Pagª 1 - EDIÇAO NºXLIV , IV NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Quando chegarão os atletas?

Por : Haroldo P. Barboza

Nos últimos 40 anos o índice da violência urbana vem crescendo em escala logarítmica em função da incompetência dos gover-nantes de todas as esferas e de todas as siglas partidárias.

Jamais desenvolveram uma política preventiva nas áreas de educação, saúde, moradia, transporte e emprego para que a escala de revolta ficasse restrita aos níveis suportáveis e fáceis de serem contornados.

Apenas usaram este caos para os frágeis trampolins eleitorais que os eternizam no poder através da crendice popular de que na próxima gestão os problemas serão resolvidos por aqueles que sempre prometem, desviam verbas, compactuam com a corrupção e depois alegam que a culpa foi da administração anterior.

Só não lembram que cada um deles já esteve numa destas «anteriores» e nada fizeram para planificar a humanização do centro urbano que dirigiram. Os conflitos ocorridos em Vila Isabel (RJ) bem perto do antigo jardim zoológico nos meados de outubro de 2009 são de fazer inveja à explosiva faixa de Gaza.

Tiroteios durante 12 horas seguidas sobre prédios da região ameaçando milhares de moradores, queima de veículos coletivos, interdição de vias públicas e comércio local e desta vez, para escancarar a fragilidade de nossas desaparelhadas forças policiais, a derrubada de um helicóptero da polícia militar.

Para tentar explicar tal humilhação, as autoridades alegam que a «inteligência»(?) da polícia já estava ciente do confronto que ocorreria entre duas favelas vizinhas. Se mesmo sabendo do fato com antecedência não evitaram as barbaridades acontecidas, acreditamos que se não soubessem, provavelmente bandidos invadiriam a secretária de segurança pública e estabeleceriam o novo escritório dos traficantes que hoje gerenciam a cidade dentro das penitenciárias corrompidas. Estas mesmas autoridades afirmam que os confrontos são «pontuais» e não em toda a cidade.

Concordamos. São pontuais. Em todos os pontos onde a miséria aprisiona os pobres sem oportunidade de uma vida com um mínimo de dignidade e que acabam servindo como massa de manobra de traficantes para criar tumultos que desviam a atenção da tal «inteligência» e são usados como escudos contra as desastradas incursões policiais para capturar os chefes das quadrilhas que foram criados nestes celeiros de pobreza mantidos pelos que desviam as verbas que poderiam acabar com estas fontes.

Nós, moradores reféns dos dois grupos de marginais (armas de fogo nas ruas e canetas assassinas nos gabinetes governamentais) sabemos que a indústria da violência rende R$ MI a centenas de magnatas residentes nas orlas marítimas (as que são exibidas para atrair turistas para nossas cidades) e aos dirigentes coniventes que se locupletam com tal cenário. Não temos mais a quem recorrer. Apenas torcemos para não sermos o próximo assaltado numa esquina qualquer das cidades abandonadas.

Certamente a polícia executará meia dúzia de marginais para oferecer manchetes de jornais e acalmar a opinião pública apavorada até que novos tiroteios infernizem nosso cotidiano já insuportável. Mas a miséria produz meia dúzia destes elementos por dia. É como enxugar gelo. Mesmo uma força policial adequada não tem meios para acompanhar a evolução desenfreada da violência que se banalizou em nossa sociedade acomodada.

A trégua para esta situação está longe. Somente em junho de 2016 as «autoridades» farão um pacto para que a capital da «olim...piada» não seja alvo de ações tão contundentes. Nesta época talvez tenhamos uns 2 meses de calma com a presença da força nacional de segurança que está sendo oferecida pelo Ministro da Justiça.

Isto se algum lúcido dirigente do COI não colocar sob suspeita a «escolha» (voto eletrônico volátil) do Rio como sede da competição. Suspeita maior ainda pelo fato do relatório que enaltecia nossas virtudes não exibir o realismo da favelização que contaminou nossas capitais e que pode sitiar a cidade antes da chegada dos primeiros competidores internacionais.

R$ 30 BI (aviões franceses) + R$ 20 BI (FMI) + R$ 20 BI (olimpiada) = zero (educação, saude, habitação, transporte, segurança)

Para ler todas as publicações de Haroldo P. Barboza.

 

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Para alguns que estejam na posição de espectador a coisa até pode parecer fácil de se fazer, basta juntar «meia-dúzia» de textos, arranjá-los devidamente em termos gráficos (o que nós sabemos fazer mas não vamos fazer) e ir ali ao lado, à tipografia e mandar sair...não é assim, como se entende!

