Pagª 17 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Coluna de Liliana Josué

Serenidade
Uma gaivota branca pairava
sobe o mar
leve, mansa, plena.
Desenhou doces palavras
no ar
e atirou raminhos brancos
de flores
pequeninas e ágeis
como ela .
Certa amena claridade
aromatizava
frágeis esperanças...
calmos louvores.
O esvoaçar dela
enfeitava
o espaço imenso
enquanto um pequeno sino
de som intenso
chamava nossa atenção
para o início da sessão.
(Homenagem a Dulce Matos)
Lisboa, 22 de Fevereiro de 2009
O último clipe do Rei Elvis Presley
Impressionante...
«Imperdível»
Esta preciosidade é para a colecção de relíquias. Por ela pode-se ver
que ele estava em seus últimos estertores e que, apesar da voz
revelar-se belíssima, seu fôlego para mostrá-la, apagava-se sob o peso
de muitos «estimulantes». Uma lástima!
Gravado menos de dois meses antes de sua morte, este vídeo mostra-o cantando Unchained Melody, canção imortalizada no filme Ghost (1990).
Mesmo com todos os problemas físicos e psicológicos, sua voz seguia inatingível.
Certa vez Bob Dylan disse: «Quando eu ouvi a voz de Elvis pela primeira
vez eu sabia que não iria trabalhar para ninguém.
Ouvir Elvis é como escapar da prisão. Eu agradeço a Deus por Elvis
Presley».
E John Lennon foi mais enfático ainda: «Antes que alguém fizesse algo,
Elvis fez tudo».
Saudades dos anos 70...
Coluna de Rosa Pena

E a cor?
Passei pelo quarto que estava com a porta totalmente aberta. Eu olhei curiosa lá para dentro.
Ela estava aparentemente nua, apenas com um lençol amarrado em volta dos míseros seios no feitio de uma canga de praia. Os cabelos ralos e ruivos presos com um lápis no alto da cabeça. Quando nosso olhar se trocou ela sorriu e eu devolvi.
Achei-a tão bonita que lhe disse num rompante:
— Puxa! Você é um charme!
Ela, muito espantada, me perguntou se eu não tinha reparado que seu esqueleto
estava desprovido de carne, que tinha apenas trinta e dois quilos de
revestimento em 1.70cm de altura.
— Sim, reparei e até pensei que você fosse uma dessas manecas anoréxicas.
— Quem dera! Começou no útero agora está em trocentos lugares.
— E essas flores lindas que enfeitam seu quarto?
— Trazidas pelo homem que me amou.
— Separaram-se quando você adoeceu?
— Um pouco antes. E deprimente perceber que quem tanto nos envolveu, já não gasta seus olhares e sorrisos conosco. Não se desvia de suas prioridades, e nós, ah! Que dó de mim, não fazemos mais parte delas.
Apenas nos diz que as coisas estão complicadas e está sempre ocupado, atrapalhado, mas não se vai de vez pelo que representamos um para o outro um dia. Flores costumam aplacar crises de consciência.
— Muita mágoa?
— Misto de sentimentos estranhos. Ainda existe carinho, embora bem retraído,
não existe desprezo, nem hostilidade.
E um surto de ausências: de palavras, gestos, sorrisos, lágrimas comungadas, promessas silenciosas. Chama apagada de quem jurou o eterno e um monte de frases feitas: Conte comigo a qualquer hora, liga pra mim quando precisar. Tanta formalidade para quem já trocou tanto beijo.
— Que droga você ser inteligente o bastante para perceber que não existe
infinito.
— Quer coisa mais transitória do que a vida? A minha então...
— Tento lhe dar esperanças?
— Não. Tenta apenas me distrair. É sua mãe que você acompanha?
— Irmã.
— Onde?
— Pulmão
— Quer falar sobre isso?
— Não.
— Você está sempre com livros. Lê muito?
— Sim e também escrevo.
— Escreveu algum livro?
— Amanhã lhe trago o último.
— Sou Lia. Quero dedicatória.
Teve o amanhã e outros poucos depois dele. Comentou até a minha crônica «Qual é
a cor da saudade». Permaneço sem saber a cor dela.
Ps: A dedicatória:
A vida acaba nos trazendo conhecidos, amigos, amores, pessoas que estiveram
muito ou pouco conosco, mas que farão parte de nossa história. Algumas chegam no
prefácio, outras no epílogo. As vezes aquelas que imaginávamos cadeira cativa
viram ausências, mas não menos história, e outras que trocamos apenas dois ou
três dedos de prosa, dependendo do momento, são as que fazem o corpo do livro.
Lia, você já é mais que um parágrafo em minha vida.
Beijos, Rosa.
Rosa Pena