Pagª 48 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Continuação da Coluna de Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano. - ZAGATTI, O SEMEADOR DE SONHOS - (Ver inicio)
Como o Zagatti foi «descoberto» e ficou conhecido
O professor de música e canto orfeônico, Nelson, funcionário da Prefeitura Municipal de Taboão da Serra da Secretaria da Educação e Cultura, foi um dos «descobridores» do cinéfilo Zagatti.
A sua existência e sua obra solitária na
Vila das Madres, de Taboão da Serra, emocionaram o professor de música. Sua
história foi repassada ao Secretário de Educação e Cultura; deste ao Prefeito
Municipal.
Nos últimos oito anos; Zagatti não deixou de ser uma pessoa de vida e hábitos
modestos, mas deixou de catar material reciclável nas ruas e becos de Taboão da
Serra.
A notícia de sua existência e sua obra, repassada pelo serviço de assessoria de imprensa da Prefeitura de São Paulo, tornou-se matéria com fotos do jornal «O Estado de São Paulo».
Depois disso, foi convidado a dar entrevista
no programa «Mulheres», da TV Gazeta, de São Paulo. Sua humildade, seus sonhos,
sua preocupação com seus filhos e os filhos dos moradores da periferia,
sensibilizaram muitos corações. Ele ainda tem aquela «cara que irradia bondade»;
a meu ver o seu maior trunfo.
A efervescência cultural no início dos anos 2000 em Taboão da Serra, propiciou
ao Zagatti ter contato com o pessoal de teatro (à época Taboão da Serra tinha ao
menos cinco grupos de teatro; um deles era mantido, ainda que minimamente, pela
prefeitura.
Pois foi este grupo que deu ao Zagatti a primeira oportunidade de trabalhar em uma peça de teatro experimental, onde o Zagatti, portando um projetor portátil, projetava imagens por sobre os personagens da peça.
Eu, ACAS, estive lá e constatei a felicidade que ele tinha em participar. (Em toda sua vida só havia visto teatro de circo mambembe, lá na nossa terra, no interior de São Paulo).
A matéria publicada pelo jornal «O Estado de São Paulo», repercutiu na França e a partir dela vieram jornalistas e gente da televisão para conhecê-lo e ao seu Mini Cine Tupy.
Depois que foi mostrado na França, Zagatti foi convidado a participar de programas na REDE TV (programa de auditório), quando ganhou da apresentadora um telefone celular (ou telemóvel, como os lusos dizem).
O sucesso e o impacto que sua figura fizeram neste programa foi tão grande, que passados oito anos, eu creio que a audiência do tal programa jamais chegou ao número de telespectadores daquele dia.
Os jornais franceses compararam sua história e seu Mini Cine Tupy, com o filme premiado mundialmente, o «Cinema Paradiso».
Zagatti participou também do programa de entrevistas mais famoso do Brasil, o «Programa do Jô», apresentado pelo multiartista Jô Soares (ator, dramaturgo, escritor, diretor de cinema e teatro, cômico e entrevistador por excelência), na poderosa e conhecida Rede Globo de Televisão.
Após sua participação, Zagatti recebeu uma dezena de filmes novos, um novo projetor, caixas de som, uma máquina de fazer pipoca e um saco de milho, para fazer as guloseimas.
Popularidade e Reconhecimento
Zagatti conseguiu popularidade por méritos e reconhecimento. Sobre ele foi feito um filme «documentário» de curta – metragem, filme este premiado no Festival de Cinema de Curitiba, em 2003, onde o Zagatti foi receber o prêmio e arrebatar a platéia de atores e gente de cinema e empresários.

Cena do «curta: Zagatti», filme premiado no Festival de Cinema de Curitiba em 2003
O Filme «Zagatti» ganhou o prêmio de «melhor filme» no 7º Festival dos Festivais de Cinema de Curitiba. «Zagatti», foi dirigido e produzido por Edu Felistoque e Nereu Cerdeira (SP). O 7º Festival de Curitiba aconteceu entre os dias 19 e 24 de Maio de 2003.
O filme mostra um dia na vida do Zagatti, como «catador». Porém, ao vê-lo puxando seu «carrinho», separando papelão, metais e não metais, ouvimos uma declaração sua, demonstrando a importância ecológica de seu trabalho.
Ele diz que cada papelão que coleta e que vai ser reciclado, é uma
árvore a menos a ser abatida na natureza; a mesma coisa a respeito de materiais
recicláveis como alumínio, cobre, ferro e etc. como ficou aqui bem claro, até um
cinema praticamente «emergiu» do lixo.
Nos jornais locais, em Taboão da Serra, inclusive n´O Taboanense, onde
colaborei, como diletante, por um ano; dá-se como certo a execução de um filme
de longa metragem sobre o mesmo tema do «Curta metragem», que foi premiado.
Segundo divulgado, até o intérprete para o lugar de Zagatti já foi escolhido;
trata-se nada mais nada menos que o ator Lima Duarte, sobejamente conhecido
pelas novelas nas quais participa pela Rede globo de Televisão, e do teatro de
do cinema, naturalmente.
