Pagª 10 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
A ESPERA ...
A espera é dose homeopática de veneno...
E, se há demora, nela aos pouco padecemos,
na chegada da ilusão que nunca vai embora e
sem querer, morremos !
A espera é doce e amarga.
Adubo de muitas quimeras
que vivem a brotar pelos dias...
Do hoje que nada encerra!
A espera é ao mesmo tempo antídoto
d'alma que agoniza sozinha...
E, de esperar engana-se vivendo
esta pobre alma minha!
E , de nunca morrer,
etérea segue a vagar...
Esquece a carne e de eterno ser,
não deixa de te esperar!
GRANDE!
Dueto / Entrelace José Geraldo Martinez - Maria Luiza Bonini
Estrofes impares José Geraldo Martinez, estrofes pares Maria Luiza Bonini
Na minha estupidez,
pensei que pudesse te esquecer...
Mendigo bati em várias portas,
amanheci em tantas camas !
Tão pobre de alma e ser!
Em tua fuga insana
Impetuosa e irracional
Desdenhaste a quem te ama
Sem pensar em todo mal
Que a tristeza emana
Estúpido ainda,
rasguei todas nossas lembranças...
Aquelas escritas em papéis perfumados!
Todas as tuas fotos, qual criança,
deixei um monte de papéis picados...
Desfazer-te de tesouros
Onde guardavas resquícios de felicidade
Foi como se derrubasse muros
Em busca de uma psico-liberdade
Como a que encerra os túmulos
Como se não bastasse...
Qualquer réstia de tuas roupas!
Nada que de ti me lembrasse,
dentro de um solitário guarda roupa...
As imagens não se apagam
Perpetuam-se em tatuagens
Inatingíveis aos que não amam
Abdicando e partindo em longas viagens
Estúpido viajei !
Como se deixasse tudo lá atrás...
No peito sem querer te carreguei,
( estúpido)
para te encontrar em meus tristes ais!
Foste em fuga da felicidade
Sem ao menos dizer adeus
Deveras. era medo da igualdade
Que tomava todos os sentimentos teus
Enlouqueci!
E, nesta insanidade louca e cega,
descobri
que é inútil fugir do amor que a alma carrega!
Insana é a culpa que carregas
Por ter ignorado o tesouro
De um amor pleno de entregas
Valendo mais que todo o ouro
Estúpido chorei!
Qual menino querendo colo...
Em minha pequenez, voltei!
Qual ave cansada do vôo solo...
O teu lado menino
Sem pedir licença, emergiu
Clamando para voltar ao ninho
Que desde a tua partida, permaneceu vazio
Sábio,
entreguei-me num forte abraço...
Do fundo da alma e coração !
Nos pés de minha amada,
as dores de todos os meus fracassos,
um pedido simples de perdão!
Na tua sabedoria
Havia um tom de remorso
Embora sincero, perecia
Em teus gestos discordes
Desprovidos de sons em harmonia
Grande, ela sorriu!
Humilde me acariciou...
Grande, me deu o peito de guarida!
Muda, com amor me perdoou!
No sorriso não havia mais paixão
Nas caricias, um toque de irmã
No peito um maternal acalanto
No silêncio, um só perdão
Não Cresça!
Não cresças, menina!
Tu não imaginas o quanto é ruim...
A adolescência é coisa que fascina e
a infância não torna. É assim !
Ainda te aquece o abraço meu...
Cantam em teus ouvidos as minhas preces,
quando de tuas horas com Morpheu!
Não cresças, menina!
Ainda te pinta a face o rosa em pureza,
destacando os teus lábios qual anjo,
brindando a natureza!
Não percas as canções de ninar...
Um repertório todo teu,
até que tu venhas cochilar!
Não cresças, menina!
Ainda crês que teu cachorrinho é
um anjo bom...
Abraças teu ursinho contra o peito,
quando escutas histórias de assombração!
Teu príncipe ainda é encantado...
O cavalo branco te leva à garupa,
selvagem , livre e alado!
Não cresças, menina!
Tuas bonequinhas ainda são manipuladas e
tua casinha, à sombra do cajueiro,
recebe o cheiro das laranjeiras perfumadas!
Teu quarto ainda é cor de rosa...
