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Sinfonia a quatro mãos - Dueto
Arlete Brasil Deretti Fernandes e Hildebrando Menezes
Sinfonia inacabada. - Arlete Deretti Fernandes
Silencioso dia a me cingir em seus teares,
Que tramam fios, coloridos e invisíveis;
Enquanto dos plátanos as folhas de inverno
caem e se arrastam ao sabor do vento frio.
Com sempre - vivas adornei meus alabastros.
Quando te foste, levaste contigo meu coração.
Os beijos da chuva não demoraram a chegar,
E a transmigrarem-se em novas emoções.
Crepita o fogo, esquento a água e bebo o vinho,
Aqueço a alma, olho as espigas, esqueço a mágoa.
O piano emudeceu, em seu canto ficou sozinho.
.
Amar é uma viagem num caminho indecifrável,
sinto fome de tua boca, e estou sedenta de teu amor.
O cheiro do crepúsculo trás com ele uma saudade.
Dueto: Arlete Brasil Deretti Fernandes e Hildebrando Menezes
Dueto
Silencioso dia a me cingir em seus teares,
que tramam fios, coloridos e invisíveis;
Enquanto dos plátanos as folhas de inverno
caem e se arrastam ao sabor do vento frio.
De que inspiração foste tecida diva dos altares?
Nessa revolução recaída de profunda desolação.
Hei de reerguer-te com a força de mil alteres;
Pois intempéries jamais contê-la conseguirão.
Com sempre - vivas adornei meus alabastros.
Quando te foste, levaste contigo meu coração.
Os beijos da chuva não demoraram a chegar,
E a transmigrarem-se em novas emoções.
Vejo flutuar a leveza dos teus sentimentos.
Não suporto vê-la triste irmanada á solidão.
Perceba minhas lágrimas em comum união.
Páginas mudas pela ausência da expressão.
Crepita o fogo, esquento a água e bebo o vinho.
Aqueço a alma, olho as espigas, esqueço a mágoa.
O piano emudeceu, em seu canto ficou sozinho.
Tudo arde e não tarda de se revirar o mundo.
Quando quer a centelha se busca pela paixão.
A música está entoada nas células da tua pele.
Amar é uma viagem num caminho indecifrável,
sinto fome de tua boca, e estou sedenta de teu amor.
O cheiro do crepúsculo traz com ele uma saudade.
Haveremos de desvendar tão ardiloso mistério;
Com o diapasão sonoro do frigir dos nossos lábios.
No melódico encontro eterno das nossas almas.
Acalanto para uma noite de Inverno poema a solo por Arlete Brasil Deretti Fernandes
Chegou a noite longa a girar sobre os carrocéis do tempo.
Profundo seja o meu sono, e os sonhos me ajudem na larga viagem pela
Escura madrugada, para que eu possa distinguir as encruzilhadas que
preciso
Atravessar. Vejo névoas que me impedem a visão clara. Conto com a voz do
sentir.
Sou feliz porque tu estás perto de mim, a envolver-me em teu abraço.
Tua respiração é ritmada como o compasso da serenata da chuva.
Meu coração em suas batidas pulsa ao ritmo do vento
Que lá fora varre as últimas folhas das amendoeiras nuas,
Como a seiva que corre em minhas veias à espera da próxima estação.
Meus pensamentos dirigem meu olhar à platibanda da janela onde
Descansa o vaso de flores coloridas que me deste em meu aniversário.
As brasas que ardem na lareira estalam a conversar com as paredes.
O tempo que passamos lado a lado, soma-se em anos,
Como os gomos da cana de açúcar que à terra voltarão um dia.
Espreitei a lua lá fora, pelo vão da cortina, hoje ela é um tênue
Risco que se esconde do frio em um céu muito limpo.
Quando setembro chegar com seus dias claros, e me envolver
Em suas redes, mais uma vez o amor crepitará como uma fogueira acesa.
O tempo, o vento, as estrelas que se escondem, tudo se move,
E nós, como dois pássaros sobre a árvore cuja ramagem caiu nas águas,
Deslizamos sobre o rio, a caminho do mar, desfrutando a paisagem.
O pólen voltará com a nova estação, as águas da primavera,
As folhas caídas às bordas do mato. Os sons do vento E a névoa úmida
que se renova com as sombras, a aragem da grama e os insetos.
O dia lança suas tarrafas lá fora. A terra, o sol, a aragem matinal,
As ondas espumantes, as conchinhas e o sal,
Tudo a ti eu devo, cristalizados no nosso tempo,
Como a seiva que faz brotar as folhas e florir as plantas na primavera.