Pagª 40 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Maria das Candeias Leal
Biografia
Maria das Candeias Leal, nasceu a 4 de janeiro de 1952, na freguesia da
Candelária ilha do Pico Açores. Fez a quarta classe, aprendeu a arte da costura
com sua avó materna, casou aos 18 anos, ficou na ilha, onde lhe nasceu o
primeiro filho. Em 1973 acaba por emigrar para o Canadá onde , já em Toronto lhe
nasce mais um casal. Segue os trilhos tradicionais da divisão das tarefas de
mãe, dona de casa, operária, e o que mais...
Em Marco de 1996, após uma convulsão doméstica, descobre a vontade de confiar ao
papel parte dos seus sentimentos. Colaborou com a revista Gente Modesta, e em
Outubro de 1998 publica seu primeiro livro, «Arquipélago de Solidões».
Continua colaborando nos jornais da comunidade portuguesa em Toronto e em 2000
publica seu segundo livro «Valeu a Pena». Desde esse tempo seus artigos foram
espalhados por alguns jornais em Portugal, nos Açores e em algumas páginas na
Net. Hoje um pouco afastada da escrita, de vez em quando colabora com o
Post-Milénio em Toronto e Além-Fronteiras em Kitchener.
candeiasleal@hotmail.com

Cadela encontrada em Faro
Foi vista em vários pontos da cidade o que não dá pistas para se saber a sua
proveniência.
Pedimos a quem possa divulgar e ajudar no seu regresso a casa, pois é muito
meiga e está bem tratada o que significa que tinha um lar.
Contactos: 914 296 727 ou 964 290 385

Cão
de Pastor Alemão. Alfambras - Aljezur
Encontrou-se Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Macho Jovem / Porte Grande / Cor Principal: Preto

Cãozinho atropelado e
abandonado. Faro
Foi
atropelado no dia 25 de Setembro na Rua do Alportel por alguém que nem parou
para o socorrer. Está numa família de acolhimento temporário. Procura-se o seu
dono. Se ninguém o reclamar, ficará disponível para adopção.
Contactos: clementina.s.frade@ctt.pt

Encontrou-se ave tipo
papagaio da Austrália, Faro
«Aterrou»
em cima de um carro, por volta do dia 16 de Junho, zona Montenegro-Gambelas.
Outono da Vida
Crónica por Maria das Candeias Leal
Primavera é nascer / Verão esperança e desventura / o Outono envelhecer / o Inverno a sepultura/. Canta-nos Jorge Ferreira, numa das suas canções cujo nome esqueci.
Esta quadra vem-me à mente várias vezes. Talvez por me sentir no Outono da vida e pensar que o Outono é uma das mais belas estações do ano e muito mais da vida. E é nele que recolhemos tudo o que plantámos na Primavera e no Verão.
Semear não é tão agradável como recolher. E muito mais aprazível colher os
frutos, legumes, hortaliças, enfim, tudo o que podemos cultivar nos nossos
pequenos e grandes pomares, ou quintais, terrestres. Igualmente, acontece com os
outros frutos, que são invisíveis aos nossos olhos, mas podem ser vistos com o
coração. Por isso, meus amigos, cultivem o melhor que puderem, pois sendo assim
poderão recolher tudo da melhor qualidade.
A Primavera da nossa vida, não é por nós vivida a fundo; somos demasiados
pequenos para a saber viver. O Verão, passa-se na esperança e na desventura. Na
expectativa de algo bom, que por vezes nunca chega, na desgraça do nosso próprio
viver que afinal não chega a ser vivenciado. Andamos numa correria, cuidando de
tudo e de todos, pensando no futuro dos filhos, alongando essa estação com
receio de começarmos na outra, julgando que, ao entrar nela, chegamos ao fim da
caminhada. O Inverno pode ser só a doença e a sepultura, por isso também não é
vivido com qualidade por muitos de nós.
O Outono da vida, não é o fim da caminhada, mas sim uma pausa no caminho, onde
temos mais tempo para apreciar tudo o que por nós passou durante esse período de
vida que não foi realmente vivido como se deveria. Na minha maneira de ver, é no
Outono da vida que conseguimos saborear as outras três. Vivemos a Primavera dos
nossos netos, o Verão dos nossos filhos e o Inverno dos nossos pais.
O Inverno da vida é um pouco doloroso, é muito mais duro do que o da Natureza, é
andar no frio sem agasalho, na chuva sem guarda-chuva, é enfrentar todas as
tempestades ao relento. Preparamos todo o conforto para o Inverno de cada ano,
todavia, mesmo sabendo que o da vida é certo, estamos sempre desprevenidos
quando ele nos bate à porta. Ver os nossos progenitores partirem para o outro
lado da Grande Porta é amargurado, contudo, e em compensação, temos a Primavera
dos netos e o Verão dos filhos, que nos adoçam o viver.
Ver os netos crescer, é crescer com eles, vê-los brincar, é brincar com eles e
assim se vive a doce Primavera da vida, algo que não fizemos com os filhos, de
tão emaranhados que andávamos com a esperança e a desventura. O Verão dos filhos
é melhor apreciado através do nosso Outono. É muito belo, vê-los felizes, na
correria da vida, no seu Verão, quando este é vivenciado com mais esperança do
que desventura.
Há alguns anos atrás, quando vivia o Verão da minha vida em Toronto, sentada no
autocarro, ouvi, por acaso, uma senhora que já se encontrava no Outono, dizer à
outra que ia sentada ao seu lado - “é o melhor tempo que temos, pena ser tão
curto!”. Nesse tempo, mesmo sem lhe dizer nada, não concordei com ela, hoje sei
que ela estava certa.
O Outono da vida é suposto começar a partir dos sessenta e cinco anos, quando
deixámos de trabalhar para o governo e ele nos dá umas migalhas do tanto que
descontámos para ele. Por isso mesmo, encurtei uma das estações para alongar a
seguinte, a única em que podemos viver e, ao mesmo tempo, apreciar as outras. A
única que nos permite gozar a beleza da simplicidade até que o Inverno chegue.
Porquanto, meus caros leitores, não tenham medo de entrar no Outono da vida, a
não ser se, durante o Verão, só semearam o mal. Sendo assim, é isso mesmo que
vão recolher.
Candeias Leal
candeiasleal@hotmail.com