sua área profissional e no campo da formação e desenvolvimento de projectos.

Tem como actividades principais a de Formador, de Consultor Técnico e a Prestação de Serviços e Apoio Técnico a Entidades do Sector Agrícola.

Para além da sua actividade profissional é Conferencista da Team Europa que é uma rede de conferencistas independentes da Comissão Europeia especialistas em temas específicos da União Europeia, existentes em diversos pontos do país e que estão disponíveis para intervir em conferências, seminários, debates, iniciativas nas escolas, acções de formação, ou para contribuir com artigos na imprensa e programas de rádio, nomeadamente a nível local.

Neste jornal Abílio Lima desenvolve a parte noticiosa e informativa dos eventos que têm lugar a nível comunitário relacionados directa ou indirectamente com Portugal ao mesmo tempo que presta os esclarecimentos que lhe forem solicitados sobre programas comunitários, formas de candidatura a programas comunitários e de uma forma geral tudo o que esteja relacionado com a União Europeia.

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Gripe A: Com a dose única, mais pessoas poderão beneficiar da vacina contra a gripe pandémica

Até à data, eram necessárias duas doses de vacina de qualquer das três vacinas contra a gripe H1N1 autorizadas: Focetria®, Pandemrix® e Celvapan®. Com a campanha de vacinação actualmente em curso na União Europeia, já foram vacinadas cerca de 5 milhões de pessoas. Na sequência do parecer científico positivo do Comité dos Medicamentos para Uso Humano e da Agência Europeia de Medicamentos, em 19 de Novembro, a Comissão Europeia autorizou a 30 de Novembro que seja ministrada apenas uma dose das vacinas Focetria® e Pandemrix®. Esta medida permitirá que possa ser vacinado a curto prazo um número muito maior de pessoas, implicando também importantes economias para os sistemas de saúde nacionais.

Dia Mundial contra a Sida: Comissão já investiu mais de mil milhões de euros na luta contra a sida

Na véspera do Dia Mundial contra a Sida (1 de Dezembro), a Comissão Europeia anunciou que investiu mais de mil milhões de euros na luta contra a sida, a tuberculose e a malária. Segundo os números mais recentes, os novos casos de infecção por HIV diminuíram 17% nos últimos oito anos, sobretudo na África Subsariana. No entanto, a nível mundial, há 33 milhões de pessoas atingidas pela sida, tendo vindo a epidemia a propagar-se mais rapidamente às portas da UE, nos países vizinhos da Europa de Leste. Desenvolvimento em IP/09/1840.

Conselho decide sobre a participação da Comunidade Europeia na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas Deficientes

Em 26 de Novembro de 2009, o Conselho preparou o caminho para a conclusão pela Comunidade Europeia da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas Deficientes, de 2006. Esta Convenção é o primeiro instrumento legalmente vinculativo que estabelece normas mínimas para a protecção e a salvaguarda de todo um leque de direitos civis, políticos, sociais, económicos e culturais das pessoas deficientes. Mais Desenvolvimento em IP/09/1850.

Comissão Europeia reserva números de telefone europeus para o serviço telefónico de assistência às vítimas de crimes e serviço médico não urgente

Como é que as vítimas de crimes obtêm ajuda na UE? A quem é que os cidadãos devem recorrer se necessitarem de assistência médica não urgente? Graças à decisão de 30 de Novembro adoptada pela Comissão estarão disponíveis novos serviços telefónicos deste tipo em toda a UE. Foram reservados dois novos números 116 para os serviços de valor social: 116 006 (vítimas de crimes) e 116 117 (serviços médicos não urgentes). Mais Informações em IP/09/1842.

