Pagª 48 - EDIÇAO NºXLIX
, I NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
AMI: 25 anos a socorrer quem precisa

Quando nasceu a 05 de Dezembro de 1984, a Assistência Médica Internacional (AMI)
visava apenas o apoio médico voluntário. 25 anos depois, assume-se como uma
organização de «acção humanitária global», nas palavras do seu fundador, António
Nobre.
A AMI nasceu do sonho do médico Fernando Nobre e assumiu-se como uma organização
humanitária inovadora em Portugal. As rotas da AMI têm-se cruzado com países
onde há situações de crise, guerra, fome, pobreza e exclusão social.
Já actuou em dezenas de países de todo o mundo, para onde enviou centenas de
voluntários e toneladas de ajuda, como medicamentos, equipamento médico,
alimentos, roupas e viaturas.
Questionado pela agência Lusa sobre o que mudou em 25 anos na vida desta
organização não-governamental sem fins lucrativos, o médico afirmou que «foi
passar do projecto inicial da assistência médica internacional para uma visão
mais globalizante dos problemas e da sua acção».
«Embora conservemos o nome Assistência Médica Internacional, a AMI já é uma
organização de acção humanitária global», frisou o cirurgião, que se inspirou na
actividade que desenvolvia na organização humanitária francesa «Médecins Sans
Frontières» (Médicos Sem Fronteiras) para criar a AMI.
Ao longo destes 25 anos, participou como cirurgião em mais de 200 missões de
estudo, coordenação e assistência médica humanitária em mais de 70 países de
todos os continentes.
Actualmente, a AMI tem projectos em cerca de 43 países, distribuídos pela
África, Ásia, antiga União Soviética e América Latina.
Mas a AMI não esquece a realidade portuguesa e para lutar contra a pobreza criou
os centros Porta Amiga, que distribuem alimentos, medicamentos e vestuário, além
de prestarem apoio escolar, jurídico, social e psicológico.
«Estamos conscientes de que estamos a atravessar um período difícil. A AMI já
tem 12 equipamentos sociais e está a construir mais dois que serão abertos em
2010», avançou Fernando Nobre à Lusa.
A vertente ambiental também assume um papel importante na organização, com
vários projectos para proteger o planeta e a humanidade, salientou o cirurgião,
58 anos.
A ideia de fundar a AMI surgiu em 1983 quando o médico estava no Chade numa
missão dos Médicos Sem Fronteiras. A RTP fez uma reportagem sobre este trabalho
e o então ministro da Saúde Maldonado Gonelha considerou que um projecto
semelhante poderia ser uma possibilidade de ajuda e cooperação aos países de
língua portuguesa.
Mas hoje a AMI está longe de limitar as suas preocupações ao espaço de língua
portuguesa.
Fiel ao espírito de querer perpetuar a presença humanitária de Portugal no
mundo, a AMI internacionalizou-se em 1986, ano em que foram realizadas três
missões exploratórias. A primeira missão foi na Guiné-Bissau, com os custos a
serem assegurados por Fernando Nobre e a irmã.
Na iminência da guerra do Golfo, realizou a sua primeira missão de guerra em
Setembro de 1990, prestando apoio aos refugiados, e em Outubro de 1993 prestou
ajuda humanitária ao Benin, um dos países menos desenvolvidos do mundo e nunca
mais parou.
Todo este trabalho não seria possível sem os voluntários: «Em termos de missões
internacionais já ultrapassaram largamente as seis centenas. Em termos
nacionais, são várias centenas que actuam diariamente nos núcleos da AMI
espalhados pelo país», salientou Fernando Nobre, que aos 32 anos trocou a
carreira de professor numa universidade europeia para socorrer quem precisa.

Poema
de João Furtado
Mesmo sabendo que temos que partir
Assim é desde sempre e continuará a ser
Renascendo nos vindouros a continuidade
Inda assim os nossos génios poéticos e artísticos
Onde tenham nascido, ao mundo falta deixam ao partirem!
Foi sempre assim e assim sempre será
O Mário Fonseca nos deixou,
Não disse adeus nem voltará jamais
Senti dentro de mim que deixou de haver mais uma
Estrela nos céus de Cabo Verde
Critico, poeta e até um pouco herói, partiu para sempre
Amanha, nascerá uma outra estrela, terá mesmo brilho?
Espero e rezo que as estrelas nascidas tenham
O brilho, pois que jamais ofuscam os já existentes!
Muito deu este que vejo partir,
Um verdadeiro homem do mundo
Nunca esqueceu de dizer o que pensava
De escrever o que sempre sentiu
Ou de calar, quando necessário era!
João Furtado
25 de Novembro de 2009
Maltrato Zero - Movimento de Países Ibero-Americanos para Eliminação da Violência Contra as Mulheres
Amigas(os)
Une-te a este Movimento! Participa! Divulga! Eu já estou lá...Vem também, sejas
homem ou mulher, basta que sejas contra a violência e que queiras fazer algo
para ajudar esta causa.
