Pagª 5 - EDIÇAO NºXLVIII , IV NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Colunas de Francis Raposo Ferreira

Violência

 

Violência é sempre violência,
Seja contra homem ou mulher,
Na idade adulta ou adolescência.
Violência, algo a temer.

Violência, realidade mundial,
Que, com muita hipocrisia,
Vai proliferando em Portugal,
Logo neste jardim, quem diria.

Violência reflexo deste mundo
Que insiste viver em guerra.
Violência, um terror profundo.

Fazem-se juras de amor,
Enquanto andarem sobre a terra,
Mas depois só provocam dor. 


Amor Puro

 

Jesus andou pela terra
A proclamar o amor.
Hoje fazem guerra
Por um padre viver o amor.

Ele lutou por seu amor,
Como lutou pela vocação.
Porque não ouvem o Senhor
E abençoam esta paixão?

Um padre é humano,
Também tem sentimentos,
É brutalmente desumano
Matar tão belos momentos.

Amai-vos uns aos outros,
Assim o diz a lei divina.
Atraíram-se os opostos
Revelou-se a beleza feminina.

O padre não resistiu,
Deixou soltar o seu amor,
Direito que lhe assistiu
Mesmo amando o Senhor.

Preferem ser enganados,
Por falsos celibatários,
Que mesmo não casados,
Filhos, têm vários.

Este jovem assumiu seu amor,
Foi forçado a fugir,
Quem imagina a dor
Que ele estará a sentir.

Ele prometeu amar,
Mas amar o Senhor,
Nem poderia desconfiar
Que viria outro amor.

Um amor carnal
O viria a conquistar,
Amar é dom Divinal
Porque não os deixam amar? 


A mulher da minha vida

 

Só há uma mulher
Que me faz chorar,
E é só a essa mulher
Que eu quero amar.

É a mulher de cabelo negro
Que me parte o coração,
Por ela, não o nego,
Eu perco, até, a razão.

Essa mulher é a minha vida,
Nada mais me faz viver,
Não suportaria a sua partida.

Eu amo essa mulher,
Ela é todo o meu ser,
A mulher que meu coração quer.

 

 



Fontes secas

Quantos de nós, já não se viram envolvidos em projectos que acreditamos, desde o seu inicio, poderem contribuir para ajudar a superar algumas dificuldades que o futuro nos apresente, mas que depois se nos apresentam como sendo, quase, vazios de conteúdos úteis à prossecução dos nossos objectivos, e só digo quase vazios, porque cabe a cada um de nós conseguir fazer despoletar alguns dos aspectos positivos, omissos nos objectivos do projecto, e que poderão vir a constituir uma mais-valia.

Se a esta falta de conteúdo, acrescentarmos algumas carências, a vários níveis, dos promotores e de alguns responsáveis pelo desenvolvimento do projecto, então a nossa disponibilidade intelectual para nos integrarmos, por completo, no mesmo é, também ela, quase nula, e digo quase nula porque há sempre uma vertente de qualquer projecto que constitui a tal mais-valia de que falava anteriormente, o grupo de participantes.

Vem todo este introdutório a propósito da minha passagem pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, isto é, aquilo que eu acreditava ser uma fonte onde poderia vir a beber, sempre que a minha sede de soluções assim o exigisse, viria a revelar-se como uma fonte donde só jorrava um fio de água, ainda por cima já salobra.

Efectivamente fui vendo os dias, e as aulas, a passarem, acompanhados de um desencanto generalizado por parte dos alunos, independentemente da sua idade, mas, simultaneamente, fui vendo crescer um lindo bouquet de amizades e de competências individuais que surpreendiam os próprios docentes, que se mostravam, na maioria das vezes, sem velocidade para acompanhar esse crescer dos seus discentes. Foi este crescer, das amizades e das competências, que me foi fazendo continuar a caminhada, pois à medida que avançávamos mais eu me perguntava a mim mesmo:

«Mas o que é que eu ando aqui a fazer?»

Pois bem, a resposta a esta minha questão surgiu do nada, o mais inesperadamente possível, ou seja, ao ser colocado num colégio destinado a jovens em processo de reinserção social, como responsável por uma das vertentes desse processo, eu compreendi, então, a utilidade de muitas das aprendizagens que me foi permitido adquirir na faculdade, principalmente as denominadas aprendizagens extra-curriculares, onde pontificam as inúmeras, grandes e inesquecíveis amizades que ocupam um lugar muito especial no meu coração.

Realmente o facto de ter tido como companheiros de licenciatura, jovens de uma geração posterior à minha, e de ter podido fazer, com eles, aprendizagens que me ajudaram a compreender os comportamentos e as atitudes de uma geração que faz fronteira com a geração a que pertencem os
jovens que hoje estão sob minha orientação constitui, sem qualquer margem para dúvidas, a grande e maior mais-valia de todo esse processo de construção do meu ser.

Mas também não posso esquecer os companheiros que não pertencendo propriamente à minha geração, também não pertencem à geração da maioria dos nossos colegas de caminhada, e que todo o seu potencial de experiência adquirido ao longo da vida, constituíram igualmente uma bica onde pude encontrar a tal água que não jorrava do local mais indicado, as fontes, e que tanta falta faz para saciar a sede que atormentava, e atormenta, alguns momentos das nossas vidas.

Mas será que algumas dessas fontes não deitavam água porque não a tinham, ou simplesmente para nos obrigar a procurar outras fontes que nos proporcionassem a água necessária?

Acredito piamente que sim, que passei por fontes que de facto já não tinham água nenhuma para nos dar, mas também acredito que algumas outras fontes, poucas, só não deitavam água por opção estratégica.

E para todos eles, jovens, menos jovens e docentes que me ajudaram ao longo do caminho, e que hoje, de uma forma indirecta, me continuam a ajudar, que dirijo o meu, muito, sincero:

Obrigado amig(a)os.

Francis Raposo Ferreira

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