Pagª 44 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Minha Terra, hoje: fábulas e leis ambientais
Por
Antônio Carlos Affonso dos Santos.
ACAS, o Caipira Urbano.
Na empresa de engenharia em que trabalho, tem gente de todo canto do país e do mundo. Convivo com gaúchos, paranaenses, mineiros, goianos, cariocas, fluminenses (ah, o tricolor das laranjeiras caiu pelas tabelas), baianos, pernambucanos, piauienses (nenhum se chama José!; creio que são falsos), cearenses, maranhenses, chilenos, uruguaios, argentinos, colombianos, mexicanos, ingleses , americanos, portugueses e japoneses.
Só não sabia que o Engenheiro Ari, da Civil, era de Santa Rosa de Viterbo. E conversa atrai conversa, ele me passou às mãos deste escriba, um retalho do jornal de Santa Rosa de Viterbo (SP), cidade que conheci quando não havia sequer uma rua que fosse pavimentada; naquela época Cravinhos (SP), meu torrão natal, estava para Santa Rosa de Viterbo, assim como a cidade de São Paulo está para Nova Iorque (MA).
Mas, Santa Rosa de Viterbo cresceu, e hoje em dia, rivaliza com Cravinhos, a
hegemonia regional daquela parte da alta mogiana. Se em Cravinhos tem o escritor
Carrascoza, famoso; Santa Rosa de Viterbo, além do José Hamilton Ribeiro (de
quem comprei um lindo livro chamado «Música Caipira»), tem o Zé Pretinho, que
vai ficar famoso agora, na Internet.
Mas, passando de peru para ganso, como se diz, recebi um retalho do
Jornalzão de Santa Rosa de Viterbo, que
contempla parte das páginas 37 e 38 da edição de 25/11/2006-Edição 560, pois já
haviam me falado (bem) de um colaborador do jornal, o Zé Pretinho; caboclo bom,
sacudido, mamparrento e desconfiado, que nem preto (negro) é, na verdade ele é
seis horas; nem claro nem escuro direito.
Descobri que o Zé Pretinho é um contista nato, daqueles que dá gosto de ler, bem
ao meu feitio.
Mas, este caboclo Zé Pretinho escreveu uma fábula, cuja personagem principal é
uma vaca. Mas, não pense o leitor que é uma vaca comum; não senhor: é uma vaca
que se chama Brama. E é Brama sem H entre B e R, ou seja Brama brasileira, de
quadris e peitos fartos.
-E não é que a tal vaca Brama, foi disputar um concurso de gado leiteiro e tirou o primeiro lugar?
Segundo o Zé Pretinho, que isso conhece a fundo, pois ele trabalha na
Cooperativa dos Produtores de Leite de Santa Rosa de Viterbo; a Brama deu 28,5
kg de leite (mais ou menos 29,3 litros) de leite, especial, espumante, denso,
cremoso, gostoso!
Aqui, o Zé Pretinho, que acho que estava variando das idéias quando escreveu;
deu para escutar o gado conversar, talvez influenciado pelo Guimarães Rosa,
quando a Brama voltou para o piquete, para junto do seu pessoal, lá da Fazenda
Figueira Branca.
O touro Soberano foi logo dizendo, cheio de charme:
- Parabéns, Brama. Eu sabia que você iria vencer! Nem a Skol te derrotaria!
Obviamente o Zé Pretinho ainda mencionou o quê a vaca Brama falou do touro
Bandido, aquele que trabalhou na novela da Rede Globo.
Ela disse que agora ele (o Bandido) está na profissão de modelo e chega a fazer
cinco desfiles por semana; e etc, etc.
Me deliciei com o conto do Zé Pretinho!
Num outro canto do Jornalzão de Santa Rosa de Viterbo, dentre as notícias de
interesse da coletividade santarosensse, o jornalista Edmar Esteves menciona que
a polícia da cidade aplicou uma multa de R$ 1000,00 a um concidadão, por crime
ambiental inafiançável.
O crime do Seu Tunim foi de que ele estava pescando, sentado no barranco do córrego; fato proibido por lei ambiental devido à piracema, a tal corrida dos peixes rio acima, para desova.
A polícia confiscou ainda a sua varinha de bambu jardim, de fantástico comprimento de quatro metros, dez metros de linha 0.4 mm, um anzol de bagre e uma lata de minhocas bravas.
E atentem para o fato de que o Seu Tunim quando foi flagrado pelos policias,
ainda não tinha fisgado nenhum mandi. Voltou sapateiro para casa!
Lembro a vocês leitores, que Terra é sempre Terra. Não importa o tamanho, como
já dizia Fernando Pessoa, quando escreveu sobre sua aldeia.
Eu sou uma pessoa de cabeça urbana e pés caipiras, igualzinho ao grande Zé Pretinho, de Santa Rosa de Viterbo.
ACAS
Continuação de Contemplando «The son of man» e outros quadros de Magritte...Por Se Gyn - Ver início.
Em «Le Blanc-Seing», por exemplo, a ilusão de perspectiva, introduzida na pintura renascentista é desmontada com muito bom humor. As várias partes da suposta imagem principal se associa a difentes planos, de modo que ela, não pode ser o que se pretenderia numa pintura do passado - a retratação de uma figura ou, um ideal.
A nossa mente, entretanto, como sabia o artista, não tem dificuldades em construir a imagem da mulher sobre o cavalo, ainda que partes do corpo do animal tenhas sido habilmente suprimidas.

Já o famoso quadro do cachimbo («La trahison des images») tem umas caracterísiticas próprias e, interessantes: de certa forma retomada a idéia sugerida na supressão do olhar, em «The son of man» (isto é, é de que uma imagem não representa ou retrata exatamente uma realidadade ) e, por outro lado só faz sentido dentro do contexto da obra do pintor e, não subsistindo fora de tal contexto.

Nesta obra Magritte disse claramente o que sugeria em outras - que um quadro não pode ser nunca tomado como uma representação da realidade, pois esta possui muitas dimensões, que não podem ser expressas ou, de qualquer forma, incorporadas ou, ainda, reproduzidas.
Como se poderia introduzir na imagem do cachimbo o seu peso, sua textura, a
sensação ao tocá-lo, o cheiro remasnecente de tabaco e, sua imersão numa
realidade própria?
Em muitos outras pinturas, se pode perceber intenções parecidas de parte do
artista, que mira sempre no efeito retardado de sua produção artística...
De qualquer forma, a suposta e convidadora harmonia imagética inicial (indica
pelo equilíbrio das cores sóbrias), começa a se quebrar logo após ser alcançada
pelo olhar de quem vê.
Nos quadro de Rene Magrite, algo sempre nos leva, mais devagar ou, mais rápido,
ao estranhamento e ao desconforto e, em algum tempo, à pertubação, pois o exame
e, a reflexão sobre o que há nas imagens nunca nos deixa realmente satisfeitos
ou que saiamos apaziguados, a respeito...
