Pagª 1 - EDIÇAO NºXLVIII
, IV NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
POESIA DE ARLETE PIEDADE
Quero ser uma oliveira
Quando eu morrer não me levem para o cemitério
enterrem o meu corpo, debaixo de uma oliveira!
Quero continuar a ser útil e servir de alimento
desejo as raízes enroscadas no meu corpo
que lentamente irá sendo absorvido
transformando-se em seiva, folhas e frutos!
Frutos que serão colhidos, e moídos
e do seu sumo, se extrairá o azeite
que servirá de alimento a outros corpos
de pessoas das gerações seguintes...
Quando eu morrer, não me levem para o cemitério...
Sonhei contigo, pai!
Sonhei contigo pai
Estavas vestido de preto
Num sítio escuro ao fundo
e eu vinha a descer...
Tu abraçaste-me
e assustei-me...
Perguntei: - Quem és?
E respondeste: - Sou o teu pai!
Então fiquei contente!
Gostei do teu abraço
Senti que me quiseste dizer:
- Estou bem! Não te preocupes!
Obrigado, pai!
A gatinha
A gatinha é fofinha
Meiguinha...
Todos os dias aparece a miar
roça-se nas minhas pernas
de rabo erguido e fremente
Vibra aquela antena de carne...
Acho que me marcou como
sua propriedade!
Então faço-lhe carícias
Dou-lhe nomes meigos
e levo-lhe comida!
É assim a gatinha
Que aparece pela manhã
no jardim!
Noite das Bruxas
Meia noite em ponto! E na noite escura já se ouvia...
Uma pavorosa, estridente, e horrorosa gritaria...
Vultos alados revolteavam nas brumas de alcatrão
E por todos os lados, luzes bruxeleavam de sopetão...
Caras estranhas se destacavam contra o céu de breu,
E por tantos uivos lá fora do castelo, temerosa eu...
Me recolhi tremendo de medo na minha fria alcova...
Não fosse o terrível ceifador vir buscar-me para a cova!
Mas então fez-se luz na minha triste mente temerosa...
Será que era aquela a noite em que a gente desastrosa,
Brincava sem respeito e temor com os seres do além??
Pobres criaturas que imitam sem respeito e sem pudor...
As bruxas, fantasmas e a todos esses seres de horror...
E nem temem que as atinja os poderes que eles têm...
Continuação da Coluna Um (Ver início)
Falada que está esta questão / justificação falemos agora um pouco da nossa Selecção de trabalhos publicados neste jornal RAIZONLINE.
Por razões que nos ultrapassam (mais razões que estão para além das nossas possibilidades) não tivemos ainda oportunidade de fazer o forcing necessário para que o volume de inscritos corresponda na sua maior amplitude ao nosso volume de colaboradores e por reflexo ao número de trabalhos publicados.
Na verdade, e aqui estará um problema também que interessará referir, nem todos os trabalhos têm condições para ser publicados ou se o fossem (ou forem) ficarão com uma menor qualidade de apresentação gráfica do que aquela que tiveram no RAIZONLINE.
Na imprensa a imagem a cores (ou mesmo a preto e branco) custa muito caro e há trabalhos excelentes que foram publicados no RAIZONLINE que dependem na sua expressão global muito dessas mesmas imagens. Colocar trabalhos desse tipo para publicação em livro seria a meu ver feri-los na sua qualidade de conteúdo e expressiva e em certo sentido empobrecê-los. A inclusão de imagens, pelo menos das mais relevantes, tornaria o preço do volume proibitivo.
Assim, é bom que se tenha em consideração este aspecto e se saiba (guardando na memória) que alguns dos melhores trabalhos publicados no RAIZONLINE não podem, dadas estas limitações de preço, ser publicados na Selecção.
Por outro lado, e voltando aos contactos e ao que chamámos de forcing de contactos para inscrições, temo-nos apercebido que o Regulamento embora publicado atempadamente é para muitas pessoas confuso, pouco claro: os Regulamentos em princípio são isso mesmo, ou seja, são um documento que procura abranger todas as situações e são tão chatos de ler como qualquer Decreto Lei, por isso não estranhamos que tal suceda.
Temos dito a quem nos tem colocado dúvidas que, em último recurso, indiquem ou mandem os trabalhos que nós fazemos as contas, devidamente comprovadas e fundamentadas depois na resposta.
