Pagª 28 - EDIÇAO NºXLIV
, IV NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO
Nota introdutória elucidativa:
(Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no
seguinte endereço:
Arquivo
IV. )
CURIOSIDADES MILITARES
A HISTORIA REPETE-SE !
- De entre os nomes salientes da história da colonização Portuguesa de África, fazem parte Mouzinho de Albuquerque (Joaquim) célebre porque em Moçambique (1895) aprisionou o régulo Gungunhana, e Paiva Couceiro (Henrique M. -1860 1944) que entre muitos outros feitos foi também Governador Geral em Angola.
Um oficial superior do exercito (na sede de comando operacional durante
a chamada guerra colonial em Angola -1961/1973) manteve com o operador
de rádio – em operações, na mata - este curioso diálogo:
Of. Sup – Chama o t/ comandante ao rádio. Daqui, Major Mouzinho de
Albuquerque. Quem está ao rádio ?
Op. Radio – Aqui Operador de Rádio 1º cabo Paiva Couceiro..
Of. Sup – Brincando, hein ? Identifica-te imediatamente.
Op. Rádio – 1º Cabo José(?) Paiva Couceiro, nº.... da.....Companhia de
Transmissões, meu Major
Of. Sup - Chama imediatamente o teu Comandante e fica desde já ciente de
que, pela brincadeira te vou dar uma porrada..
( Posteriormente se apurou que na verdade Mouzinho de Albuquerque e
Paiva Couceiro, respectivamente Oficial Superior e 1º Cabo, serviram
também e em simultâneo o Exército Português entre 1961 e 1974 em
Angola).
RESPOSTA CONCISA E PRECISA
- Durante a fase de aprendizado, o instrutor treina os recrutas
para a distinção e reconhecimento dos diversos toques de clarim. A
parte, manda que o clarim execute o toque a sentido e pergunta a um dos
instruendos:
- Que toque é este ?
- DE CORNETA, foi a resposta!
PROGRESSAO NO TERRENO
- O oficial de infantaria, depois de muito suar, dá por concluída a
instrução do dia, sobre progressão no terreno pelo metodo de sucessivos
lances (que, como se sabe, consiste em rapidamente e em zig-zag correr
de uma para outra das trincheiras disponíveis).
- Diz-me agora tu (dirige-se a um dos recrutas) o que é um lance?
- Lance, meu Aspirante, é assim, a modos que um trapinho que agente traz
no bolso para se assoar...
DIZ-ME QUE JA SABES !!
-: «Para que nos asseguremos de que todos estão despertos, durante a noite, os sentinelas dispostos ao longo do perímetro de domínio militar, devem manter o seguinte «diálogo»:
- Sentinela alertaaaaa!
- Alerta está !
- Passe a palavra!
Este procedimento é repetitivo e periódico (para aí de 10 em 10, 15 em
15 minutos, e deve por todos ser seguido até que se complete todo o
perímetro. Compreendido?
Ensina e pergunta o instrutor comandante do pelotão.
-Diz-me que já sabes. Pede o Instrutor ao menos dotado dos seus
instruendos.
- Já sei.
- Então, vai para o próximo posto e procede de acordo.
Lá chegado, - a cerca de 200 metros - brada de cá o que faz de 1º
sentinela:
-Sentinela alertaaaaa!
Já seiiiiiiiiiii !!!!!! ( de lá responde «o coitado» !)
Diferenças.....
- De entre vinte outros, como distingues o meu, do boné do nosso General ? quer o Alferes saber.
- Todos são iguais. Só que o do Nosso General tem umas paneleirices a mais. (Paneleiro, no baixo calão português quer dizer o mesmo que veado no do Brasil....)
Histórias da Minha Terra
Por
Arlete Piedade
O túmulo de Cabral
Durante este mês voltei a passar com frequência junto á casa onde viveu Pedro Alvares Cabral, que agora é a Casa do Brasil, bem como da Igreja da Graça, onde se encontra o seu túmulo. Ando a frequentar uma formação em primeiros socorros, numa escola que funciona num edifício antigo ao lado da igreja e do mesmo período.
No intervalo pela janela do átrio no primeiro andar, vejo a estátua de Cabral, no largo fronteiro e parece tão perto que quase lhe posso apertar a mão. Lembrei-me assim deste texto que escrevi há alguns anos e que transcrevo abaixo, em especial em intenção de um nos nossos mais recentes colaboradores brasileiros, que ao ver uma reportagem na televisão sobre a minha cidade, me escreveu um e-mail dizendo as suas (boas) impressões sobre a região.

Então aqui vai:
O Descobridor Injustiçado
Sempre que passo junto àquela casa reconstruída e onde funciona um centro
cultural de exposições permanentes, chão de duas pátrias como é denominada pelas
autoridades da cidade, ou seja a Casa do Brasil, relembro mais intensamente a
figura histórica, querida em duas nações, que a habitou há 500 anos atrás.
Seu nome, Pedro Alvares Cabral, o mesmo que ficou para a História como o
Descobridor oficial dessa pátria irmã, do seu nome Brasil, a terra de Vera Cruz.
Corria o ano de 1500 quando El-Rei D. Manuel I lhe entregou o comando de uma
grande armada, que devia seguir a caminho da India com o objectivo de comerciar
e fazer a paz com reis dessas terras longínquas que haviam hostilizado Vasco da
Gama e seus comandantes aquando da primeira missão oficial dos portugueses por
essas rotas das especiarias e de outras riquezas cobiçadas pelos reinos
europeus.
No entanto segundo consta, El-Rei teria também outorgado outra missão, esta mais
secreta ao grande comandante, que seria chegar a uma terra a ocidente, de que o
rei já teria conhecimento por meios não oficiais, e tomar posse dela para a
Coroa Portuguesa. Assim fazendo um desvio inesperado na rota, chegou a armada na
semana da Páscoa á vista de uma terra em que se destacava um alto monte
arredondado, pelo que foi chamado Monte Pascoal.
Desembarcando os portugueses, ficaram surpreendidos pela cordialidade e
confiança daquele povo, que os esperava na praia, praticamente nus, não só de
corpo, como de maldade e malícia, puros em suas intenções, gentis e confiantes,
tanto que o Descobridor habituado ás perfídias do mundo, custou a acreditar, mas
afinal ficou crente de ter chegado a uma espécie de paraíso.
Com dificuldade, resolveu partir e continuar na sua missão para a India, onde
sofreu tantos enganos e foi vítima de tais logros, que comparava esta terra ao
inferno, recordando os povos gentis e puros que havia deixado e que de bom grado
confiavam nos estrangeiros e comungavam das suas práticas religiosas, de tal
maneira que ele acreditava ter conseguido uma boa colheita de almas para a
cristandade.
No entanto, os enganos e batalhas sequentes, não o impediram de voltar com as
naus que sobreviveram carregadas de especiarias e outras riquezas, que
descarregou nos armazéns do Rei, e o tornou um pouco mais rico.
No entanto, este impelido pela cobiça e más palavras de conselheiros invejosos,
não deu o devido valor ao valoroso comandante, e para lhe dar o comando de uma
nova armada, exigiu que ele o dividisse com outro navegador, o que Pedro Alvares
Cabral, considerou uma afronta que o levou a abandonar a corte.
Veio então refugiar-se na sua casa em Santarém, até á sua morte 19 anos mais
tarde, e foi enterrado na vizinha Igreja da Graça, onde a sua sepultura se
encontra até hoje e é ponto de passagem para visitantes de todo o mundo, em
especial do nosso querido país irmão, Brasil, que nunca o esqueceu.