Eu já estou lá...Podes ver-me clicando
aqui
Vê também o meu artigo sobre este tema, publicado no Jornal Raizonline,
aqui
Com amizade,
Arlete Piedade
Consul em
Santarém de Poetas del Mundo
The Spirit, de Will Eisner e, outros super heróis adaptados para o cinema....
Por:
Se Gyn
Diante da minha paixão inveterada por histórias em quadrinhos, muita gente já me perguntou a razão desse gosto. Como um apaixonado pela coisa, respondo que as HQs (ou, como dizem os portugueses, bandas desenhadas) é uma mídia que tem sua própria forma de comunicação, unindo de uma forma muito original, história, texto, desenhos e cores.
E quanto aos super heróis, para me safar rápido, costumo dizer que são as velhas
deidades e arquétipos humanos, vestidos como lutadores de vale - tudo, vivendo
em nossa realidade, de dias atribulados - e, nesse caso, não há muito a
explicar, porque a verdade está bem próxima disso.
O exploração do filão das adaptações dos super heróis das histórias em
quadrinhos e literatura Pulp não são novidade. Acontecem desde a década de 30,
do século passado – foi o caso de Flash Gordon, Tarzan. Depois, vieram Batman e,
Superman.
Os filmes de Flash Gordon viraram filmes cult. Tarzan, vivido inicialmente por
Bruce Crable (o mesmo ator que encarnou Flash Gordon), encontrou o interprete
ideal num ex-campeão olímpico de natação, Johnny Weissmiller e, arrastou
multidões para as salas de cinema. O Superman dos anos oitenta, bateu recordes
de bilheteria.
Com a trilogia de Superman, vivida por Christofer Reeve, aliás – que começou
clássica e, acabou meio patética e, a excelente refilmagem de Tarzan, vivido
pelo estreante Christofer Lambert, a adaptação de filmes de super heróis ganhou
um novo fôlego, a partir da refilmagem soturna de Batman, realizada por Tim
Burton (que também começou muito bem e, chegou ao ridículo, no quarto e,
equivocado filme, na mão de outro cineasta). Na época, também apareceram as
adaptações equivocadas – foi o caso do Sombra.
Nesse embalo, os heróis da Marvel finalmente receberam adaptações para o cinema,
depois de um caso de sucesso (Hulk), um fracasso (Capitão América) e, uma
adaptação tosca (Homem Aranha) na televisão, além de uma tentativa lamentável
realizada pelo rei do trash movie, Roger Corman para a telona (Quarteto
Fantástico), que de tão ruim, foi vetada pela chamada «Casa das Idéias».
Mas, então, veio o Homem Aranha, que conseguiu transportar para as salas de
cinema o clima das histórias originais, inclusive a característica típica dos
super heróis da Marvel, isto é, a constante tensão resultante de enfrentar uma
vida dupla – problemas típicos de um indivíduo médio com as obrigações
decorrentes do recebimento de poderes sobre-humanos, muito bem resumida na
clássica frase que o tio disse a Peter Parker, na hora da sua morte: «com
grandes poderes, vem grandes responsabilidades».
Além da fidelidade ao original, haviam outras razões para o sucesso da película:
a tecnologia, que possibilitava a criação de efeitos críveis para os voos do
cabeça de teia entre os arranha céus de Nova Yorque e, especialmente, a escolha
do diretor certo, Sam Raimi, cujo potencial e, boa parte da arsenal de truques
já tinha exposto em Dark Man, filme no qual homenageou os velhos pulps e os
quadrinhos americanos da chamada «era de prata».
Hulk, Demolidor e, o Quarteto Fantástico receberam adaptações interessantes, que
premiaram todas as gerações de marveletes. Mas, foi com X Men que o universo
Marvel, com suas características intrínsecas, se fixaram de vez na mente do
grande público. Dentro do filme, que propõe como questões de fundo os dramas
decorrentes da mutação ocorrida na adolescência e, o preconceito do homem contra
o «outro», um grande achado, Hugh Jackman, o soberbo interprete que deu vida a
Wolverine e, imprimiu ao torturado super herói, toda a carga dramática relativa
à sua alma marcada e, passado incerto.
Depois, veio o Homem de Ferro, cujo alter ego, o prepotente e poderoso Tony
Stark, foi interpretado com extrema competência por Daniel Day Lewis. Mas, do
velho time dos super heróis que revolucionaram os quadrinhos nos anos 60, ainda
faltam O poderoso Thor, Capitão América e, Namor, o príncipe submarino, que
estão em fase de pré-produção.
Entre os personagens da DC Comics, Batman foi reiniciado e, o que era bom nos
anos oitenta, ficou ainda melhor. No primeiro filme, o cruzado de capa enfrentou
nada menos que três da sua extensa lista de conhecidos vilões. No segundo filme,
enfrentou Coringa, magnificamente interpretado por Eath Ledger *.