Uma vez que nos aproximamos das datas limite para fecho das inscrições vamos direccionar uma parte do nosso esforço mais imediato nesse sentido, contactando as pessoas uma a uma. Esperamos não incomodar quem para a publicação nas Selecções não esteja virado, mas para termos a certeza teremos de contactar todos, incluindo com aviso de recepção do nosso mail. E por aqui nos ficamos...
LINK PARA A LISTA DOS TRABALHOS INSCRITOS
Ps: Não esquecer que continuamos abertos à recepção de donativos.
TRABALHO INFANTIL NO BRASIL
O país que vai sediar as Olimpíadas de 2016 e a Copa do Mundo de 2014, ainda tem 4,5 milhões de crianças e adolescentes que estão longe do esporte porque fazem parte da população trabalhadora, segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) e G1.
Nesse universo pesquisado, Mato Grosso do Sul apresentou índice pior que Rio de
Janeiro e São Paulo, mas menos pior que Mato Grosso e os estados do Nordeste. A
situação ainda é de alerta para as autoridades que repassam os recursos
previstos para combater o problema.
Ocorre que recursos estão previstos no Peti (Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Até o mês de
agosto foram repassados ao Mato Grosso do Sul R$ 4,7 milhões no Peti para tirar
23,5 mil crianças e adolescentes do trabalho.
Raio-X
Em Mato Grosso do Sul 10,53% dos jovens de 5 a 17 anos trabalham. O estado tem
um total de 2,3 milhões de habitantes. Entre eles, 560 mil jovens nessa na faixa
etária. O número estimado de pessoas no começo da vida que já trabalham e têm o
estudo e a formação comprometidos, segundo a pesquisa, é de 59 mil jovens.
Tocantins é o estado que apresentou pior índice, 15,71% - 55 mil jovens. O
estado do Rio de Janeiro, que vai sediar as Olimpíadas em 2016 e também a sede
da Copa do Mundo de 2014, é a que teve o menor índice com 3,93% (118 mil) das
crianças e adolescentes no trabalho. São Paulo ficou com 7,33% (608 mil).
Região Centro - Oeste
A capital federal foi a que apresentou situação menos pior entre os estados da Região Centro - Oeste com índice de jovens trabalhadores de 4,05%. Em segundo lugar vem Mato Grosso do Sul (10,53%) seguido por Goiás (11,23%), Mato Grosso (12,55%) e por fim Tocantins (15,71%).
Critérios do PETI
Em tese, os critérios adotados para que uma família participe do Peti e receba a bolsa de R$ 40 obedecem as seguintes condições:
as famílias em situação de trabalho infantil com renda per capita mensal superior a R$ 120; para receber a transferência de renda, as famílias têm que assumir compromissos como retirar todas as crianças/adolescentes de atividades laborais e de exploração;
garantir a freqüência mínima da criança e do adolescente nas atividades de ensino regular e no Serviço Socioeducativo, no turno complementar ao da escola, de acordo com o percentual mínimo de 85% (oitenta e cinco) da carga horária mensal exigida e também o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, da vacinação, bem como da vigilância alimentar e nutricional de crianças menores de sete anos.
Alerta
O Brasil tem 190 milhões de habitantes e 10% da população da faixa etária de 5 a
17 anos trabalha, seguindo método orientado pela Organização Internacional do
Trabalho (OIT).
A legislação brasileira permite o trabalho na condição de aprendiz a partir dos
14 anos e em qualquer caso acima dos 16, mas muitas crianças e adolescentes
começam a pegar no batente mais cedo. Dados da PNAD mostram que 141 mil das
crianças ocupadas têm menos de nove anos de idade e 1,3 milhão menos de 14.
Acima dos 14 anos, o IBGE aponta que são R$ 2,99 milhões de ocupados. Mas, dados
de 2008 do Registro Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do
Trabalho e Emprego, apontam que apenas 360 mil jovens de 16 e 17 têm emprego com
carteira assinada.
Outros 160 mil jovens acima dos 14 trabalham como aprendizes. Isso significa que
2,47 milhões de adolescentes trabalham sem ter seus direitos trabalhistas
respeitados.
Segundo Mendes, tradicionalmente os estados do Nordeste e Norte estão no topo do
ranking por conta dos indicadores econômicos. Os estados do Sul, porém, ficam em
evidência por conta do aspecto cultural, que muitas famílias educam os filhos,
principalmente no campo, por meio do trabalho.