A coisa é bem mais complicada e agora, eu, por exemplo, que não tenho relação com esta actividade editorial há algum tempo, reparo como as coisas se complicaram por um lado, embora tenham ficado mais fáceis por outro. E compreendo sobretudo que é extremamente difícil publicar com algumas garantias de segurança nos tempos que correm.

Esta tal «segurança», para ser adquirida, num nível relativo, implica que se fuja a princípios que sempre temos defendido: o princípio da auto-suficiência. Mesmo que restem sempre no final uns pozinhos para limpar o que interessa neste caso, para que nos possamos mostrar como auto-suficientes é que tenhamos iniciado e acabado (quando acabarmos) todo o processo respeitando esse princípio tão são, tão tranquilizador, tão honesto e dizermos a nós mesmos e aos outros que eventualmente estejam interessados que, sim senhor, fizemos e não precisámos de ninguém estranho ao processo, de nenhum «patrocínio», de nenhum subsídio. Pessoalmente acho que é uma coisa da qual se deve ter muito orgulho!

Não é que se critique quem proceda de outra forma, esclareça-se...nem que essa outra forma não seja igualmente meritória, mas é uma questão de perspectiva e nós temos esta e não abrimos fácil mão dela.

Dito isto, esclareço que temos todos condições para fazer uma excelente obra publicada: os nossos colaboradores, aqueles que já se inscreveram  e hoje apresentamos apenas dois, sem a totalidade da obra inscrita, para ir arrancando, e aqueles que já mostraram a sua intenção de se inscreveram dão-nos todas as garantias de que faremos uma obra boa.

Nada de estranhar, para quem conhece este projecto do Jornal Raizonline, para quem o lê ou para quem pesquisa na Net. Estamos muito bem colocados em termos de buscas por motor de busca, inserimos no Raizonline trabalhos de qualidade e trabalhos que tocam franjas substanciais das populações, muito graças à capacidade dos nossos amigos e colaboradores.

Temos uma perspectiva direccionada para as pessoas, para as chamadas micro-culturas, para as chamadas franjas excluídas (quer dizer, para os excluídos), para todos aqueles que despontam no universo da escrita, seja ela poesia, trabalho cientifico, seja crónica, sejam recordações de vidas cheias, emotivas histórias de vida, de vidas que andam ainda à margem do conhecimento público e que tão ricas são em termos afectivos.

Um estudo (tenho algum pudor em escrever este termo) feito sobre o nosso jornal mostraria que, salvo raras excepções mais ou menos difusas, nunca tomámos posições partidárias e nunca andámos afogueados atrás do facto dito «do dia», do escândalo do momento...decididamente posso dizer que não somos nós que andamos desfasados da realidade, são os outros...porque o mundo mais real é este, aquele em que vivemos.

Assim, e para não estender muito estas considerações, que são preocupação e motivo de atenção permanente e que devem ser ditas e repetidas todas as vezes que tal se mostre necessário, damos inicio neste número à indicação e/ou publicação dos trabalhos inscritos para a Selecção do Raizonline 2009, cujo prazo termina em 31 de Dezembro deste mesmo ano. Boa sorte a todos os inscritos.

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Daniel Teixeira

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia Mundial dos Idosos - Considerações Pessoais (Ver Início)

Como já tinha referido anteriormente, foram os avanços da medicina, que permitiram aumentar a esperança média de vida, para cerca do dobro em apenas um século, com a descoberta de novos medicamentos, em especial os antibióticos, que têm permitido o tratamento bem sucedido de muitas doenças infecciosas, de que é exemplo a tuberculose. No entanto convêm recordar que uma correcta utilização destes medicamentos torna-se essencial para não permitir o aparecimento de novas espécies de bactérias multi-resistentes ( significa resistentes a variados antibióticos), que resultam de as pessoas não tomarem os antibióticos de maneira correcta durante o prazo prescrito pelo médico.

Resulta daí um envelhecimento da população, que a partir do final da vida activa ainda tem uma expectativa de vida de quinze a vinte anos, os chamados «Anos Dourados» ou «Terceira Idade».

Mas não é só o corpo físico que se tem que cuidar, a fim de prevenir as doenças mais comuns da velhice, mas em especial a parte emocional e psicológica.

Aquela pessoa estava habituada a ser útil, a ser parte de um todo, de uma sociedade, de uma empresa, de uma família, que agora a pretexto de descanso os dispensa, os rejeita, os coloca numa qualquer prateleira, como objectos inúteis ou caídos em desuso.

