Pagª 32 - EDIÇAO NºXLVI , II NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Histórias da Vida Real

Crónicas por Martim Afonso Fernandes

Matou com a Razão

 

Os tempos mudaram os costumes, máquinas, aparelhos, balanças e muitas coisas. Jardas, alqueires, quadras, milhas, litro, mão, braças, are, hectare.

No Sul de Santa Catarina, no interior de uma comunidade, um lavrador fez uma negociata com outro cidadão e o dito feito não foi saldado como devia.

O lavrador começou a pedir que o outro pagasse sua dívida, pois precisava de dinheiro. O tal cidadão, resolvido foi a casa do lavrador e assegurou-lhe que não ia sanar dívida alguma.

Houve acalorada discussão. O devedor fez menção de sacar uma arma, mas o lavrador muito hábil passou a mão em um objeto que fazia parte de medidas de produtos agrícolas, golpeando a cabeça do devedor, que veio a falecer.

Um advogado foi constituído, houve um júri. O réu assumiu o crime e o Juiz perguntou-lhe a arma que tinha usado. O réu respondeu que a arma era a razão.

Muita fala, até que chegou a hora da defesa se pronunciar. Quando esta, questionada pelo Juiz, a resposta foi:
- Meritíssimo, o réu matou com a Razão.

Ao que o Juiz perguntou:
- Que razão o réu tinha para matar o outro?

- Senhor Juiz, a vítima mencionou que daria um tiro de revólver, mas o lavrador foi mais rápido e golpeou a cabeça do devedor com a razão.

-Por favor, me responda que razão é esta para matar o outro?

O advogado abaixou-se, desembrulhou e colocou a razão em cima da mesa do Juiz, que perguntou-lhe:
- O que é isto, doutor?
- Esta é a razão que matou a vítima!

Aí, o Juiz e os jurados absolveram o lavrador, pois se o devedor era violento e mau pagador, consequentemente daria fim a vida do homem que matou com a razão...


Nota:

Razão é o instrumento em madeira ou metal (tipo régua) que serve para acertar o conteúdo do grão medido à forma da caixa de madeira raspando a parte superior da medida (decímetro  cúbico, normalmente, litro, mas também maiores, na lavoura, para 10 ou 100 litros).

Há ainda o «coculo» (advindo de cálculo) em que o grão subia a medida em forma de pirâmide, dando assim mais um décimo da medida. Assim, quem quisesse transaccionar 22 litros só tinha que receber 2 medidas de 10 com «coculos».

 

 

ENTRE DESEJOS E PRAZERES

Poema de João Furtado

 

 

 

Entre desejos e prazeres
No mar da felicidade
Temos o nosso segredo escondido
Repleto de sonhos e imaginação
Estamos, tu e eu abraçados eternamente!

Destino nosso se cruzou para sempre
Encontramo-nos por acaso
Sem saber o que nos reservava
Enfim, foi apenas um encontro
Jamais esperado jamais desejado
O fruto desta paixão que me consome
Será que o destino já sabia?

Eu e tu, tu e eu, enfim nós os dois!

Pensamentos unidos por sonhos
Rosto sorrindo e vontades desejadas
Amor cantado e nunca vivido
Zelosa vida de ansiedade
Estas pequenas e eternas coisas
Refazem das cinzas
Eternas vontades perdidas
Só nós sabemos os nossos segredos, mulher!

João Furtado
06 de Outubro de 2009


Manuel de Novas

Muito perdeu Cabo-Verde
Ao ver-te partir, Manuel de Novas
Novas sempre deste, homem

Um poema aqui, uma composição ali
Encheste de poesias, mornas e «coladeiras»
Largamente este nosso pequeno Pais!

De certo sempre serás lembrado
Entre os ilustres filhos desta terra!

Na música e na arte sempre viveras
O teu jeito de criticar com humor
Vimos e ouvimos bela arte tua
A tua memória será eternamente lembrada

Sempre e sempre Manuel de Novas!