A responsável pela Coordenadoria da Infância do Ministério Público do Trabalho,
procuradora Mariane Josviak explica também que nas capitais é mais comum o
trabalho nas ruas, na venda de produtos, exploração sexual e trabalho doméstico.
No interior, segundo ela, as crianças atuam mais na agricultura.
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Internacional de Eliminação da Violência Contra as Mulheres – 25 de Novembro (Ver Início)
Como disse Kofi Annan, secretário geral da ONU, por ocasião do Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, em 25 de Novembro de 2006, e passo a citar: «A violência contra as mulheres causa enorme sofrimento, deixa marcas nas famílias, afectando as várias gerações, e empobrece as comunidades. Impede que as mulheres realizem as suas potencialidades, limita o crescimento económico e compromete o desenvolvimento.
No que se refere à violência contra as mulheres, não há sociedades civilizadas.
No mês passado, apresentei um estudo minucioso que demonstra que metade da humanidade vive sob esta ameaça – em todos os continentes, em todos os países e em todas as culturas, independentemente do rendimento, da classe, da raça ou do grupo étnico.»
E pois um problema de dimensão mundial, que tem origem nos primeiros tempos da humanidade, em que o homem era visto não só como o chefe da família e tinha poder de vida e morte sobre as mulheres e os filhos, como também como o dono e senhor.
No entanto se a evolução da humanidade se nota pelos significativos avanços nas várias áreas do conhecimento, desde as ciências, até outras áreas do saber, na mentalidade da maioria dos homens essa evolução tem sido pouco significativa ou quase nula, pois ainda continuam a considerar a mulher como sua propriedade e como tal a tratam.
Ora a mulher representa metade da humanidade, e sem ela não haveria sequer vida. A mulher é a metade do homem, o seu complemento, a mãe dos seus filhos, a razão de viver e de lutar, representa a sobrevivência da humanidade, a evolução da espécie, o crescimento, a vida enfim.
Então como tolerar que aquele que deveria ser o seu maior protector, o homem, a trate com violência, e faça dela sua propriedade, usando a abusando da sua fragilidade e a maltrate e ponha fim á sua vida?
Temos que considerar que a violência, engloba uma série de situações, a saber:
-Maus tratos físicos (desde pontapear, esbofetear, atirar coisas, até ao
homicídio)
-Isolamento social (restrição do contacto com a família e amigos, proibir o
acesso ao telefone, negar o acesso aos cuidados de saúde)
-Intimidação (por acções, por palavras, olhares)
Maus tratos emocionais, verbais e psicológicos (acções ou afirmações que afectam
a auto-estima da vítima e o seu sentido de auto-valorização)
-Ameaças (à integridade física, de prejuízos financeiros)
-Violência sexual (submeter a vítima a práticas sexuais contra a sua vontade)
-Controlo económico (negar o acesso ao dinheiro ou a outros recursos básicos,
impedir a sua participação no emprego e educação) .
No entanto dependendo das culturas, dentro deste âmbito, englobam-se também práticas como tráfico de mulheres destinadas á escravatura, nomeadamente sexual, casamentos forçados, mutilações genitais que continuam a ser praticadas em várias culturas, bem como outras práticas nomeadamente nas culturas orientais, que restringem severamente a liberdade das mulheres, que continuam no século XXI a ser tratadas como na idade média.
No entanto por todo o mundo se assiste cada vez mais, a um amplo movimento de denúncia destas práticas e adopção de medidas e leis tendentes a mudar este estado de coisas, para se conseguir uma maior igualdade ente os géneros.
Por isso caros leitores, se tiveram conhecimento de algum destes crimes, seja na qualidade de vítimas, seja como testemunhas, ou vizinhos, familiares ou amigos das vítimas, apresentem queixa junto das autoridades competentes, para que o Estado possa tomar medidas, dando início ao respectivo processo crime e os infractores possam ser responsabilizados e condenados.
No entanto sabemos todos da dificuldade de por em prática as medidas necessárias, pelo que o que mais urge modificar e o mais difícil, passa pela mudança de mentalidades, pelo que deixo um apelo a todos, independentemente do género, para que reconheçam nas mulheres, as companheiras, a metade necessária á vida, a mãe dos seus filhos, mas também um ser livre, com direito á sua própria vida e a escolher a forma como a deseja viver, para uma maior felicidade e dignidade como pessoa humana.
