Pagª 25 - EDIÇAO NºXLVIII
, IV NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Cartas ao Director

Depois de alguns amigos e leitores nos terem escrito com o intuito de colaborarem financeiramente (também financeiramente nuns casos e só financeiramente noutros) lançamos nos últimos números as bases (que recordamos abaixo) para que sejam feitos donativos.
Este jornal pode gabar-se de não ter até agora consumido um cêntimo (descontando
o trabalho de cada um e as despesas que já eram correntes com a Net, software e
computadores e o pagamento dos domínios exclusivos).
Mas...talvez seja altura de se começar a pensar nisso:
Assim, e enquanto as coisas não ficam organizadas de outra forma dizemos àqueles que já nos contactaram neste sentido e àqueles que ainda não nos contactaram porque ninguém falou disso que estamos disponíveis para receber donativos (por enquanto donativos, mais tarde também publicidade paga) e que a pessoa que foi «nomeada» para fazer o lugar de tesoureira enquanto a estrutura não estiver melhor organizada é a Arlete Piedade em Portugal.
Os números (nacionais e internacionais) das contas afectas a este efeito vão abaixo.
NIB 0033 0000 0007 6587 4180 5
IBAN PT50 0033 0000 0007 6587 4180 5
Comentários de Colaboradores, leitores e amigos do Raizonline
De: Marcelo Torca
Mensagem = Sobre o Dia do Professor de Arlete Piedade. Parabéns por lembrar desta data, informar o motivo da comemoração, algo que eu não sabia e agradecer aos professores pelo trabalho, já que esta profissão está um pouco sacrificada, os desafios são maiores do que realmente podem ser realizados, se não tiverem projetos de valorização da carreira de professor, realmente vai ser muito complicado garantir formação escolar as crianças e adolescentes, num mundo tão competitivo como o nosso, a formação escolar é essencial.
De: José Pedreira da Cruz
Mensagem = Carissimo Redator. Com referente a crônica «ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS», creia-me: talvés eu tenha tido um lápso qualquer no momento e deixado claramente minha dúvida, mas sou muitíssimo agradecido com sua distinta atenção ao esclarecer o assunto, com muita precisão, em NOTA REDACCAO. Só me resta agradecer-te e dizer-te da minha alegria. Atenciosamente
José Pedreira da cruz
De: Sandra Fayad
Mensagem: Sobre Albinismo (Roberto Rillo Bíscaro)
Merece parabéns o Roberto pelas vitórias alcançadas, a despeito da limitação. Temos um caso semelhante na família. Trata-se de uma sobrinha, que nos enche de orgulho por ter se tornado uma pessoa de sucesso (pessoal e profissional). Sabemos do quanto é difícil estudar e se tornar independente quando se nasce assim. Vou enviar-lhe o endereço do Blog.
De: ACAS
Mensagem = Lágrimas e êxtase sob o frio e sob a emoção................... Maria da Fonseca: esta senhora me deixa emocionado.
Os poemas que postou nesta última semana são diamantes atirados sobre a ganga bruta (nós)! Sua «Canção Triste» é de uma beleza ímpar: lembrou-me alguns autores brasileiros de escol e, sem dúvida, quando o editor Daniel falou de suas qualidades, foi até muito recatado.
A grandeza da mensagem, da rima, da métrica e a escolha das palavras lusófonas, fizeram-me nesta manhã fria de primavera paulista, verter água nesses olhos sexagenários «que a Terra há de comer»!
Felizes os convidados para a ceia da Literatura que, com a Maria da Fonseca, é sempre farta e bonita. Tenho vontade de escrever um poema para ela, porém, este «véio caboco» não tem capacidade de fazê-lo, pois o meu melhor poema está muito abaixo da qualidade que ela jorra todas as semanas. Para nosso doce deleite (sem trocadilhos).
Deus é o Poeta Maior; e a Maria da Fonseca é a sua Profetisa. Abenção Maria da Fonseca.
De:ACAS
Mensagem = Arlete Piedade....... Pedro Alvares Cabral: só agora entendo porque vocês se dizem cabralianos ! Como é bom tomar um banho de cultura através da Fada das Letras. Amei o texto!.
De: ACAS
Mensagem = ACAS by ACAS Daniel, não sei se foi você quem escolheu esta minha poesia «Memórias» para publicar neste número do «nosso» jornal; mas fiquei emocionado.
Este texto, totalmente baseado em texto de Manuel Bandeira, conta um pouco de minha vida e das saudades que tenho: Ah, saudade/Velha companheira/ Você fica aqui comigo/Por uma saudade inteira/E só pode ficar assim/Por ser saudade verdadeira.
De: Liliana Josué
Mensagem = Autor: Daniel Teixeira
Titulo: Porque é que os animais não têm linguagem?
Aqui está outro artigo que me preencheu plenamente. Esta temática estimula-me a curiosidade. E a dialéctica entra as várias teorias são manifestamente «contendas» eternas e saborosíssimas. Mais uma vez parabéns.
Liliana Josué
De: Sandra Fayad
Mensagem = Querido Daniel,
Muito obrigada pela valorização do meu texto em que descrevo a mudança de atitude do nosso vizinho.