Tecnologia de simulação pode ajudar a prevenir futuras crises financeiras

Como irão as políticas económicas adaptar-se em 2020, quando um quarto da população da UE tiver mais de 65 anos? Poderá a economia prever melhor a reacção dos bancos a futuras crises do crédito e o seu impacto na economia em geral? Como irá funcionar a economia quando a diminuição dos recursos naturais tornar mais difícil a satisfação das nossas necessidades energéticas? A Comissão Europeia deu a 30 de Novembro a conhecer o resultado de um trabalho de investigação de vanguarda que poderá ajudar os economistas a responderem a estas e outras perguntas mediante a utilização de software de simulação económica. Produzido por um projecto de investigação de 2,5 milhões de euros apoiado pela UE e que hoje ficou concluído, o software aplica uma tecnologia de simulação também utilizada no cinema para a produção de imagens por computador. Prevê a interacção de diferentes agentes económicos constituídos por populações numerosas, como agregados familiares e empresas, bancos e mutuários ou empregadores e pessoas à procura de emprego, que efectuam transacções e entram em concorrência como as pessoas reais. Atribuindo a cada agente simulado comportamentos e interacções individuais e realistas que mostram o modo como os mercados irão evoluir, estas simulações em escala maciça contribuíram para testar novas políticas destinadas a dar resposta aos futuros desafios sociais. Informações em IP/09/1841.

Promoção dos produtos agrícolas fora da UE

A Comissão Europeia aprovou medidas para divulgar e promover os seus produtos agrícolas nos países terceiros. Os Estados-Membros apresentaram 20 programas à apreciação da Comissão. Os 10 programas aceites foram apresentados por Portugal (vinhos), França, Grécia, Itália, Lituânia, Polónia e Roménia. Os produtos em questão são IGP (indicações geográficas protegidas) e DOP (denominações de origem protegidas), vinhos, frutas e produtos hortícolas, carne, bebidas espirituosas, azeite e produtos biológicos. A contribuição da UE ascende a 11,1 milhões de euros (50% do orçamento total dos programas). Mais Info em IP/09/1849.

Conselho da Europa e Comissão Europeia apelam aos países membros para tomarem medidas de protecção das crianças nos processos de adopção

Que passos tomar para fazer ouvir a voz da criança e fazer respeitar os seus direitos aquando da adopção? A Comissão Europeia e o Conselho da Europa pretendem responder a esta pergunta por ocasião da conferência conjunta intitulada «Os desafios nos processos de adopção na Europa: garantir o superior interesse da criança». Desenvolvimento em IP/09/1839.

Novembro de 2009: inflação da zona euro estimada em 0,6%

Segundo uma estimativa rápida publicada a 30 de Novembro pelo Eurostat, a taxa de inflação anual da zona euro em Novembro deverá ter sido de 0,6%. Em Outubro, essa taxa fora de -0,1%. Mais Informações em STAT/09/168.

Relatório da UE: 30% das luzes de Natal constituem um grave risco para a segurança doméstica

Segundo um relatório publicado a 2 de Dezembro pela Comissão Europeia, 30% das luzes de Natal apresentam riscos óbvios e directos de incêndio ou de choque eléctrico. O relatório expõe as conclusões de um projecto conjunto de vigilância do mercado que envolveu as autoridades de cinco Estados-Membros, assim como a Comissão Europeia. Os testes foram realizados entre Novembro de 2007 e Maio de 2009, com intervalos diferentes, em 196 amostras de grinaldas luminosas, recolhidas aleatoriamente e pertencentes a toda a gama de preços. As amostras foram testadas para a verificação do cumprimento de mais de 20 requisitos administrativos e técnicos. Muitas grinaldas luminosas apresentaram resultados negativos em mais do que um parâmetro. Desenvolvimento em IP/09/1864 e MEMO/09/532.


(Continua)

 

 


Lévi-Strauss

O Pensador que nos ofereceu um modo de entender o humano como sistema de relação.

Por Arlete Deretti Fernandes

Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

Claude Lévi Strauss, morreu em Paris no último dia 31 de outubro, um mês antes de completar 101 anos.

Ele dizia nas últimas entrevistas que não mais pertencia ao mundo dos vivos, mas a um século que finalizava e que se sentia feliz em não precisadentrar-se muito no atual, num mundo obeso em que a humanidade e o lixo que ela produz, crescem sem medida, a custo de tudo o mais.

Strauss criou uma nova teoria sobre os fundamentos do social, mostrando que é possível resumir a complexidade dos mitos ou dos sistemas de parentesco em poucas equações. Fez ver que um pensamento afetado pode se levantar não apenas sobre conceitos abstratos, mas também sobre o caráter do sensível. Ele mesmo o demonstrou numa obra de mais de 3 mil páginas, Mitológicas, que alterou para sempre o modo de entender as culturas indígenas das Américas.

