Pagª 44 - EDIÇAO NºXLIX
, I NUMERO DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Causos e Causídicos
Por
Antônio Carlos Affonso dos Santos.
ACAS, o Caipira Urbano.
Quem é o doutor Madureira?. Ele é promotor de justiça em Matozinhos, interior de São Paulo e teve contato com um caso que, embora pareça inverossímil, é a mais pura expressão da verdade.
Não é que o réu, Sr. Leonídio de Tal, fora acusado de um crime!. O crime era um assassinato doloso. A vítima do Leonídio, Petronilho de Tal, morrera por obra de uma estocada de um espeto de churrasco no peito, que ostentava ainda muitos dias depois do evento, sangue de uma picanha mal passada, junto com as manchas outras, do sangue da vítima.
O Dr. Madureira acusava o réu, cujo advogado de defesa alegava legítima defesa da honra. Conforme a douta explicação do Dr. Madureira, professor emérito de direito Penal, a honra é pessoal e não se transfere. Segundo ele, o que o réu teve foi orgulho e amor ferido.
O Dr. José Pedreira, defensor do réu, passou a relatar o ocorrido sob sua ótica: meu constituinte, Leonídio de Tal, ficou muito surpreso quando ao voltar para casa, encontrou a esposa, da qual jamais suspeitara, completamente nua, com o vizinho, Sr. Petronilho, dentro do banheiro da casa.
O réu pôs a porta abaixo com fúria,
uma vez que nestas circunstâncias é muito difícil racionalizar... . O Dr.
Madureira foi obrigado a concordar com o Dr. José Pedreira, ainda que tomado de
surpresa. E continuou o Dr. José Pedreira ...e se não bastasse o Sr. Petronilho
estar traindo o réu, com a esposa do infeliz...
-Protesto, gritou o Madureira, no que o juiz Luiz Xavier disse:
- Protesto aceito!.
Pois bem, continuou o José Pedreira, ele estava traindo o réu com a esposa do mesmo e, ao ouvir os passos, meteu-se no banheiro da casa, onde a amante, após o coito estava tomando banho. Com a chegada intempestiva do réu, a vítima sentiu uma vontade irresistível de defecar - vítima que foi de desinteria de origem nervosa - passando a castigar a porcelana da casa do réu, no mesmo instante e em que o réu flagrou a vítima na mais antiga posição de esforço ventral e intestinal.
O juiz teve que pedir ordem no recinto, para acalmar os presentes que riam a plenos pulmões. O próprio Madureira quase não agüentou a imagem poética profetizada pelo Dr. Pedreira, ao relatar a vítima surpreendida no banheiro, com o réu portando um espeto de churrasco, com dois ou três pedaços de picanha mal passadas, ainda respingando sangue, o qual misturou-se com o da vítima após ser devidamente espetado.
Conhecedor de todas as evidências, o júri popular terminou por absolver o réu por unanimidade. Após o veredicto, ouviu-se amiúde dos sete jurados que era uma coisa muito feia o fato da vítima ter castigado a porcelana na casa do réu, e o que ele fez no banheiro era muito mais grave do que fez na cama.
Veredicto anunciado, o Dr. Madureira aproximou-se do Dr. Pedreira, para ouvir seu comentário, não sem antes pronunciar-lhe aos ouvidos: Ex Lege.
O Dr. Pedreira externava seu inconformismo aos parentes da vítima. Fazia-o, talvez devido ao fato de que faria a exação o mais rápido possível, e o executado perdeu a causa, sendo ele o defensor.
Afirmava que não haviam respeitado o princípio do contraditório. Não lhe foi dada a oportunidade de contudo o quanto foi dito ou provado contra seu cliente. Ele queria procrastinar o julgamento, para poder preparar o processo preparatório, aplicando o princípio da concentração.
Achava que sua falha foi a de não exigir writ; para seu cliente, pois para ele sua tese de defesa era extremamente convincente. Hic Jacet Lepus, dizia ele.
O seu cliente fora encontrado todo cagado, nu e morto no banheiro do réu; parecia impossível o júri não absolver o
réu, lamentou. O Dr. Madureira, sarcasticamente, sorriu e foi embora, pois data
máxima vênia, esperava um fim bem mais limpo para o caso.
ACAS
Continuação de Contemplando «The son of man» e outros quadros de Magritte...Por Se Gyn - Ver início.
Em «Le Blanc-Seing», por exemplo, a ilusão de perspectiva, introduzida na pintura renascentista é desmontada com muito bom humor. As várias partes da suposta imagem principal se associa a difentes planos, de modo que ela, não pode ser o que se pretenderia numa pintura do passado - a retratação de uma figura ou, um ideal.
A nossa mente, entretanto, como sabia o artista, não tem dificuldades em construir a imagem da mulher sobre o cavalo, ainda que partes do corpo do animal tenhas sido habilmente suprimidas.

Já o famoso quadro do cachimbo («La trahison des images») tem umas caracterísiticas próprias e, interessantes: de certa forma retomada a idéia sugerida na supressão do olhar, em «The son of man» (isto é, é de que uma imagem não representa ou retrata exatamente uma realidadade ) e, por outro lado só faz sentido dentro do contexto da obra do pintor e, não subsistindo fora de tal contexto.

Nesta obra Magritte disse claramente o que sugeria em outras - que um quadro não pode ser nunca tomado como uma representação da realidade, pois esta possui muitas dimensões, que não podem ser expressas ou, de qualquer forma, incorporadas ou, ainda, reproduzidas.
Como se poderia introduzir na imagem do cachimbo o seu peso, sua textura, a
sensação ao tocá-lo, o cheiro remasnecente de tabaco e, sua imersão numa
realidade própria?
Em muitos outras pinturas, se pode perceber intenções parecidas de parte do
artista, que mira sempre no efeito retardado de sua produção artística...
De qualquer forma, a suposta e convidadora harmonia imagética inicial (indica
pelo equilíbrio das cores sóbrias), começa a se quebrar logo após ser alcançada
pelo olhar de quem vê.
Nos quadro de Rene Magrite, algo sempre nos leva, mais devagar ou, mais rápido,
ao estranhamento e ao desconforto e, em algum tempo, à pertubação, pois o exame
e, a reflexão sobre o que há nas imagens nunca nos deixa realmente satisfeitos
ou que saiamos apaziguados, a respeito...
