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Franklin
Cascaes por correspondência
De Arlete Deretti Fernandes
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Letras – Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa para obtenção do título de Bacharel em Letras
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Franklin Cascaes por correspondência
CAPITULO 2
2.1 - Critérios para Transcrição das Cartas
:Os manuscritos das cartas de Cascaes que se encontram no Museu
Universitário da UFSC, estão organizados alguns dentro de pastas em folhas
avulsas; outros em formato de caderninhos escritos dos dois lados, em papéis
sem pauta e folhas amarelecidas, todos porém, muito bem cuidados e
acondicionados.
Os critérios estabelecidos para transcrever as cartas de Cascaes foram os
seguintes:
as epístolas foram selecionadas por décadas, buscando-se as dezesseis cartas
que estavam mais completas, isto é, com os assuntos diversos abordados e com
a assinatura de Cascaes. A grafia é uniforme, a maioria das cartas é datada,
algumas no início e outras ao final da página. Algumas não são assinadas,
provavelmente por serem rascunhos.
. A professora Dra. Zilma Gesser Nunes, em sua tese de Doutorado, «Prelúdio
de Uma Voz Oculta», sobre a Obra de Ernani Rosas, cita o seguinte a respeito
do processo de transcrição textual de acordo com a Crítica Genética:
A importância da transcrição de um texto, de acordo com a Crítica Genética,
está na valorização do prototexto, ou seja, o texto escrito pela mão do
autor, com todas as suas vacilações e opções. Jean-Bellemin Noël ressalta a
importância dessa etapa da pesquisa. Cunhou o vocábulo «avant-texte» para
designar o resultado dessa reconstrução dos percursos da escritura. Define o
prototexto como «uma certa reconstrução dos antecedentes de um texto,
estabelecida pelo crítico com o auxílio de um método específico, destinada a
ser objeto de uma leitura em continuidade com o dado definitivo». [5] Almuth
Grésillon chama de «antetexto»[6] o conjunto das marcas conservadas no
texto. Willemart diz que o crítico literário «trabalha com a limpeza e a
clareza»,[7] referindo-se ao texto editado, enquanto que o geneticista
«cava/escava no sujo e no escuro», referindo-se aos rascunhos da obra.
Conforme menção anterior, trabalhei as cartas manuscritas autógrafas. Para a
transcrição das cartas primeiramente fiz uma listagem por ordem cronológica,
uma vez que a organização por cadernos e por folhas avulsas não favoreciam a
pesquisa.[8] Pronta a listagem, resolvi seguir a transcrição na ordem
tomando-a como guia para a orientação do meu trabalho. Transcritas as
dezesseis cartas, correspondentes a quatro décadas, (1950,1960,1970 e 1980),
foram atualizadas de acordo com as normas ortográficas do português vigente
no Brasil na atualidade. Os termos de oralidade típicos do interior da Ilha
estão transcritos em negrito.
Na segunda etapa, seguindo os objetivos propostos pela pesquisa, fiz a
análise do discurso de Cascaes, com base na teoria da AD francesa.,
comparando suas cartas de antes de janeiro de 1974, data em que veio
trabalhar no Museu Universitário da UFSC e de 1974 a 1980, quando já
trabalhava na Universidade. Esta análise encontra-se no capítulo 3 deste
TCC.
As cartas foram transcritas por meio do programa de computador «Word for
Windows».
A base para a transcrição seguiu os seguintes critérios:
. alinhei o texto à margem esquerda da página, reservei o espaço de rodapé
para notas referentes a correções ou observações relevantes relacionadas à
transcrição e à inteligibilidade do texto;
. as notas foram redigidas a partir das enciclopédias e dicionários listados
na bibliografia, por isso esse tipo de referência não será repetido a cada
nota;
- .as cartas receberam um número colocado em negrito à margem superior, à
esquerda, que servirão de orientação para as chamadas do texto;
Os sinais utilizados para a transcrição foram os seguintes:
[ ] substituição de vocábulos, pontuação
< > acréscimos
|| || supressão
| | alteração (por exemplo: de gênero, número, inversão de ordem,
maiúsculas/minúsculas)
[---] ilegível (os traços correspondem ao possível número de letras da
palavra)
[....] texto mutilado
> palavra corrigida (ex.: supertição > superstição)
sublinhado: texto com outras rasuras, que não as descritas acima. As rasuras
sublinhadas são as que não apresentam uma variação. Por exemplo, a palavra
riscada e não eliminada; a palavra retocada, porém não alterada. Não estão
incluídas aqui as palavras manchadas pela tinta da caneta e as outras
rasuras (de acréscimo, substituição, supressão, ou qualquer alteração na
palavra; para estas há sinal próprio, na transcrição).
Notas de rodapé:
[1] Franklin Joaquim Cascaes nasceu em Itaguaçu, antigo município de São
José, a 16 de outubro de 1908. Professor do Ensino Industrial Básico
desempenhou em 1963, a função de Coordenador de Ensino. Quanto à atuação
artística, é significativa a exposição de Cascaes em 1959, que a convite do
Museu de Arte Moderna de Florianópolis, expôs um conjunto de motivos
folclóricos da Ilha. Igualmente é reconhecido em 1978 no circuito artístico
nacional, ao representar a arte catarinense na Bienal Latino-Americana de
Artes, realizada no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Em 1983 Franklin
Cascaes falece em conseqüência de uma cirurgia de cálculo renal.
[2] Trecho extraído de Folder da «Exposição Olhares» ocorrida de 12 de julho
a 04 de agosto de 2006 na Galeria de Artes da UFSC.
[3] «... verdade. Nas minhas cartas, desenhos e documentos diversos, eu não
assino Florianópolis, mas sim Nossa Senhora do Desterro. Isso porque é desde
criança que a gente sente na carne aqueles fatos ruins que aconteceram na
família. Nessa degola que foi feita aqui na terra por Floriano Peixoto
entraram três parentes meus e a minha vó falava muito, não gostava que
ninguém tocasse naquele nome, até mesmo no de Hercílio Luz.
Desde pequenos nós ficamos com aquela marca no coração. Eram dois sobrinhos
e o terceiro foi um comandante de barco, ele também era contra a república ,
e entrou também na degola. Por isso nunca simpatizei com este nome
“Florianópolis”. Nos meus escritos sempre escrevo Desterro ou “Capital” de
Santa Catarina . Mas, às vezes me engano e sou obrigado a corrigir. Isso
acontece nos bancos e no comércio, às vezes.» (CASCAES apud CARUSO,1981,
p.21)
[4] Denominar um objeto é suprimir três quartos da fruição do poema, que é
feito da felicidade de adivinhá-lo pouco a pouco: sugeri-lo... eis o sonho.
(ECO, 1983 p.45).
[5] Apud PINTO, Maria Cecília de Moraes. De Lanson a Louis Hay: crítica de
fontes e crítica genética. In: ANAIS DO 1º CONGRESSO ABRALIC. 1988, p. 323.
[6] GRESILLON, Almuth. Alguns pontos sobre a história da crítica genética.
Estudos avançados. 11 (5), 1991, p. 9.
[7] WILLEMART, Philippe. Discurso e marginalidade. Manuscrítica. Revista de
Crítica Genética. N. 9, São Paulo: Annablume, 2001.
[8] Para Jean-Yves Tadié, «encontrar a ordem cronológica em que aparecem as
idéias e as invenções esclarece, de modo singular, a obra literária». Cf.
TADIE, Jean-Yves. «A crítica genética». In: A crítica literária do século xx.
Trad. Wilma Freitas de Carvalho, Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil
S.A., 1987, p. 293.
Continua no próximo número