Pagª 50 - EDIÇAO NºXLIV , IV NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Moçambicana Lídia Brito na UNESCO

A antiga Ministra moçambicana do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, Lídia Brito, é a nova Directora da Divisão de Politicas de Ciência da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Lídia Brito, que foi a primeira responsável pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia de 2000 a 2005, deverá assumir esse cargo em Dezembro próximo em Paris. Vai substituir Mustafa E Tayeb, que vem dirigindo os destinos desta divisão da UNESCO desde 1996. Com o nível de PhD em Ciências Florestais, Lídia Brito é considerada como uma experiente na matéria de elaboração de politicas da ciência.

Como Ministra, foi responsável pela elaboração da Estratégia Nacional do Ensino Superior e pelas reformas do quadro legal da Ciência. Após servir o Governo na qualidade de Ministra, leccionou ciências florestais na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição do ensino superior em Moçambique, tendo também servido ao Conselho Universitário das Nações Unidas e o Fórum Africano de Florestas.

Dada essa larga experiência no circuito africano de Politicas de Ciências, a indicação da Lídia Brito para este cargo é largamente saudada no mundo. «Ela é bem conhecida como uma defensora e apaixonada pela ciência baseada em desenvolvimento nos países pobres», disse Mohamed Hassan, director executivo da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS).

«Não podemos pensar em nenhuma outra pessoa melhor para estabelecer os recentes esforços da UNESCO de desenvolver capacidade nas políticas de ciências no mundo em desenvolvimento e, particularmente, em Africa», acrescentou. Por sua vez, Tomas Kjellqvist, responsável pela cooperação na pesquisa na Agencia Sueca de Desenvolvimento (Ssda), disse esperar que o papel de assessoria da UNESCO ganhe progressos nos países menos desenvolvidos. «Acreditamos que a Lídia Brito tem experiência e rede de contactos necessários para alcançar essa expectativa», disse.

Mas os peritos acreditam também que Lídia Brito irá ter desafios enormes. Peter Tindemans, um perito em politicas de ciências e que trabalhou com a UNESCO no relatório sobre ciência de 2005, traça os desafios em dois tipos. O primeiro é o de lidar com o hábito da UNESCO em dispersar os recursos em pequenas quantidades. O segundo, ligado ao primeiro, é de reconsiderar a prática da UNESCO de ajudar os países pobres a desenhar politicas, enquanto falha assistir os mesmos na implementação das mesmas.

Um terceiro desafio seria o de melhorar a componente de «inovação» das políticas de programas da UNESCO, acrescenta John Daly, antigo oficial de ciências da Agência norte-americana de Desenvolvimento Internacional (USAID), que também trabalhou como consultor do Banco Mundial. «A diferença é uma mudança do foco da pesquisa para o desenvolvimento e inovação nos sectores produtivos», referiu. Espera-se que Lídia Brito seja apoiada no seu novo trabalho com um ligeiro aumento do orçamento dessa divisão. Um documento sobre o orçamento preliminar da UNESCO indica um aumento em 2,5 milhões de dólares o bolo destinado a divisão das ciências naturais, passando para um total de 22 milhões. O documento aponta as políticas de ciências como área prioritária da organização.

 

 

 

 


URUGUAI: EX-GUERRILHEIRO, JOSE MUJICA PODE FAZER HISTORIA

O senador José Mujica, candidato da coalizão governista Frente Ampla, poderá entrar para a história do Uruguai neste domingo caso seja eleito o primeiro ex-guerrilheiro preso durante a ditadura (1973-1985) a ocupar a presidência do país.

Nascido em 20 de maio de 1935, Mujica foi eleito deputado em 1995 e senador em 2000 e em 2004. Além disso, aceitou o convite para ser ministro da Pecuária em 2005, quando Tabaré Vázquez levou, pela primeira vez, a Frente Ampla ao governo nacional.

Antes disso, o candidato fundou, ao lado do já falecido Raúl Sendic, o Movimento Tupamaros, uma guerrilha que protagonizou 60 enfrentamentos, sequestros e execuções durante a ditadura. Por esta razão, Mujica acabou capturado pelo regime e permaneceu preso por 13 anos.

¡Hacelo presidente! from Pepe Mujica on Vimeo.

Posteriormente, com a redemocratização, em 1985, a organização se converteu em uma agremiação política legal, o Partido Tupamaro do Uruguai, oficialmente chamado de Movimento de Libertação Nacional (MLN), que integra a coalizão Frente Ampla e do qual Mujica faz parte.

Famoso pelo carisma e maneira informal com que fala e se veste, o ex-guerrilheiro é considerado o político uruguaio mais original dos últimos 50 anos. Durante a campanha presidencial, ele usou seu blog -- «Pepe tal cual es» -- para divulgar opiniões que expõem um pouco de seu estilo simples.

«Uma nova e terrível ameaça floresce sobre o Uruguai: chama-se José Mujica e é portador de um vírus tenebroso, o populismo», foi uma das ironias escritas por ele.

Proclamación de la fórmula del Frente Amplio from Pepe Mujica on Vimeo.

A maioria das pesquisas aponta Mujica como favorito ao pleito, com índices que beiram os 50%. Para que seja eleito ainda no primeiro turno, porém, ele precisará obter a maioria absoluta dos votos, incluindo brancos e nulos. Do contrário, um novo pleito ocorrerá no dia 29 de novembro.

Seu principal adversário será o ex-presidente Luis Lacalle, do Partido Nacional, que governou o país entre 1990 e 1995.

O conservador Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, é o terceiro colocado.