A jornalista Adriana Bosco escreveu em fevereiro de 2001: ...«dizia o Zagatti:
a primeira vez que eu entrei em um cinema eu estava no colo da minha irmã. Vi
aquela tela branca grande e aquela luz que saia e refletia nela e me encantei».
Concordo com a jornalista Adriana Bosco, quando afirma que há que se construir
um Mini Cine Tupy em cada cidade pobre do mundo, em todos os continentes. Se os
governantes não resolvem os problemas sociais, a esperança de um Mini Cine Tupy
em cada um destes lugares miseráveis do mundo, traria senão a redenção, pelo
menos a perspectiva de um mundo melhor, com mais esperança.
Talvez a nossa presença neste mundo faça sentido, se nos irmanarmos nisso, ou se plantarmos esta semente.
Segundo o jornalista Júlio César Caldeira, José Luis Zagatti é apenas um dos vários casos que existem no Brasil, de pessoas cidadãs por excelência que, cansadas de esperar por alguma atitude dos órgão públicos, resolvem arregaçar as mangas e criar um movimento, ou principiar uma ação de reação da sociedade.
O Zagatti achou seu próprio modo de criar espaço de lazer para as crianças pobres, como até plantar sementes de cidadania, brasilidade e de cultura.
Lembro a «parábola do semeador», do texto bíblico:
...«Saiu o semeador a semear a sua semente. E ao semear, parte da semente caiu à
beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram.
Outra caiu no pedregulho; e, tendo nascido, secou, por falta de umidade.
Outra caiu entre os espinhos; cresceram com ela os espinhos, e sufocaram-na.
Outra, porém, caiu em terra boa; tendo crescido, produziu fruto cem por um».
Une realiza ato na Uniban e comemora revogação da expulsão de aluna

Pressão de entidades, intelectuais, professores, da imprensa brasileira e internacional levam a Uniban a revogar o ato de expulsão da estudante Geisy. «A decisão é uma vitória de todos aqueles que se indignaram com o caso. Mas ainda é muito pouco diante do ocorrido. Precisamos garantir que a Geisy continue sua trajetória escolar e tenha seus prejuízos minimizados», afirmou Augusto Chagas, presidente da UNE.
Discursando no ato, Augusto Chagas condena o ato da Uniban e denuncia a falta de democracia e de espaço para a participação dos estudantes na universidade.
A UNE realizou nesta segunda-feira, 9, um ato em frente à Universidade Bandeirante (Uniban) contra a expulsão da estudante Geisy Villa Nova. O objetivo, além de chamar a atenção da sociedade para os fatos preconceituosos e a absurda decisão da reitoria da Uniban, foi pressionar para que a decisão arbitrária fosse revogada. Mesmo sem justificar as razões, a reitoria voltou atrás e desistiu da expulsar a aluna, o que a UNE considera uma decisão positiva. A entidade pretende continuar acompanhando o caso.
«A revogação da expulsão foi uma vitória de todos os que se indignaram. Mas isso ainda é muito pouco diante do ocorrido. Precisamos garantir que a Geisy continue sua trajetória escolar e tenha seus prejuízos minimizados», afirmou Chagas.
Universidade Bandeirante desiste da expulsão de aluna
«O que se espera de uma universidade é que ela tenha condições de formar
cidadãos», diz Ministério Público Federal.
A Universidade Bandeirante (Uniban) de São Paulo anunciou, segunda-feira (9),
que decidiu rever a expulsão da aluna Geisy Arruda, que foi hostilizada e
perseguida por estudantes por vestir uma saia curta no dia 22 de outubro. A
assessoria da Uniban informou que apenas terça-feira (10) será divulgado um
esclarecimento da nova decisão.
No começo da noite de hoje, estudantes realizaram uma manifestação em frente ao
campus da Uniban em São Bernardo do Campo (SP), onde Geisy estuda e teve os
problemas no mês passado. Os protestos deram continuidade às reações muito
negativas que começaram no fim de semana.
A expulsão da estudante foi divulgada por meio de anúncios pagos na edição de
domingo de grandes jornais de São Paulo. «Foi constatada atitude provocativa da
aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se
expressar», diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude
dos outros alunos foi apenas uma «reação coletiva de defesa do ambiente
escolar».
A União Nacional dos Estudantes (UNE) condenou de imediato a medida e disse que
tentaria conseguir uma bolsa de estudos para a estudante em outra instituição.
Ainda ontem (8), a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres (SPM), classificou de absoluta intolerância e discriminação a
decisão da Uniban.
Hoje, o Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também
cobraram explicações e manifestaram estar preocupados com a expulsão da aluna.
Diante da repercussão e da gravidade do caso, o Ministério Público Federal (MPF)
em São Paulo disse que abriria um inquérito para apurar o caso.
«O que se espera de uma universidade é que ela tenha condições de formar
cidadãos. No presente caso, é bastante preocupante a postura da Uniban, que pode
indicar que ela não está preocupada com essa formação integral. Além disso,
aparentemente, a vítima foi transformada em culpada sem que tivesse a condição
de expor a sua versão dos fatos», disse o MPF, por meio de nota.
