Pagª 28 - EDIÇAO NºXLVII , III NUMERO  DE NOVEMBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO

Nota introdutória elucidativa: (Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no seguinte endereço: Arquivo IV. )
                          

 

So isso?

- Os galões de alferes constituem-se por uma só fita dourada recta sobre passadeira preta, no sentido de toda a sua largura .
Os de major são dois, também dourados, sobre fundo igualmente preto, mas um deles é estreito (em tudo igual ao do Alferes) e o outro largo – grosso -, como convém à
estória.
- O que falta ao alferes, para ser major ?
- Apenas uns anos e um grosso !

A HIERARQUIA MILITAR VISTA POR «POETA»

- O ASPIRANTE, é um tratante;
- O ALFERES, come as mulheres;
- O TENENTE, ainda come muita gente, mas
- O CAPITÃO.... já não.
- O MAJOR, é o pior !
- O CORONEL, já não faz o seu papel;
- O BRIGADEIRO é um trombeiro e
- O GENERAL, um zero sexual

SITUAÇÕES COM E ENTRE «ADMINISTRATIVOS» DO ULTRAMAR

MAIS UMA –NECESSARIA- NOTA EXPLICATIVA

Entre 1483 e 1974, Portugal enquanto potência colonial, teve cada um dos seus territórios de além-mar alternada e sucessivamente designados por Colônias (por duas vezes distintas) Províncias (por outras duas), Províncias Ultramarinas e, finalmente, por Estados.

Para os casos de Angola e Moçambique as grandes áreas em que administrativamente se devidiam conheceram-se por Províncias ( enquanto às possessões coube o nome de Colônias) e por Distritos, ( logo que elas tomaram a designação de Províncias).

Quase no final da administração portuguesa dos seus territórios estranhos à Europa, chamaram-se de Províncias Ultramarinas, naturalmente mantendo-se como Distritos as grandes divisões territoriais internas de Angola e de Moçambique. Tal nome, aliás prosseguiu mesmo quando, já no final da mesma administração, às duas – bem como a todas as restantes possessões - foi atribuída a designação de Estados.

Para o conjunto do Ultramar Português, vamos porém ficar com duas designações apenas: Províncias Ultramarinas ou simplesmente Províncias (para referir cada um dos territórios portugueses geograficamente separados da Europa) e de Distritos (para as grandes áreas em que internamente se dividiam Angola e Moçambique).

Havia, pois, dois tipos de províncias :
As de governo geral - ANGOLA e MOÇAMBIQUE- cada qual gerida pelo seu Governador Geral a quem cabia a liderança do governo coadjuvado por diversos Secretários Provinciais -espécie de ministros, cada um sobraçando cada uma das pastas do conjunto da administração; e

as de governo simples, ( casos de CABO VERDE, GUINE, SAO TOME E PRINCIPE, TIMOR e MACAU) que eram administradas por um Governador de Província assessorado por diversos colaboradores.

ANGOLA e MOÇAMBIQUE, - divididas em distritos- tinham, para cada um, o seu Governador de Distrito-.
Por sua vez os Distritos e todo o território de todas as outras Províncias Ultramarinas estavam sub-divididos em concelhos ou circunscrições pelos quais respondiam Administradores de Concelho ou Circunscrição a que passaremos a designar simplesmente por Administradores.

Concelhos ou Circunscrições voltavam a dividir-se, agora em postos administrativos - cada um gerido por um Chefe de Posto -. e finalmente os postos se repartirem por sobados, onde a autoridade era o Soba Secúlo, ou Régulo.

Consequentemente, a hierarquia da administração civil Ultramarina Portuguesa era a seguinte:::
Governador-Geral (só Angola e Moçambique) ou de Província (todas as restantes) de quem dependiam Secretários Provinciais e Governadores de Distrito. (só nos casos de Angola e Moçambique).Directores dos diversos Serviços Provinciais Inspectores Administrativos. com categoria equivalente à de governador de distrito e que eram «feitos» a partir dos intendentes de distrito, de oficiais de qualquer dos ramos das forças armadas ou, ainda, de diplomados pelas diversas faculdades.

Tinham por missão inspeccionar a actividade dos servidores da administração civil das províncias em que estivessem colocados, e os Intendentes de Distrito que, dependentes dos governadores de distrito por si mesmos directa e comumente orientavam os serviços distritais da Administração Civil.

(Até este nível, todos faziam parte do chamado Quadro Comum do Ultramar, o que lhes conferia a possibilidade de coloca-ção ou transferência dentro delas próprias ou de umas para as outras das Províncias Ultramarinas).

Imediatamente após, vinham os Administradores de Concelho – ou Circunscrição - agrupados em classes -3ª, 2ª e 1ª- classificação que lhes era atribuída de acordo com os seus méritos pessoais, experiência ou antiguidade, e lhes conferia a possibilidade de administrar localidades maiores ou menores, de maior ou menor importância conforme o número de seus habitantes e a sua projecção política.

