Pagª 48 - EDIÇAO NºXLIV , IV NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Dia da Criança

Por Arlete Deretti Fernandes

Na década de 1920, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de instituir o dia das crianças. Os demais deputados aprovaram o projeto e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, em 5 de novembro de 1924.

Trinta e seis anos após este decreto, em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a «Semana do Bebê Robusto» e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o Dia da Criança é comemorado com muitos presentes!

Seguindo a idéia genial, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas!. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto.

A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos.

Alguns países comemoram o dia das Crianças em datas diferentes do Brasil. Na India, por exemplo, a data é comemorada em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Em 5 de maio, é a vez das crianças da China e do Japão comemorarem!

Muitos países comemoram o dia das Crianças em 20 de novembro, já que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece esse dia como o dia Universal das Crianças, pois nessa data também é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. Entre outras coisas, esta Declaração estabelece que toda criança deve ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento.

Muito é preciso fazer-se em prol da infância em todo o mundo. O carinho e a proteção de uma família são os primeiros passos. Outros elementos básicos também são necessários.

Toda criança deve ser cultivada com carinho e afeto, como se fosse uma verdadeira e delicada planta. O investimento realizado para o futuro de uma criança, não quer dizer que ela venha a ser um grande vulto, mas que aprenda a ter dignidade, caráter e moral.

Com estes atributos, as crianças que no futuro serão adultos formados, deixarão exemplos a serem seguidos, até que o reconhecimento seja dito:

-Estes são os grandes homens.

O eminente filósofo Sócrates já dizia na antiguidade:

-EDUCAI AS CRIANÇAS E NAO SERA PRECISO PUNIR OS HOMENS.

 

Poemas de Laila Murad

O Feitiço do Amor

Quero
Tua boca premente na minha
Num beijo doce, longo e
Profundo...

Tuas mãos experientes em meu corpo
Vão despertando delícias,
fazendo carícias
Transmitindo
Malícias...

Fico
Imaginando como será este amor
Com a ternura de um beija flor
Buscando o seu néctar vital;
Com a astúcia de um lobo
Acariciando a fêmea
Numa conquista
Irracional e
Total...

Com a sutileza de um amante
Conquistando a sua amada
Com afeto e doçura
E com carinho
Sensual e
Sem igual

Eu te Amo!

E u te sinto e pressinto a todo momento e instante
U m luminoso olhar como de uma estrela brilhante...

T ernura bem-vinda, feliz amor cantando no coração
E sperança bela e renovada de muito carinho e emoção.

A gasalhando afetos e carícias, vivendo um doce amor
M agia leve e sonhada, ignora a tristeza e toda a dor
O mundo ganha novo sentido, tudo ganha beleza e cor!

Momento de Amor

Em minha boca permanece intacto
Do seu beijo, o sabor inconfundível
Meu corpo ainda fremente de amor
Guarda muito zeloso, o doce contato
De suas mãos carinhosas
com um toque terno e
Inesquecível...

Na nossa cama desfeita
Os lençóis amarfanhados
E nossas roupas espalhadas
Testemunhas mudas e silentes
Do nosso amoroso encontro
De carinhos e toques partilhados
De um amor tão terno e incrível
E de uma felicidade
Rara e indescritível...

 


Viver na gandaia e continuar a ser gente

Grupo_gandaia

Estamos na lixeira do Hulene - nos arredores da cidade de Maputo - onde o tempo, para aqueles que vivem na gandaia (acto de revolver lixo), não conta. É um território estranho, desumano, repugnante e, até certo ponto, cruel. Vivem ali - dos detritos que são despejados diariamente - homens de todas as idades, incluindo velhos e crianças, que nos vão dizer, sem qualquer remorso, que «nós comemos carne todos os dias». Mas essa carne de onde é que vem?! E eles sabem perfeitamente de onde é que vem essa carne! «Vem nos camiões da Neoquímica». A Neoquímica é uma empresa que tem camiões cuja vocação principal é recolher para a lixeira restos de comida que já não servirão para o consumo humano, mas que tem comensais especiais: os sobreviventes da gandaia.