Pois que, e em especial em Portugal, mas também noutros países de cultura lusófona, o aumento dos divórcios e separações, a par com uma maior independência económica das mulheres, que as tornam menos dependentes dos companheiros, tem sido a meu ver, a causa maioritária de violência, desencadeada pelo machismo ainda reinante nas nossas sociedades.
Com efeito o homem, ao ver a sua ex-mulher tornar-se independente dele, e tentar reconstruir a sua vida com novo companheiro, e a ver-se separado dos filhos, muitas vezes tenta impor as suas vontades através da violência, esgotados os outros recursos e quando não o consegue, muitas vezes recorre á prática de acções violentas, que podem ir até á morte da mulher que um dia jurou amar e proteger.
Também se assiste hoje em dia a casos de violência já entre namorados, o que a meu ver é também um fenómeno relativamente novo e resultante de toda uma cultura entre os mais jovens, de violência e desrespeito entre as hierarquias, sejam os pais, ou os professores e adultos em geral. Se não respeitam ninguém, como esperar que respeitem as namoradas?
Mas mais ainda nestes casos, as jovens devem denunciar e acabar com essas relações sem medo e procurar o apoio da família e do seu grupo de amigos e da comunidade, para não se tornarem vítimas da violência desde ainda antes do casamento.
Torna-se pois imperioso mudar as mentalidades em primeiro lugar e fazer corresponder as leis e os meios de as tornar efectivas, para que este mundo seja realmente um espaço onde homens e mulheres possam coabitar e viver em comunhão, com espírito de fraternidade, companheirismo e amor, de mãos dadas para que possamos passar ao próximo estádio de evolução, o da verdadeira fraternidade e amor incondicional.
Arlete Piedade
Violência – Um caso de assassínio na minha cidade esta semana
Caros leitores,
Tinha eu acabado de escrever esta crónica e enviá-la para o jornal para publicação, quando fui surpreendida pela chocante notícia de um caso acabado de ocorrer aqui mesmo em Santarém, na passada segunda-feira, 23 de Novembro.
Poderia dizer que era alguém que eu não conhecia nem nunca tinha visto, mas na verdade ainda na sexta-feira anterior, tinha entrado no estabelecimento comercial do qual era uma das donas - uma pastelaria - e sido atendida pela própria, para vir a saber passados alguns dias, que essa senhora tinha sido morta à queima roupa por um antigo namorado, com um tiro de caçadeira no seu local de trabalho, em pleno dia.
Segundo consta na cidade, o assassino seria um antigo namorado, com quem a senhora – divorciada – se terá relacionado, algum tempo e que em seguida ao fim do relacionamento, terá ido trabalhar para Angola. Voltou recentemente e contactou a antiga namorada, querendo reatar o relacionamento, o que foi recusado.
Daí passou a ameaças, que originaram queixas nas autoridades, o que não demoveu no entanto o antigo namorado. Desenvolvimentos que aconteceram com a interveniência de familiares, levaram á decisão deste em matar a ex-namorada, o que aconteceu como já explicado.
Em seguida, o homem tentou suicidar-se atirando contra si próprio. Ficou ferido, mas encontra-se livre de perigo internado no hospital da sua cidade para onde foi transferido após ser assistido no Hospital de Santarém.
A pobre mulher que foi a enterrar no dia 25, o Dia da Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a que se refere esta crónica, deixa um filho órfão, que nesse dia completou 19 anos de idade. O seu presente de aniversário foi enterrar a sua mãe. Como será o futuro deste jovem?
Mas estes casos de violência não farão parte da banalização a que se assiste da violência, que faz parte do quotidiano de todos nós? As crianças e jovens crescem jogando os seus jogos de vídeo e assistindo aos seus filmes de desenhos animados na televisão, e nesses conteúdos o que mais lhes interessa são as cenas de violência, em que uns se matam aos outros, em que os carros chocam com violência, em que há destruições maciças, tudo com muito barulho, sangue, explosões, incêndios e violações. É tudo tão banal...como podemos esperar que eles cresçam e saibam distinguir a realidade da ficção?
Como podemos esperar que os alunos respeitem os professores, os jovens respeitem os colegas, os namorados as namoradas, os filhos os pais? E se eles assistem em crianças ás discussões e agressões entre os pais, com que valores irão crescer?
Enfim, poderia continuar, mas deixo apenas estas questões para reflexão de todos nós...abraços e até para a próxima semana.
(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)