Pagª 27 - EDIÇAO NºXLVII , III NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Coluna de Denise Severgnini

ALMAS NEGRAS

Almas negras, errantes de subterfúgios;
Migrantes noturnos da miséria humana
Procuras constantes, recônditos refúgios;
Odor fétido que do andamento emana

Torturas resultantes, levantes profundos...
Das almas negras, enlutadas no ódio...
Em todas as terras, em todos os mundos...
São as primeiras a ascender ao pódio.

Códigos e regras a elas não se aplicam
As desgraças da vida, nelas nada implicam...
Até as expiações densas delas se ausentam.

Almas negras, dejetos de um orbe poluído;
Carcaças e destroços de um tempo destruído;
Resquícios de maldade que na Terra habitam.


Osculo Ausente

Nas cortinas do tempo, bordei minhas quimeras
Templário de sonhos, foste tu, que arquitetei
Observei-te ao longe, já de outras e outras eras
Sorvendo as essências daquele beijo que não dei

Na medievalidade da existência, enclausurei-me
Nos antros de fantasmais e impenetráveis castelos
Oh, Deus! Como não afoitei do cavaleiro achegar-me?
Hodierno estado, são as acabrunhas dos meus anelos!

Símplice plantinha, na estrada, observei tua passagem
E preservei no âmago do meu ser, tua figura heróica
Beijei-te, em filigranas de sonhos, mas sem coragem
Nunca proferi sequer eu te amo, na paisagem bucólica...

Bailaram as sazões, os meses, os anos... Novas estações
Maquiei-me de rugas, encaneceram as minhas melenas
Anego ainda em meu ser ósculo ausente... Tantas ilusões
Rascunhei uma biografia em sonhos! Esperei como Helenas!


Depressão e Escrita

Sou uma pessoa ansiosa e depressiva. A minha taxa de serotonina é organicamente baixa. O Cloridrato de Sertralina mantém estável. Deveria praticar exercícios físicos, ajudam.Todavia sou preguiçosa. Escrevo por compulsão. Talvez, eu seja portadora de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) por escrita.

Minha terapeuta nunca me falou a respeito disso. A despeito do quadro depressivo, sou uma pessoa que ama a vida. Tenho trabalho, família, casa própria, automóvel, amigos, inteligência , fé em Deus, amor e todas as coisas materiais para ter uma vida confortável.

Mesmo assim, há dias em que acordo sem vontade de fazer nada, ficar ali, prostrada , sem ação. É nesta hora, que há força interior que existe dentro de mim vem à tona. Não posso dar-me ao luxo da entrega à depressão.

Quem já sofreu, sofre deste mal ou tem algum familiar depressivo sabe exatamente do que eu estou falando. É algo cruel demais, pois o que dói é a alma. Não há feridas expostas, uma perna engessada ou algo visível aos olhos externos. Apenas eu, sei o quanto dói. Nestes momentos, o melhor remédio não é Prozac, Fluoxitina ou Sertralina...É a escrita.

Escrevo. Exponho o que sinto ou aquilo que eu gostaria de sentir naquele momento...O alívio vem...A vida é boa e devemos vive-la da melhor maneira possível . Carregando e aceitando nossos problemas , que podem ser bem menores que os problemas do vizinho.

 

 

 

 

Birdwatchers - Terra Vermelha

O suicídio de duas meninas Guarani - Kaiowá desperta a comunidade para a necessidade de resgatar suas próprias origens, perdidas pela interferência do homem branco.

Mato Grosso do Sul, Brasil, 2008. O suicídio de duas meninas Guarani - Kaiowá desperta a comunidade para a necessidade de resgatar suas próprias origens, perdidas pela interferência do homem branco. Um dos motivos do desaparecimento gradual da cultura reside no conflito gerado pela disputa de terras entre a comunidade indígena e os fazendeiros da região. Para os Kaiowás, essas terras representam um verdadeiro patrimônio espiritual e a separação que sofreram desse espaço é a causa dos males que os rodeia. Uma disputa metafórica é criada. A compreensão e o diálogo buscam espaço nesse antigo conflito. Enquanto isso, o jovem Osvaldo, que vive um terrível embate contra o desejo de morrer, vai furtivamente buscar água no rio que corta a fazenda e conhece a filha do fazendeiro. Um encontro em que a força do desejo transpassa e ao mesmo tempo acentua o desentendimento entre as civilizações.

 

Direcção de Marco Bechis

Marco Bechis - Nasceu em Santiago do Chile em 1955 e cresceu entre São Paulo e Buenos Aires, onde trabalhou como professor numa escola primária. Durante a ditadura militar na Argentina, exilou-se em Milão. Mais tarde trabalhou como fotógrafo e videomaker em Nova York. Entre 1983 e 1987 dirigiu cinco curtas. Seu primeiro longa é Alambrado (1991), seguido por Garage Olimpo (1999), selecionado na 23ª Mostra. Filhos (2001) foi exibido na 27ª Mostra. Em 2004, fundou a Karta Film e começou a produção de Terra Vermelha, seu primeiro longa-metragem também como produtor.

Ficha Técnica:

diretor Marco Bechis

roteiro Marco Bechis, Luiz Bolognesi

fotografia Hélcio «Alemão» Nagamine

montagem Jacopo Quadri

música Andrea Guerra

elenco Claudio Santamaría, Alicelia Batista Cabreira, Chiara Caselli, Abrisio Da Silva Pedro, Ademilson Concianza Verga, Ambrosio Vilhalva, Mateus Nachtergaele, Fabiane Pereira Da Silva, Nelson Concianza, Poli Fernandez Souza, Leonardo Medeiros, Inéia Arce Gonçalves, Eliane Juca Da Silva

produtor Amedeo Pagani, Marco Bechis, Fabiano Gullane produtora Classic SRL, Gullane Filmes world sales Celluloid Dreams 108 minutos color, 35mm