Chegámos de manhã e, como não tínhamos ainda a informação detalhada do que estava a acontecer, ficamos receosos - depois de estacionar a viatura que nos transportava - e ansiosos: descemos ou ficamos à espera de orientações? Alguém nos dizia que será extremamente perigoso andar por perto da lixeira, onde aqueles jovens perderam toda a sensibilidade humana. Eles podem te agredir, violar e até matar, por isso, todo o cuidado será muito pouco. E nós queríamos compartilhar com o nosso leitor, o outro lado da vida, que é protagonizada diariamente por homens e mulheres, incluindo velhos e crianças, que medram alimentando-se de comida putrefacta e dormindo ao relento e fazendo filhos na lixeira.

Mas o que chamou a nossa particular atenção foi sabermos que existem «sobreviventes da gandaia» que frequentam cursos de fotografia e dança, numa casa de caridade tutelada por italianos e que está situada quase paredes-meias com a lixeira do Hulene. E o mais intrigante ainda foi sabermos que, depois das aulas, esses mesmos jovens voltam ao local onde vivem, revolvendo o lixo para continuarem a (sobre)viver, «porque o que nos dão durante as aulas não é suficiente».

Não será, entretanto, das entranhas da lixeira por onde vamos começar, pois um grupo desses desafortunados estava cá fora. Com roupa limpa, diante de um computador e alguns deles com máquina fotográfica em punho. Ouvem explicações de um trabalho que eles aprenderam com um italiano «puxado» pela sensibilidade de um padre que quis valorizar o lado humano de jovens que parece já não esperarem nada.

Eles - os jovens - por aquilo que vimos, na verdade, aprenderam bem aquilo que depois materializaram. Vimos fotografias, com certeza, captadas com olho sensível, como se aqueles «sobreviventes da gandaia» já alguma vez tivessem andado por aqueles caminhos. Algumas das imagens - espectaculares - são verdadeiras obras de arte. Não obstante, paira uma pergunta: depois do curso, o que será daqueles miúdos? Aonde é que eles irão implementar aquilo que aprenderam?

Perguntámos a Rachid Augusto, um dos seleccionados do curso, como é que ele teria ido parar à Lixeira do Hulene. «Vim para aqui porque em casa não temos nada para comer». Esta resposta de Rachid traz um peso demolidor quando pensamos que alguém foge de casa por falta de comida e procura essa comida numa lixeira.

Quanto à sua participação no curso de fotografia, este jovem não se mostrou muito entusiasmado. «Gostei do curso, mas prefiro ficar na lixeira do que vir todos os dias para aqui». Estes jovens, para além dos lanches a que tinham direito diariamente durante dois meses de duração do projecto, recebiam 30 MT para o almoço. «Esse dinheiro não chega para nada, gastamos num instante e voltamos a ficar no zero. Na lixeira é melhor porque, para além da comida que retiramos dos restos que vêm dos camiões da Neoquímica, apanhamos materiais feitos de plástico, alumínio e ferro e vamos vender. Isso dá-nos algum lucro, que nos permite viver mais ou menos. Agora aqui não temos essa oportunidade, por isso sentimo-nos melhor na lixeira do que estar aqui».

Maria Letizia Cacciatori é uma italiana envolvida neste projecto, juntamente com o padre que se interessou por um grupo de jovens que, segundo ele, tinham que pensar na vida, para além do simples acto de pensarem na comida. A primeira coisa que o grupo de italianos fez foi retirar as mulheres que viviam na lixeira e dar-lhes uma ocupação, como, por exemplo, cuidar da criança que vive no bairro do Hulene. Segundo Letizia, «nós queríamos que os jovens fizessem alguma coisa, para libertarem a sua iniciativa criadora e terem uma vida condigna e o que nos pôs espantados é que eles aprenderam com muita facilidade. Fizemos um curso idêntico no ano passado, com uma duração de dois meses e este ano também repetimos isso, com o mesmo tempo. E tudo correu como o previsto».

Continua