A tentativa de continuação da saga do Superman dos anos oitenta, porém, a
despeito da produção caprichosa, não deixou marca – muita coisa ali não deu
certo (e, talvez, a escolha de Brian Singer de X Men, tenha sido o primeiro e
apressado equívoco, pois um ser tão poderoso pressupõe um outro tratamento).
Muitos outros personagens do mundo dos quadrinhos mereceram adaptações, como é o
caso da bem sucedida transposição de Hell Boy, de Mike Mignola e, a nublada
adaptação de Dick Tracy, que não funcionou, mesmo a presença de um elenco
galático e, uma adaptação de fidelidade espantosa (mal grado, a estranha idéia
de tons monocromáticos para cada cenário e, o risco de entregar «o» papel
feminino da película à insípida Madonna).
Frank Miller (de «O Cavaleiro da Trevas», clássico que remodelou o mundo dos
quadrinhos, nos anos oitenta), já havia participado do mundo do cinema,
roteirizando Robocop, tempos atrás, além de ter participado da adaptação de Sin
City, de sua autoria, para o cinema. Em 300, se não me engano, dividiu a direção
do filme com Roberto Rodrigues. Pelo jeito, pegou gosto pela coisa e, se achou
preparado para adaptar e filmar The Spirit, criação imortal de imortal Will
Eisner.
O obstáculo inicial do cineasta: adaptar Eisner, não é fácil, porque sua obra é
absolutamente singular. Ele era um mestre do claro/escuro – que explorava com
maestria, com as mais diversas técnicas de desenho, do argumento bem dosado, do
enquadramento criativo dos personagens e objetos enredados na trama, além de ser
incorrigível e surpreendente inventor de novidades e, truques de enquadramento.
No que tange ao personagem, histórias e, ambiente, Eisner chegava a ser
brilhante, à parte os roteiros sempre bem humorados: Spirit é um morto-vivo que
não dá muita trela para o lado filosófico da coisa, preferindo combater o crime
com esperteza e tapas, entrementes cair nos braços de mulheres lindíssimas, com
seu jeito meio apatetado.
O enredo de muitas das histórias exploravam aspectos inusitados da realidade. O
foco, o desenho e, até o fio condutor mudava, seguindo determinado personagem e,
Spirit virava personagem secundário, sem que o enredo, de modo algum, perdesse o
interesse...
Pois bem, na mão de Frank Miller, a adaptação do personagem ficou muito pesada.
A parte certos aspectos intoleráveis em tempos politicamente corretos (caso da
eliminação do personagem Ebony, onipresente parceiro do personagem, nos
quadrinhos e, estrela principal de muitas histórias), o Spirit de Frank Miller
discursa em off, do começo ao fim do filme – uma gororoba superficial sobre a
cidade com a qual está relacionado e ainda, sobre o questionamento existencial,
bem semelhantes com aqueles discursos de personagens que estão sempre presentes
nos recordatórios de seus quadrinhos, como por exemplo, Ronin, O Cavaleiro das
Trevas, Sin City e, 300.
No filme, a leveza que sobrava nos quadrinhos originais de Eisner, faz falta. No
rough humor destilado por Octopus, personagem muito bem interpretado por Samuel
L. Jackson, é possível verificar umas das falhas capitais de Miller: a
concentração do tom e, clima de comédia num único personagem – pois, nos
quadrinhos originais, o bom humor está em toda parte, desde os personagens, os
textos, indo até mesmo à disposição e trucagens do claro/escuro das páginas dos
quadrinhos. Perdida essa identificação, quase nada resta alma das HQs originais
(com o perdão do trocadilho sem vergonha). De fato, a insistência de Octpus nas
piadas, parece até meio estranha, no meio do filme que parece sério, reto e
chapadão.
Em vez do contraste direto entre o preto e branco, Frank Miller optou pela
fotografia esmaecida, em que os tons de branco e preto se sobressaem. Nisso ele
acertou, porque algumas montagens de cena são belíssimas, para não dizer,
impressionantes. O truque do vermelho vivo da gravata do herói, talvez como
símbolo fálico, porém, está deslocado num personagem que veste preto dos pés à
cabeça.
No final do filme, quando sobem os caracteres, estes são exibidos sobre desenhos
de Miller para o Spirit, que, não por acaso, lembram muito, os desenhos de
Batman saltando pelos telhados de Gotham City, em Cavaleiro das Trevas. E aí,
algo me vem à cabeça: o que não funcionou em The Spirit se deve ao fato de que
Miller não quis apenas adaptar um clássico dos quadrinhos. Ele, deliberadamente,
quis superpor a sua visão, sua forma de fazer HQs e, cinema, sobre a obra
magistral de Will Eisner.
O erro principal do quadrinista e, cineasta foi, portanto, falta de humildade e
respeito na transposição da obra do mestre dos quadrinhos para o cinema, pois
sem o clima próprio, The Spirit é só mais um filme de herói sobre-humano. E aí,
sobra pouca coisa a mais que a boa fotografia.
* Leia um
artigo meu, a respeito.
Se Gyn