Enquanto o reformado tem saúde, autonomia e capacidade financeira, tem muitas actividades onde ocupar o seu tempo livre, desde viagens, passeios promovidos pelas juntas de freguesia e outras entidades, até diversas actividades lúdicas, como aprender uma nova arte, ou voltar para a universidade. Quase todas as cidades têm já a funcionar as suas universidades da terceira idade, onde a partir dos 55 anos qualquer pessoa se pode inscrever.

Mas onde vão aplicar estes novos conhecimentos adquiridos? A sociedade está cheia de jovens desempregados, portanto quem vai dar empregos a seniores (como agora se diz), com idade superior a 55 anos, quando para o mercado de trabalho, todas as pessoas com idade superior a 35 anos, são já velhas.

Temos então uma cada vez mais numerosa faixa etária, bem preparada por uma vida de aprendizados e experiência, que volta á escola, que se prepara, e que na prática só o faz para passar tempo, pois isso não lhe dá mais rendimentos para a sua vida. Na verdade quando as pessoas se reformam, muitas vezes os seus rendimentos nem sequer chegam para custear as despesas de saúde.

Então quando as doenças se declaram e se instalam, e a família não pode tomar conta deles, e é necessário recorrer ao seu internamento numa instituição, é que o quadro se torna ainda mais negro.

E é a solidão que se instala de vez, muitas vezes com o abandono da família que os «deposita» num lar de idosos, e vai á sua vida esquecendo que o seu familiar idoso continua a ser uma pessoa com sentimentos e emoções, tais como perda, saudade, solidão, abandono, dor, mágoa, rejeição, amargura, tudo somado ás dores físicas das doenças. Onde começam umas e acabam as outras, quem souber que diga...

Pois nos lares de idosos, tratam do corpo é certo, providenciando alimento, higiene e abrigo. Mas e a alma, a saudade, as lágrimas?

Mas quantos idosos nem sequer têm como acudir ás necessidades do corpo físico? Não só em Portugal como em outros países...

Falo daqueles que vivem nas ruas, sem abrigo, sem ajuda, sem alimentação sequer. Há organizações de voluntários que socorrem essas pessoas, mas que certamente que se para eles são uma esperança embora fugaz, para as necessidades dessas pessoas, são uma gota de agua. Mas para quem vive sempre sedento e atravessa o deserto da vida, uma gota de água pode ser um momento de prazer e felicidade...

Muito mais podia escrever, mas apenas apelo para que cada um comece a fazer a sua parte, na sua própria família, e depois tente colaborar dando um pouquinho de si, seja em tempo livro como voluntário, seja em bens que lhe possam sobrar e ainda possam ser úteis a outras pessoas, quer colaborando em actividades cívicas e sociais na zona onde mora.

E aproveitemos o final do mês e o Dia de Finados para prestarmos um preito de saudade e homenagem aos que já cessaram de viver, depositando flores e rezando uma oração aos pés do túmulo dos nossos entes queridos.

Arlete Piedade

 

(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.

 

Chimpanzés são altruístas quando solicitados

Investigação da Universidade de Quioto sugere que estes primatas são capazes de se ajudarem sem esperar nada em troca.

Os chimpanzés são capazes de prestar ajudar a um companheiro quando este a solicita sem esperarem nada em troca. Esta é a principal conclusão do estudo realizado em conjunto pelo Instituto de Investigação de Primatas e o Centro de Investigação da Vida Selvagem, da Universidade de Quioto.

No artigo agora publicado na revista «PLoS ONE» a equipa liderada por Shinya Yamamoto, explica que colocou chimpanzés em situações em que seria necessária a inter-colaboração para cada um atingir um objectivo distinto.

Os cientistas fizeram então duas experiências. Na primeira, um animal tinha acesso a uma palha e o outro a um pau. No entanto cada um necessitava do instrumento do outro. Verificou-se que quando solicitados pelo companheiro, cediam o instrumento. Verificou-se também que mesmo sem esperarem reciprocidade continuavam a ajudar-se tantas vezes quantas fossem solicitadas.

A palha, o pau e os recipientes de sumo

Na segunda experiência, colocaram chimpanzés em situações em que não era possível haver reciprocidade, pois um tinha o papel de doador e o outro de receptor, exclusivamente. Os investigadores constataram que mesmo assim o doador cedia as ferramentas a pedido do outro.

Como conclusão, os cientistas sublinham a evidência da ajuda altruísta entre os chimpanzés, sem ganhos pessoais directos ou reciprocidade imediata. O estudo sugere igualmente que, ao contrário do que acontece com o ser humano, estes animais raramente realizam actos de altruísmo voluntário, sendo necessário haver um pedido de ajuda.

Artigo: Chimpanzees Help Each Other upon Request