Após esse fato, tivemos a visita do representante do Meio Ambiente em Brasília, que fotografou a Horta e prometeu empenhar-se pela conquista de alguns benefícios, como oficialização do espaço, sitema de coleta de águas das chuvas e expansão do projeto através da formação de multiplicadores, criando pequenas ilhas de cultivo de ervas medicinais. Contarei mais em outra matéria.
Um grande abraço
Coluna de Jorge Vicente
Philip Pullman, excerto de A Torre dos Anjos

«Will apercebeu-se, pela primeira vez, aos sete anos, de que a mãe era diferente das outras pessoas e que ele tinha de tomar conta dela.
Estavam os dois no supermercado e faziam um jogo: só podiam colocar um objecto dentro do carrinho quando não estivesse ninguém a olhar.
Era função de Will olhar em volta e
murmurar um «agora» e ela tirava uma lata ou um pacote da prateleira e
colocava-o silenciosamente dentro do carrinho. Quando as coisas estivessem todas
dentro do carrinho, eles estariam a salvo porque se tornavam invisíveis.
Era um jogo divertido e demorou muito tempo porque era sábado de manhã e a loja
estava cheia de clientes, mas eles eram bons naquilo e trabalhavam em equipa.
Will gostava muito da mãe e dizia-lho com frequência, tal como ela.
Quando chegaram à caixa, Will sentia-se excitado e feliz porque o jogo estava
quase a chegar ao fim e eles estavam prestes a vencer.
Quando a mãe não
conseguiu descobrir o porta-moedas, isso também fazia parte do jogo, mesmo
quando ela disse que o inimigo devia tê-la roubado; mas Will estava a ficar
cansado do jogo e com fome e a Mãe já não parecia tão feliz; ela estava mesmo
assustada; tiveram de voltar para trás e colocar todas as coisas de volta nas
prateleiras, só que desta vez tinham de ser supercuidadosos porque os inimigos
estavam a persegui-los através do número do cartão de crédito, que agora sabiam
qual era porque lhe tinham roubado o porta-moedas...
Will sentia-se cada vez mais assustado. Percebeu como a sua mãe fora inteligente
ao transformar o perigo concreto num jogo para que ele não se sentisse
aterrorizado e como, agora que sabia da verdade, tinha de fingir não estar
assustado, para a tranquilizar.
E assim o rapazinho fingiu que ainda estavam a brincar, para que a mãe não
tivesse de se preocupar com ele, e foram para casa sem as compras, mas a salvo
dos inimigos; foi então que Will descobriu o porta-moedas sobre a mesa do
corredor.
Na segunda-feira foram ao banco, fecharam a conta e abriram outra numa
dependência diferente, por precaução. E assim o perigo passou.
Mas, nos meses seguintes, Will apercebeu-se, a pouco e pouco e contravontade, de
que os inimigos da mãe não estavam algures no mundo, mas na cabeça dela.» (1)
Philip Pullman
(1) PULLMAN, Philip - A torre dos anjos. 4ª ed. Barcarena: Presença, 2007. ISBN
978-972-23-3058-9. p. 15, 16.
Muito interessante este excerto, retirado do 2º volume do livro fantástico His
Dark Materials, de Philip Pullman.
O episódio do supermercado fez-me lembrar um texto de Italo Calvino, retirado de Marcovaldo (penso) no qual a família do protagonista (Marcovaldo) se divertia a retirar produtos da prateleira, metê-los no carrinho, passear um pouco com eles e, após algumas peripécias, voltar a colocá-los no mesmo sítio.
Em qualquer dos excertos, uma excelente crítica ao
nosso modo de vida.
Jorge Vicente
The Host (Joon- Ho Bong)
(imagem de The Host)
Quando fui ao clube de vídeo para alugar The Host, avisaram-me: o filme não é grande coisa, os efeitos especiais são bastante bons, mas a história é inexistente. Torci um pouco o nariz porque sabia que o filme era sul-coreano e tinha recebido óptimas críticas, embora, muitas vezes, as críticas sejam enganadoras.
Pensei cá pelos meus botões: se calhar, o filme não é daquelas americanices, onde os bons têm punhos de ferro e aparece sempre uma actriz vistosa a ajudar o herói a derrotar a besta.
Provavelmente, preferem uma
história bem conseguida, sem buracos, com os argumentos medidos a esquadro e
compasso, onde se dá um início, se desenvolve uma história e se processa um fim.
Linear e sem ponta de humanidade.
Quando vi o filme, verifiquei que a maior parte das pessoas estava enganada. Os
efeitos especiais são, afinal, a pior coisa do filme. A tal besta é estranha e
não tem o tom ameaçador do Alien e do tubarão de Spielberg.
No entanto, as pessoas são de carne e osso. Numa das cenas mais fortes do filme, vêm-se os vivos chorarem os mortos, com coroas de flores espalhadas num recinto improvisado.
Penso que num filme norte-americano, isso não apareceria. Quem
sobrevive, apenas mostra as lágrimas do cinema, típicas de blockbuster, estilo
lágrimas típicas de super-herói.
E sempre podemos ver as dimensões sociais, políticas e, acima de tudo,
ambientalistas do filme.
O último ataque ao animal, através do agente laranja, sem mencionar também o pseudo-vírus que os americanos inventaram, revela muito do tom desta obra: crítica, crítica, crítica.
Provavelmente, a fazer lembrar as implicações sociais da Noite dos Mortos Vivos, tanto na sua variante George Romero ou Tom Savini: we are them and they are us.