Pagª 28 - EDIÇAO NºXLIX , I NUMERO  DE DEZEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO

Nota introdutória elucidativa: (Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no seguinte endereço: Arquivo IV. )
                          

 

So isso?

- Os galões de alferes constituem-se por uma só fita dourada recta sobre passadeira preta, no sentido de toda a sua largura . Os de major são dois, também dourados, sobre fundo igualmente preto, mas um deles é estreito (em tudo igual ao do Alferes) e o outro largo – grosso -, como convém à estória.
- O que falta ao alferes, para ser major ?
- Apenas uns anos e um grosso !

A HIERARQUIA MILITAR VISTA POR «POETA»

- O ASPIRANTE, é um tratante;
- O ALFERES, come as mulheres;
- O TENENTE, ainda come muita gente, mas
- O CAPITÃO.... já não.
- O MAJOR, é o pior !
- O CORONEL, já não faz o seu papel;
- O BRIGADEIRO é um trombeiro e
- O GENERAL, um zero sexual

SITUAÇÕES COM E ENTRE «ADMINISTRATIVOS» DO ULTRAMAR

MAIS UMA –NECESSARIA- NOTA EXPLICATIVA

Entre 1483 e 1974, Portugal enquanto potência colonial, teve cada um dos seus territórios de além-mar alternada e sucessivamente designados por Colônias (por duas vezes distintas) Províncias (por outras duas), Províncias Ultramarinas e, finalmente, por Estados. Para os casos de Angola e Moçambique as grandes áreas em que administrativamente se devidiam conheceram-se por Províncias ( enquanto às possessões coube o nome de Colônias) e por Distritos, ( logo que elas tomaram a designação de Províncias).

Quase no final da administração portuguesa dos seus territórios estranhos à Europa, chamaram-se de Províncias Ultramarinas, naturalmente mantendo-se como Distritos as grandes divisões territoriais internas de Angola e de Moçambique. Tal nome, aliás prosseguiu mesmo quando, já no final da mesma administração, às duas – bem como a todas as restantes possessões - foi atribuída a designação de Estados.

Para o conjunto do Ultramar Português, vamos porém ficar com duas designações apenas: Províncias Ultramarinas ou simplesmente Províncias (para referir cada um dos territórios portugueses geograficamente separados da Europa) e de Distritos (para as grandes áreas em que internamente se dividiam Angola e Moçambique).

Havia, pois, dois tipos de províncias :
As de governo geral - ANGOLA e MOÇAMBIQUE- cada qual gerida pelo seu Governador Geral a quem cabia a liderança do governo coadjuvado por diversos Secretários Provinciais -espécie de ministros, cada um sobraçando cada uma das pastas do conjunto da administração; e

as de governo simples, ( casos de CABO VERDE, GUINE, SAO TOME E PRINCIPE, TIMOR e MACAU) que eram administradas por um Governador de Província assessorado por diversos colaboradores.

ANGOLA e MOÇAMBIQUE, - divididas em distritos- tinham, para cada um, o seu Governador de Distrito-.
Por sua vez os Distritos e todo o território de todas as outras Províncias Ultramarinas estavam sub-divididos em concelhos ou circunscrições pelos quais respondiam Administradores de Concelho ou Circunscrição a que passaremos a designar simplesmente por Administradores.

Concelhos ou Circunscrições voltavam a dividir-se, agora em postos administrativos - cada um gerido por um Chefe de Posto -. e finalmente os postos se repartirem por sobados, onde a autoridade era o Soba Secúlo, ou Régulo.

Consequentemente, a hierarquia da administração civil Ultramarina Portuguesa era a seguinte:::
Governador-Geral (só Angola e Moçambique) ou de Província (todas as restantes) de quem dependiam Secretários Provinciais e Governadores de Distrito. (só nos casos de Angola e Moçambique).Directores dos diversos Serviços Provinciais Inspectores Administrativos. com categoria equivalente à de governador de distrito e que eram «feitos» a partir dos intendentes de distrito, de oficiais de qualquer dos ramos das forças armadas ou, ainda, de diplomados pelas diversas faculdades.

Tinham por missão inspeccionar a actividade dos servidores da administração civil das províncias em que estivessem colocados, e os Intendentes de Distrito que, dependentes dos governadores de distrito por si mesmos directa e comumente orientavam os serviços distritais da Administração Civil. (Até este nível, todos faziam parte do chamado Quadro Comum do Ultramar, o que lhes conferia a possibilidade de coloca-ção ou transferência dentro delas próprias ou de umas para as outras das Províncias Ultramarinas).

Imediatamente após, vinham os Administradores de Concelho – ou Circunscrição - agrupados em classes -3ª, 2ª e 1ª- classificação que lhes era atribuída de acordo com os seus méritos pessoais, experiência ou antiguidade, e lhes conferia a possibilidade de administrar localidades maiores ou menores, de maior ou menor importância conforme o número de seus habitantes e a sua projecção política.

(Continua no número seguinte)

 

 

 

 


Continuação do Causo «O Fusca casa, a casa Fusca.» por José Pedreira da Cruz - Ver Início

Alugou uma garagem

Que lhe custava uma grana

E não tendo mais dinheiro

Nem pra comprar uma cama

Dormia dentro do fusca

Já sem emprego e sem fama

 

Seu pensamento agora

Era voltar pro Ceará

A terra que o pariu

E que jamais devia deixar

Estava mesmo atolado

Sem ter pra quem apelar

 

Todo bem que possuía

Era apenas um fuscão.

Agora desempregado

Sem ter nem mesmo um tostão.

Fazia do fusca a casa

Fazia da casa o fuscão.

Passava o dia inteiro

Alisando o carrão

Era o bem mais precioso

Que tinha deste então

Mas no fundo de seus bolsos

Não tinha nem um tostão

 

Certo dia estava ele

Querendo se amostrar

Abriu toda a garagem

Pôs o fusca a funcionar

O rádio cantava alto

Um forrozinho pra animar

 

Um sujeito ia passando

E lhe acenou com a mão

O abestalhado do Aloisio

Lhe deu toda atenção

E logo entregou o carro

Na mira de um três-oitão

 

O ladrão saiu contente:

Acelerando; tirando «fina»

Mas só andou poucos metros

Pois não tinha gasolina

E aos gritos do Aloísio

Largou o caro na esquina

 

O coitado em disparada

Com o coração na mão

Abraçou-se ao seu fusca

Chorando pra multidão

E ao contar toda a história

Ali vendeu o fuscão.

 

Entrou no primeiro bus

Com destino ao Ceará

Dizendo que em São Paulo

Nunca mais ia pisar

E que o sonho de um fusca

Acabou sem começar.

 

Voltou pra sua terrinha

Cheio de decepção

Dizendo que nunca mais

Iria ter tentação

Embrenhou-se na sua roça

E foi cuidar da plantação.

 

Nota: este é um caso verídico que presenciei em São Caetano do Sul - SP, e que tive a ousadia de transforma-lo num Poema de Cordel.

José Pedreira da Cruz

São Paulo-BR - Agosto/2008.