Pagª 5 - EDIÇAO NºXLVI , II NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Colunas de Francis Raposo Ferreira

Cultura Justa(curta)

Fui a uma aula especial,
Não tinha matéria definida,
Onde o tema era Portugal
E uma palradora conhecida.

Não sabia nada de história,
Era um zero em geografia,
Tinha lapsos de memória
E de mares e rios nada sabia.

Começou a falar de Sintra
E, vejam só o pitoresco,
Desta palradora, que pinta,
Nem conhece a UNESCO.

Aventurou-se pelos Jerónimos,
Não sabe o Claustro significa,
Devem ter fundido os neurónios.
Grande figura, esta arara típica.

Confundir o rio Tejo com mar,
Pronto não se pode saber tudo,
Há coisas que se podem ignorar
Quando fumamos um bom canudo.

Comer pasteis e matar a fome,
Não é vergonha para ninguém,
Mesmo sem saber o seu nome
Os pastéis lhe caíram bem.

Desconhecer Vasco da Gama,
Ou até mesmo Luís de Camões.
Eles nunca a levaram para a cama
E nem lhe deram alguns tostões.

Para o ar, ninguém deve cuspir,
Nem tampouco nos monumentos,
Em cima lhe poderá cair
E provocar-lhe muitos tormentos.

Dizem que é mulher bela,
Acredito, sinceramente, que o seja
Mas esta palradora de telenovela
O que demonstrou foi inveja.

Mas a grande verdade
E que a mulher é humana,
E já deve andar com saudade
Duma boa Queca Lusitana.


Sopa dos Pobres

Faz uma sopa, pobre pode ser,
Deita nela todo teu amor,
Convida os pobres para a comer,
Verás como ela toma outro sabor.

Não lhe ponhas carne em fartura,
Recheia de bom substrato,
Esquece o toucinho e a gordura,
Preocupa-te é em encher o prato.

Não custa nada fazer o caldo,
Pode ser à base de feijão,
Seja ele branco ou encarnado.

Será a sopa de todos nós,
Feita de todo o coração,
Com amor no prato e na voz.

 



O Velho e a Criança

Ao entrar no autocarro, ele, procurou descortinar um lugar vago, normalmente não se importava de viajar em pé, mas, naquele dia, sentia-se extremamente cansado, tivera um dia extenuante.

Espreitou por cima do ombro de uma passageira que entrara à sua frente e lá descobriu um lugar vazio. Encaminhou-se até junto do mesmo, era um lugar junto à janela, isto é, no lado interior do corredor. Apercebeu-se que o ocupante do outro lugar era um homem de certa idade, muito bom aspecto, fato e gravata, o, pouco, cabelo penteado para trás, pediu licença para aceder ao lugar vago e pareceu-lhe descortinar algum enfado no dito senhor, não ligou, pensou que era ele que estava a imaginar coisas, devia ser do cansaço.

Sentou-se e colocou a pasta sobre os joelhos, nem lhe apetecia ler. Ainda não tinha acabado de se acomodar quando se apercebeu que se sentara sobre a aba do casaco, sentia as chaves a tentarem entranhar-se na sua carne, levantou-se ligeiramente e afastou a dita aba do casaco, o outro passageiro, ao aperceber-se do facto, puxou bruscamente a mesma e disse:
- Porra, deve ser gordo.

Ele nem queria acreditar, um senhor todo bem vestido, aparentando um bom aspecto, com uns modos daqueles.
Procurou esquecer o incidente, olhou pela janela e, sentiu uma cotovelada na zona abdominal, conseguiu resistir á tentação de chamar a atenção do seu companheiro de viagem, que entretanto ia praguejando.

O autocarro aproximou-se de uma paragem e o passageiro do banco da frente deu a entender que se iria levantar, tal como o homem que se sentava a seu lado, só que este último não se levantava para sair, mas sim para mudar de lugar.

Sentiu-se mal, cheirou, disfarçadamente, os sovacos, seria que o seu odor era a causa do constante praguejar do outro?
Foi então, quando o homem se sentou, que descobriu a razão de ser de todo naquele comportamento, no banco de trás viajava uma senhora Africana, acompanhada de uma criança e, esta, como é normal nas crianças, ia a brincar.

O homem virou-se para o outro lado do corredor onde viajava um outro homem que, pressupôs ele, seria seu amigo e proferiu:
- Porra, nem sabem educar os filhos. A culpa é nossa se os tivéssemos morto a todos já não tínhamos de andar a aturar esta falta de educação. Devia ser o meu pai que educava um filho assim.

Sentiu uma revolta a subir por si a cima, levantou-se, enfrentou o homem e disse simplesmente:
- O senhor desculpe, mas se há aqui alguém extremamente mal-educado, tem sido o senhor. Não digo que a criança não o tenha incomodado, mas se algum pai falhou na educação do filho, o seu foi um deles, de certeza. Ou então é o senhor que é mal-educado por natureza.

Moral: A falta de educação não escolhe gerações


Delinquência Infantil

Hoje, mais do que nunca, somos constantemente confrontados sobre delinquência infantil, Bullying e outros fenómenos sociais que lhe estão associados.

Mas será que não estamos a assistir a um outro fenómeno, não menos perigoso, que consiste na associação à delinquência infantil, de atitudes que até há bem pouco tempo eram consideradas perfeitamente normais entre os jovens?
O que pensam sobre isto?
Será a delinquência infantil no feminino, igual à delinquência infantil no masculino?
Existirão causas, a montante do problema, externas aos jovens, que possam tornar-se geradoras de situações de delinquência infantil?
Qual o papel da instituição família no combate à delinquência infantil?
Qual o papel da instituição estado neste mesmo combate à delinquência infantil e inerente promoção da reinserção social dos jovens?

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