Pagª 7 - EDIÇAO NºXLVII
, III NUMERO DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Poemas de Patrícia Neme
Maktub
Quero enxugar teu pranto... Acalentar-te...
Acarinhar teu rosto... Por quê choras?
Estou aqui... Contempla-me... Comparte...
Abre teu ser, agora... Sem demoras.
Permite seja o sonho a aconchegar-te,
se trazes n’alma as mais escuras horas...
Permite o sol, meus versos... E as auroras
que tecem meu querer... Para ofertar-te!
Das brumas do passado, ressurgidas
- Maktub, estava escrito em nossas vidas –
as vozes das lembranças... A saudade.
Não chores... Vem comigo além do agora...
A nos guiar, o mesmo amor de outrora,
por sendas mais além da eternidade!
Se...
... fosse aquele beijo, tão somente,
o gesto repentino dum instante,
que, por ser passageiro, não pressente
em si, a eternidade, palpitante...
... fosse aquele beijo, meramente,
a troca do vazio em nós reinante,
no arroubo dum querer inconsistente,
por nada ser – por ser só mais um instante...
Se fosse... Mas não foi – e eu pago caro,
ao contemplar-me em fero desamparo,
perdida num sonhar, que feneceu.
Que fosse assim... Ah! Como eu o quisera,
não mais viver pendente, sempre à espera,
de ter, por outra vez, um beijo teu!
Soneto do Amor Singelo
A lua... Uma saudade... A folha em branco...
Minh'alma andeja sendas do passado...
No peito, um soluçar... Abafo, estanco...
A brisa... O mar... A dor.. Quão pesa o fado.
Lembranças, em buquê... E a folha, em branco,
à espera de um tracejo, de um recado?
Mas nem leste no olhar, singelo, franco,
meus versos, de um rimar apaixonado.
Melhor, então, calar a voz magoada,
tua inconstância diz, não sabes nada
dos sonhos que o amor plantou em mim:
viver num lar de conchas, na Ribeira,
ser tua amante, amiga, companheira,
contigo, ser poeta... Até meu fim!
Poesia de Mário Matta e Silva

VIAGEM NO BANDO
( aos amigos)
1
Pois cá estou
orgulhoso, feliz, contente
por me ter juntado
à minha gente
e à poesia
que me guia
por onde vou
em tom festivo
ou amargurado
sou eu… sei que sou
enquanto vivo
cá neste fado!
2
Sou deste bando
de gente não vazia
sou desta cria
de pensadores
que vão gritando
assim em verso
o mundo perverso
os amores e os desamores…
Sou deste bando voador!
De peito aberto
busco por certo
o esplendor!
A TI GALAFURA DE TORGAS
Se observo os montes
que se debruçam para o Douro
eu canto o cenário do momento
em que me encanto sem lamento
longe do pranto de ser um citadino
nesse rebelde ventre a parir outro destino.
Se observo os céus, na altura
refresco-me na aragem de te sentir, Galafura
na áspera terra e nos rochedos
mas calo em teus segredos
respirando calmo e retemperado
o melhor recanto do mundo encontrado.
Aqui me agiganto e me misturo em tua paleta
nas cores harmoniosas que atraem o Poeta.
S. Bernardo de Galafura, 2007