Pagª 17 - EDIÇAO NºXLVI
, II NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Coluna de Liliana Josué

Serenidade
Uma gaivota branca pairava
sobe o mar
leve, mansa, plena.
Desenhou doces palavras
no ar
e atirou raminhos brancos
de flores
pequeninas e ágeis
como ela .
Certa amena claridade
aromatizava
frágeis esperanças...
calmos louvores.
O esvoaçar dela
enfeitava
o espaço imenso
enquanto um pequeno sino
de som intenso
chamava nossa atenção
para o início da sessão.
(Homenagem a Dulce Matos)
Lisboa, 22 de Fevereiro de 2009
O último clipe do Rei Elvis Presley
Impressionante...
«Imperdível»
Esta preciosidade é para a colecção de relíquias. Por ela pode-se ver
que ele estava em seus últimos estertores e que, apesar da voz
revelar-se belíssima, seu fôlego para mostrá-la, apagava-se sob o peso
de muitos «estimulantes». Uma lástima!
Gravado menos de dois meses antes de sua morte, este vídeo mostra-o cantando Unchained Melody, canção imortalizada no filme Ghost (1990).
Mesmo com todos os problemas físicos e psicológicos, sua voz seguia inatingível.
Certa vez Bob Dylan disse: «Quando eu ouvi a voz de Elvis pela primeira
vez eu sabia que não iria trabalhar para ninguém.
Ouvir Elvis é como escapar da prisão. Eu agradeço a Deus por Elvis
Presley».
E John Lennon foi mais enfático ainda: «Antes que alguém fizesse algo,
Elvis fez tudo».
Saudades dos anos 70...
Coluna de Rosa Pena

Um pouco antes da primavera
Nas semanas que antecedem a primavera começo a criar novas expectativas. Vivo movida por elas. Em cada estação tenho uma. Nesse inverno tive a sensação do pré-catártico, do pré-apocalíptico e num é que os ventos tentaram me derrubar?
Perder amigos, operar e ser obrigada a um descanso obrigatório (descansar do que
se ama fazer!?) é trágico demais para o contorno do meu sorriso.
Devo confessar que tive um verão de mediano a fraco, mas um outono que merece o
Oscar. O casamento de minha filha (lindo de viver) e uma viagem maravilhosa
(fico bem sebosa pra dizer que rever a Europa é sempre show).
Se eu acreditasse em olho gordo mandava um monte de gente colocar balão gástrico
nas retinas, pois a surra que a bendita vida aprontou para mim depois desses
momentos mágicos do maravilhoso mundo da Rosa, parece coisa feita!
Se foi macumba, foi realizada pelos mesmos que trabalharam contra o Romário. O
cara ta se fodendo todo e tem gente dizendo que ele merece. Quem merece é o
senado que ganha sem bater um bolão. Quem merece é o Lula que me fez acreditar
que o Bush, Arafat e outros mais eram najas criadas. São minhocas imbecis perto
dele.
Volto para as vésperas da primavera onde as flores se preparam para mais um
prêt-à-porter. O fundo musical do desfile é o piano do Tom Jobim.
Ele é um gênio eterno, sem virtuose no sentido de técnica programada, ele foi e sempre será virtuoso no improviso, no pensamento que vai para as mãos, nas idéias, nos silêncios sugeridos, na rouquidão da voz, no jeito tesão Leblon que já nasceu com ele, apesar dele ter nascido na Tijuca.
E é um estado de espírito. Costumo dizer que o homem que sabe o que é bom anda
desde neném com camiseta hering branca. Ai Jesus...me abana!
O que espero dessa primavera 2009?
Os beijos na boca que só dei em sonhos, à volta da paz no meu sorriso, o sono sem tarja de cor alguma e porque sou má, desejo também para quem torce contra a felicidade em geral, um sobrepeso de vinte quilos.
Vão tomar chás verdes, brancos, amarelos, cor da bandeira do Brasil. Minha praga costuma ser boa de pegar. Mas não espero só isso depois desse inverno com «f». Espero mais, bem mais. Anseio pelo sol sem intenção de câncer e o mar regido por Tom.
Paranoia delirante
Amor... Meu amor.
Como nós somos belos! Completamente lindos!
Com você não tenho medo de ser frágil, de ser boba, de ser feia, pois me sinto
sempre bonita, de ser eu, de ser partida. Você, ternura, me cola por inteiro!
Ontem à noite dormi ouvindo você falar no meu ouvido. Acho que cantava como o
Ivan Lins. Seria a música Lembra de Mim?
Somos suaves, somos fortes, somos poucos, somos muitos!
Ah, se as pessoas do mundo se entregassem ao amor assim como nós, minha certeza,
minha delicadeza, minha paixão. Adoro que me abrace forte a cada noite, a cada
dia, no frio, no calor, em todas as antíteses da vida.
Chovo e como chovo, olhos, boca. O corpo todo fica molhado de uma alegria bonita
vinda de uma nuvem que se derrete toda com o nosso apego!
Meu amor, meu colírio, meu delírio!
Nessa perspectiva o delírio aparece não apenas como um sintoma da enfermidade, mas como uma busca pela reorganização e reconstrução do mundo interno (que pode ser reorganizado em maior ou menor grau, mas jamais voltará a ser como outrora).
— Por que o diagnóstico?
— Só os insanos insistem em viver eternamente apaixonados.