(Continua no número seguinte)

 

 

 

 


Continuação da Crónica por José Pedreira da Cruz - Um invasor misterioso - Ver Início

Dito isto todas se voltaram espantadas e o silêncio se fez notório. Mas não tardou, e tal como um inventor que cheio de ufania majestosamente alarma o seu invento, assim, também, agiu uma das crianças ruidosamente gritando:
– Olha lá um rato! Vejam! Estou vendo um rato!

As outras se alertaram com a espantosa notícia e simultaneamente varreram tudo com olhares avidamente arregalados.
– Aonde?
– Cadê?
– Cadê?
– Acolá! Entrou correndo no porão! – Confirmou a primeira.

Todas dispararam barulhosas na direção indicada. Elas verdadeiramente pareciam mais animadas e corajosas que os adultos da casa.
– Trás o Miau, rápido! Traz o Miau. – Disse a mais velha e mais decidida.
Uma delas agarrou-se ao bichano – ainda sonolento – e o jogou no meio do porão. Nesse ínterim a patroa sentenciava, claramente determinando.
– Fechem bem essa porta e não o deixem sair. O Miau matará o maldito!

Com uma vassoura na mão, e não disfarçando o meu medo, também adentrei no porão – que estava bem iluminado –, e lá todos os olhares se radiavam à procura do tal invasor que misteriosamente desapareceu entre as quatro paredes. Fiquei até duvidando se ele realmente fora avistado.

Tudo que havia no porão eram simplesmente um cesto com roupas sujas, uma mesa repleta de jornais velhos e de livros mofados; algumas ferramentas e nada mais, mas...cadê o rato? Onde ele se escafedeu? - Indagávamo-nos desconfiados.

Mexe aqui mexe acolá e, por fim, levantei a tampa do cesto que estava semi-aberto e lá estava ele com a cabeça enfiada entre os panos sujos e o resto do corpo exposto. Ele imaginava estar seguramente camuflado e imperceptível. Tive pena: era apenas um minúsculo e indefeso bebê camundongo que tentava esconder sua própria vida.

Cauteloso, cutuquei-o com o cabo da vassoura e a criatura me encarou dentuda; emitindo um silvo agudo e amedrontador. Certamente aquele som era uma imploração por um socorro. Novamente tive pena. Desesperado ele rodopiou no cesto e pulou para fora ficando cara-à-cara com o terrível Miau.

Mas este parecia desolado e o ignorava, simplesmente virava a cabeça para acompanhar os agitados movimentos no ambiente e aparentava ter um ar de desprezo a tudo e a todos em seu redor, principalmente ao minúsculo camundongo que corria atordoado.

O ratinho mal sabia que aquele seu algoz – por natureza seu predador indefensável –, demonstrava-lhe extrema contemplância, pois, pacientemente, se limitava a acompanha-lo com olhares piscos e piedosos.

O misterioso invasor corria aturdido sob os ataques dos humanos e por fim se ateve sobre o lombo do bichano onde calmamente se acomodou. Parecia ser ali o seu porto seguro e talvez ele tivesse entendido que o seu grande rival agora se tornara seu maior aliado e protetor. De repente o silencio quebrou todo alarido que há pouco eclodiu no porão e admirada com a cena que via entre os dois animais, uma das crianças, muito comovida, desabafou dizendo:
– Olha só, gente! Ninguém nunca viu uma imagem igual a essa. O ratinho está deitado na costa do gato e ambos se parecem amigos! Até se lambem!

O Miau parecia hipnotizado. Nada o incomodava. Para ele o mundo estava paralisado.
Olhei fixamente para ambos, e com certa melancolia exclamei:
– O quê é a natureza!
Tive a nítida impressão de ouvir o Miau dizer ao ratinho:
«– calma meu amigo! Não te matarei. Que me venham as ratazanas».

Creia, fiquei extasiado. Jamais vi coisa semelhante.
Mas mesmo assim o camundongo foi novamente insultado e o pega-pega reiniciado. Ele escalava as paredes num alpinismo incomum, e deslizando caía; subia na mesa e pulava no maior dos terrores, e, no ápice de seu desespero, se arremeteu por sobre uma das crianças e misteriosamente desapareceu frente à varredura ocular dos humanos ali presentes.
Estávamos quedos e incrédulos.

Não ficou centímetro sem vistoria, mas... cadê o camundongo?
Pela segunda vez um mistério ficou no ar. Cheguei a pensar que o gato o engolira ou que algum espírito das florestas o abduzira.
Com intensa decepção desistimos da busca e consolávamo-nos afirmando que a qualquer momento, ele, ou morreria de fome, ou seria devorado pelas garras do bichano.

Fechamos a porta e nos retiramos envergonhados por não o termos matado.
Passados alguns dias a pequena criatura foi vista saindo sorrateiramente porta afora em desafio à inteligência humana. Desta vez correu para o matagal. Foi à procura da liberdade e do direito que tinha pela própria vida. Foi gozar suas delícias nos esgotos da vida, mas deixando-nos com a grande lição de que os animais também se amam, se respeitam e se compadecem.

Esfriados os ânimos concluímos que o Miau foi o grande herói daquela labuta, e como recompensa ele foi laureado com uma gloriosa castração.

José Pedreira da Cruz
São Paulo-BR - Junho de 2008