Percebes ainda a tua mãe,
a escutar-te toda prosa!
Tens ainda um irmão,
confidente e amigo!
Crescer não é mesmo bom...
Levarás o arrependimento contigo!
Se tu me escutasses e o tempo
parasse,
deixar-te-ia voar,
como se pudesse impedir-te ou tu de
me fazer chorar...
Não cresças, menina!
Amanhã tu vais te arrepender...
Não cresças!
Deixa-me mais um tempo sonhar...
A Coluna de José Geraldo Martinez

QUERO...
Quero cuspir poeira,
afundar os pés no barro,
nadar em águas pantaneiras,
molhar o corpo no orvalho!
Andar de trem fumaçando,
riscando os alagados...
Passar o tempo escutando
a sinfonia dos canários!
Quero cheiro de igarapés,
de macaúbas e araucárias...
Canto dos flamingos rosados,
revoada de araras!
Rastros de onças pintadas,
correria das capivaras...
Quero pintado na telha,
com viola em noites de luar...
Cantoria em todo colosso,
de bichos chamando chuva!
Manhãs com pura neblina,
douradas, quentes e cruas...
Quero tererê na cuia,
à sombra do umbuzeiro!
Vento no rosto de um galope
do cavalo pantaneiro!
Jacarés assustados,
bichos indomados do charque inteiro...
Quero luar preguiçoso,
beijando os perdidos corixos!
Lendas e causos matutos,
costela de boi no capricho...
Pinga da boa na guela,
amarelinha de canela,
vida sem compromisso!
Quero trem que vá ao pantanal!
Quero vida, amém!
Até que eu chegue lá...
Minha alma, porém, estará
a me esperar!
Pois, quando parti iludido,
foi ela quem ficou lá!
22/7/2009
DEIXA...
Deixa-me te amar sem medo...
Não há segredo se és tudo que eu tenho!
Único bem de maior valor, meu amor,
que feliz guardo e provenho!
Deixa-me envelhecer ao teu lado...
Olhando o tempo a nos desenhar os dias!
E eu, menino, teu eterno namorado,
ganhando vida em cada vez que sorrias!
Deixa que eu vele teu sono e ter a surpresa
de acordar e és tu quem me velas...
Teus olhos lindos com os meus falando
no despertar em ansiosa espera!
Deixa que eu te cubra os cabelos...
Com flores cultivadas de nosso jardim e
que embale meus medos em teu ombro,
minha amada...
Que um dia o tempo em tudo coloque um fim...
Deixa-me contigo juntar lembranças...
E delas me fartar de puras alegrias!
Quando um de nós não puder esperar
e partir sem aviso num triste dia!
Deixa-me impregnar do teu cheiro...
Até que o tempo não consiga mais absolvê-lo!
Que eu morra assim, como parte tua
e o mundo entenda o meu aflito apelo!
Deixa-me te mostrar as chuvas,
as neves pelos caminhos...
Dá-me tempo, apenas deixa!
O meu avesso de amor todinho...
Deixa-me desfiar as horas...
Na rotina gostosa do dia-a-dia!
Olhando as tardes que vão embora...
Cuspindo cheiros de nostalgia!
Deixa que eu tenha tempo
de morrer assim tão iludido...
Que a eternidade nos deixou de pronto,
cá nesta terra já esquecidos!
23/7/2009
«As vezes, estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso
destino. As vezes, estamos no meio de centenas de pessoas e a solidão aperta
nosso coração pela falta de uma única pessoa.»
(Luiz Fernando Veríssimo)
AVE- MARIA...
Ave-Maria, cheia de graça,
eu sou de ti e tu és minha!
Bela Maria, entre as mulheres
tu foste a escolhida...
Bendito é o fruto do nosso amor,
amante, esposa e rainha!
Santa Maria de todos os dias,
agradecei o pão abençoado do nosso lar.
Rogai por mim, pecador!
Na ignorância que me queira abraçar...
Na hora de minha morte,
que tu estejas ao meu lado!
E, em teus braços, amor de minha vida,
eu possa partir confortado...
Que eu te amei em verdade
além desta, muito além...
O nosso amor por Deus abençoado!
Amém...
Amém...
30/7/2009
«O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.» -
ANTOINE SAINT-EXUPÉRY (escritor francês)