Sua inspiração veio das analogias entre mitos e músicas, ou entre as simetrias da Natureza e as das criações humanas.

Sendo um homem de ciência, ele desafiou a superioridade da civilização ocidental. Sem trazê-la de um modo explícito sugeriu uma ética não humanista baseada na diversidade e na distância, a ser examinada por todos os ecologistas.

Foi criticado como formalista frio, mas também como autor demasiado engenhoso.

Suas idéias tem ainda uma longa vida pela frente. Teve uma legião de discípulos, mas não criou escola, no sentido de uma facção acadêmica armada de uma ortodoxia.

Historiadores e filósofos foram muitas vezes mais sensíveis às suas idéias que seus colegas de profissão. Suas idéias estão sobre a cultura ocidental do último meio século, muitas vezes refutadas pelos mesmos críticos que as espalharam anteriormente.

Strauss foi redescoberto em vida nos últimos vinte anos. De um lado ele era um intelectual consagrado, suas obras ofereciam o cânone para temas como o racismo e o conceito de progresso. Seu texto Raça e História, procedente de uma conferência encomendada pela UNESCO nos anos 1950, a ,universalidade da razão humana (discutida em O Pensamento Selvagem, o livro de Antropologia mais citado fora dos estreitos limites da disciplina), ou o tabu do incesto, (ponto de partida de As estruturas elementares do parentesco)

Contra as essências e as identidades, contra a cultura entendida como padrão fixo, Lévi - Strauss ofereceu um modo de entender o humano como contínua variação, como sistema de relações .Em lugar de aceitar os grandes relatos da sociedade ocidental, com suas mensagens edificantes de progresso, ou emancipação ele sugeriu que a Historia é feita de modos diferentes de perceber a historia: como repetição e adaptação de modelos eternos – é o que preferem as sociedades primitivas e arcaicas, que gostam de ver como velhas conhecidas mesmo as novidades mais abruptas – ou como uma mudança contínua e acelerada, como gosta de acreditar a nossa civilização, que a cada passo declara encontrar coisas nunca antes vistas no mundo.

Outros sugeriram que o mito era a história dos primitivos; ele preferiu indicar que a história servia muito bem de mito aos modernos.

Lévi Strauss não quis fazer da ciência um outro mito semelhante. Se alguma vez projetou submeter a antropologia a uma linguagem matemática, o resultado foi, paradoxalmente uma modéstia que nem sempre se encontra nas ciências humanas: ao lado destas poucas formas e equações, o que destaca é o infinito do mundo que os humanos deverão viver sem que nenhum saber supremo o leve da mão. Talvez seja esta a garantia de atualidade de sua obra: em lugar de certezas codificadas, ela oferece um exemplo de imaginação teórica que sempre encontrará novos objetivos.

De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém - fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro «Tristes Trópicos» (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

«Ele soube partir do empirismo para dialogar e colocar a antropologia em pé de igualdade com outras ciências humanas, como a filosofia. Lévi-Strauss é um autor fundamental», afirma Renato Sztutman, professor do Departamento de Antropologia da USP e mestre e doutor em Antropologia Social na área de etnologia indígena.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Lévi-Strauss foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. «Estruturalismo», diz Lévi-Strauss, é a procura por harmonias inovadoras.

A corrente estruturalista da antropologia, da qual Lévi-Strauss é o principal teórico, surgiu na década de 40 com uma proposta diferente da antropologia de viés funcionalista, predominante até então. «O funcionalismo se preocupava com o funcionamento de cada sociedade e em saber como as coisas existiam na sua função social. O estruturalismo queria saber do trabalho intelectual. Olhar para os povos indígenas e buscar uma racionalidade e uma reflexão propriamente nativa», diz Sztutman.

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em «O Pensamento Selvagem», que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.

«Ele abriu um caminho para pensar a filosofia indígena, valorizar o lado intelectual dos povos estudados, e não ficar naquela coisa «nós (ocidentais) temos uma grande teoria e eles não». Lévi-Strauss abriu caminho para valorizar o aspecto intelectual de outras populações», acrescenta Sztutman.

Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: «Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente».

Referências

Wikipédia

UOL- Educação

Apostila: Teoria Literária

Jornal O Estado de São Paulo de 31-10-2009