Pagª 27 - EDIÇAO NºXLIV
, IV NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Poesia de Pequenina
Já não sou mais eu
Já não sei onde ando
Se bem na terra ou no céu
No espaço, vivo ao léu
Contando as horas do tempo
Acampada por sobre as nuvens
Perdida no infinito
Não sou nada, sou o grito.
Trago a alma cravada
Carente e desamparada
Que aos poucos se declina
Sufocada pela neblina
Foi-se de mim, à menina
Já não mais me reconheço
À vida cobra o seu preço.
Deixem-me dormir
Descansar o meu pensamento
Afugentar os sofrimentos
As angústias, os tormentos
Já não mais sei quem eu sou…
Sou folhas secas ao vento
Oca de sentimento.
Já não sinto as minhas dores
Não mais me ferem os espinhos
Já não me sangram as feridas
Esgotaram-se os meus queixumes
Com o tudo que se perdeu
Nada restou de meu…
Já não sou mais «EU»…
No zunir do vento...
Ouço-te; no zunir do vento
Movendo a areia, rompendo as vidraças
Esvoaçando as cortinas
Quebrando o silêncio do meu quarto
Me atiras para o alto…
Nada dizes, nada falas…
Mas mesmo que calado, eu ouço-te
No tremular das minhas mãos
No descompasso do meu coração
Na minha imaginação.
Que me vês; é um fato
Mesmo sendo tu, um retrato
Olhas-me e desejas-me
Seduz-me com o teu olhar abrasador
Flamejante de amor.
Um amor aventureiro
Embutido numa moldura estática
Sensitivo, e imponderado
Imagem viva de um passado presente
Timbrada na minha mente.
Tua mudez me sufoca
Não te queixas, não contestas
Recolhido num mutismo que me corta
Mudo te vais, dando-me as costas…
Zune o vento, á bater a porta.
Poesia de José Manuel Veríssimo

ALFA
Cores
Formas
Amálgama ilusória de desordem
Imagens destorcidas
Prelúdio de conteúdos
Cavaleiros ciderais
Carregados
De sonhos laminares
Bacteriais
Armados de coragens juvenis
Escapados aos temporais
Náufragos de entregas
Senhores de fogos próprios
De tempestades viris
Bruxos- anjos das manhãs
Intérpretes da linguagem dos pássaros
Alquimistas do sentir e do pensar
O princípio e o fim
Na perfeição ilimitada
Do círculo
Mas para querer traçar
Tantas circunferências assim?.................
Tomar 1998
AMADURECER?
Olhos a semicerrarem
Braços – pilares
A susterem as têmporas
Fluxos de sangue
A latejarem
Nos lobos cerebrais.
Abrem-se penínsulas
Nos cabelos
Força-se a vontade de pêndulo
Na sincronia do movimento
Franze-se o sobrolho
Lábios rasgados abrem
Sorrisos no cinzento envelhecido
Aperta-se a mão estendida
Quando há alguém
Que estreita
Corpo a corpo
Um abraço siamês
Um sorriso espreita
Fugaz
Uma verdade que se semeia
Fica a intenção de conseguir
Distinguir
Ainda que uma só vez
Do resto do areal
Apenas um grão de areia.
Aroeira 28.7.1977