Assassinato de um membro da ONG «Afroreggae» - o caso e as estranhezas.
Por:
Se Gyn
Tem muita gente que acredita que as crianças podem ser salvas do caminho da
violência, colocando-as pra tocar tambor, fazer escola de circo, papel
reciclável e, coisas assim, sem alterar o status quo do local onde elas vivem.
Eu sou daqueles que acham esse tipo de ações sociais muito importante, mas só
acreditam num caminho: afastar o crime e a promiscuidade decorrente de perto das
crianças e do mundo infantil, impondo a lei e, a ordem, capturando criminosos e,
colocando-os à disposição da justiça, para que sejam trancafiados na cadeia.
Algo bem simples. E é o que funciona, mundo afora.
A «Afroreggae» é uma dessas ONGs bem intencionadas que querem salvar as crianças
do crime, oferecendo a oportunidade de uma atividade ocupacional. Dias atrás,o
Sr. Evandro João da Silva, um de seus dirigentes, foi morto no Rio, num suposto
crime de latrocinio.
A coisa repercutiu bastante na imprensa local e nacional, porque a tal ONG goza
de muito prestígio danado entre os cariocas e, imprensa.
O detalhe, é que policiais deixaram que os bandidos escapassem ilesos da cena do
crime - e aí, passou-se a discutir a ação da polícia, deixando de lado ação
violenta e belicosa dos assassinos, dando a impressão de que ação daquela foi
pior e substituiu a prática hedionda destes...
Mas, com bem pondera Reinaldo Azevedo em seu Blog, na Veja, a coisa não fecha.
Porque segundo ele informa, duas viaturas passaram imediatamente o local. Uma
ação que envolvia dois bandidos e, cujo suposto motivo - um par de tênis não
parece razoável.
Mas, o principal: um companheiro de ONG diz que chegou ao local, viu que o
coração do colega ainda estava batendo, mas, inacreditável, confiou na palavra
do policial, que lhe informou que o coração do morto ainda bate algum tempo
depois da extinção!...
Esta manhã, um dos bandidos, cujo singelo apelido é «Romarinho», foi preso e,
conduzido a uma Delegacia de Polícia, para os fins. a imprensa baixou no local.
Um representante do «Afroreggae», também.
Depois de ter tido acesso para se entrevistar com o bandido, o tal representante
deu entrevistas à imprensa (inclusive à Rede Globo, que também noticiou o fato,
está manhã), onde afirmou que ele se mostrava arrependido e, que não entendia
porque a polícia deixou que ele evadisse a cena do crime.
Não sei se o cara do «Afroreggae» percebeu, mas segundo seu próprio testemunho,
acaba de surgir no Rio de Janeiro uma novidade: o bandido filósofo, isto é,
aquele que, primeiro, trucida e mata e, depois, questiona as autoridades sobre a
ausência de adoção das medidas cabíveis contra si...
O que há de mais estranho nessa história? A corrupção e, envolvimento de
policiais com o crime é uma velha história crônica. A morte por motivo fútil,
também. O que não combina é a forma como a coisa aconteceu e, as manifestações
da turma do «Afroreggae».
Me perdoem os bem intencionados, mas no caso do testemunho do representante da
ONG à imprensa, na hora da prisão de um dos assassinos (e, suposto
latrocida-que-precisa-de-um-comparsa-para-roubar-um-par-de-tenis) das duas uma:
ou o cara está mentindo descaradamente com o objetivo de atingir a imagem da
polícia carioca (motivo pelo qual, imagino, poderia ser indiciado e processado,
com vistas a esclarecer a situação e, bem assim, seus motivos) ou...
...Estamos diante de um criminoso do tipo bonzinho, que conhece a Lei e, invoca
a ausência de providências da polícia contra si, a despeito de ser um barbaro,
um suposto latrocida!
Escolham sua versão hipotético leitor, porque a versão da imprensa já está
escolhida: é monocordica, desarrazoada - no Brasil, aliás, ela não se preocupa
mais em perseguir, investigar e, noticiar os fatos. Ela prefere aplicar uma
pauta de valores próprios e determinados aos fatos acontecidos.
Foi-se o tempo de acreditar nas histórias da carochinha, bandidos ou, va lá,
latrocidas bonzinhos e, castos. Eu desconfio de gente bem intencionada, e,
francamente, não confio na totalidade dos órgãos da imprensa brasileira.
Muita coisa não faz sentido. Estão com muito pressa demais, de fechar o caso e
liquidar essa fatura...
Em 29/10: prenderam o outro tipo que participou do assassinato. O mesmo
dirigente do «Afroreggae» que apresentou ao Brasil o primeiro, que seria um
bandido bonzinho e até, filósofo, agora veio «apenas» para comemorar(?) e,
elogiar a prisão do comparsa - este, ao que parece, não foi brindado com grife
alguma...
Se Gyn