Pagª 10 - EDIÇAO NºXLIII , III NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

 


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Portugal - 4,5 milhões de utilizadores de Internet

A Marktest acaba de editar a versão 2009 do Bareme Internet, que contabiliza no Continente 4,5 milhões de utilizadores de internet, um número que cresceu quase dez vezes nos últimos 13 anos. Os dados do Bareme Internet, o estudo de base do Netpanel, contabilizam 4 484 mil indivíduos que costumam utilizar a internet. Este valor representa 53.9% do universo composto pelos residentes no Continente com 15 e mais anos. Estes dados significam que a maioria dos portugueses nesta faixa etária já está online.

A análise deste indicador ao longo da última década evidencia o elevado crescimento que tem registado entre nós, ao aumentar quase dez vezes no período em análise. Os 5.6% de indivíduos que em 1997 acediam à internet passaram em 2009 para 53.9% - mais 863% do que então. Neste período, o ritmo de crescimento da penetração da internet no nosso país situou-se nos 22.0% ao ano. Naturalmente, à medida que aumenta o número de utilizadores de internet, também diminui a sua taxa de crescimento anual, tendo-se observado 10.5% de crescimento de 2008 para 2009.

Na análise por targets, vemos que a ocupação é a variável mais discriminante, pois é a que revela mais diferenças de comportamento entre os indivíduos. Os valores oscilam entre os 98.5% entre os estudantes e os 9.1% das domésticas. A idade é a segunda variável com maiores discrepâncias de comportamento, com 96.7% dos jovens entre os 15 e 17 anos a não dispensarem a internet, um valor muito acima dos 7.3% de idosos com mais de 64 anos que também navegam.

A classe social apresenta igualmente uma dispersão assinalável, com os valores a oscilar entre os 92.1% de utilizadores na classe alta e os 19.1% na classe baixa. Os dois sexos também apresentam diferenças: 62.19% dos homens acede à internet, ao passo que esse valor baixa para 46.5% junto das mulheres.

Entre as regiões é onde encontramos menor heterogeneidade, embora os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto apresentem taxas superiores de utilização de internet: 63.0% e 60.8%, respectivamente.

A análise realizada teve como base os resultados de 2009 do estudo Bareme Internet da Marktest. Este estudo analisa o universo constituído pelos residentes no Continente com 15 e mais anos.

 

UE pressiona Portugal sobre igualdade de género no trabalho

Portugal quer responder, no prazo de dois meses, às questões levantadas pela Comissão Europeia (órgão Executivo da União Europeia) sobre a transposição da lei do bloco europeu sobre a igualdade entre homens e mulheres no trabalho, informou nesta quinta-feira a presidente da Comissão de Igualdade no Trabalho e no Emprego (Cite), Catarina Marcelino. A Comissão Europeia ameaçou nesta quinta levar Portugal ao Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias se, dentro de dois meses, a lei da UE sobre a igualdade entre homens e mulheres no trabalho não for integralmente transposta para a legislação portuguesa. Catarina Marcelino explicou que, apesar de Portugal já ter feito a transposição da diretiva, existem «alguns aspectos» que são questionados pela Comissão Europeia.

A presidente da Cite explicou que a Comissão Europeia considera que «os organismos para a igualdade deveriam ir mais longe no que respeita à sua independência orgânica» e que as «associações e organizações não governamentais deveriam poder ser representantes legais dos cidadãos em matéria de discriminação e igualdade». A Comissão Europeia chama ainda a atenção para a situação dos trabalhadores independentes portugueses, considerando que estes «devem ter mais proteção no domínio da discriminação», disse Catarina Marcelino. «O Código do Trabalho e a nossa Constituição referem estas questões», disse a presidente da Cite, destacando que Portugal e Comissão Europeia têm «trabalhado conjuntamente» para esclarecer os problemas apontados pelo Executivo da UE. «Temos vindo a responder às solicitações da Comissão [Europeia]. Faltam dois meses para terminar este trabalho e estou convicta de que, até lá, estas questões ficarão todas resolvidas», assegurou.

 


A Coluna de José Geraldo Martinez

O que será de nós?

Que besta é a vida,
tão frágil, tão curta...
Um sopro e pronto!
De mistérios, oculta...
Entendes meu medo?
Do tempo perdido, ausentes!
E se amanhã tu vais ou me vou,
de repente?
O que será de nós?
Das ruas sem nossos passos...
As flores a sós,
de nossas mãos sem enlaço?
E a lua?
As madrugadas...
Estarão perdidas, certamente,
sem nossas costumeiras gargalhadas!
O que será de nós?
Daquele que por aqui ficar...
Estará morto vivo,
alma sem rumo e par!
E nossos sonhos?
Estarão perdidos em algum lugar...
Morrerão não cumpridos
no peito daquele que ficar!
Nossos beijos e carinhos,
nosso peito sem acalanto!
Os olhos na despedida,
vestidos de dor e de pranto...
Entendes meu medo?
Qual menino inseguro!
Vivendo seus pesadelos,
num quarto escuro?
Tão besta é a vida!
Fugaz...
Num piscar de olhos tudo acaba
numa frase de lápide:
Aqui jaz!
O que será de nós?
Vivos mortos...
Do nosso amor, dos nossos
corpos?
Antes que partamos, amada
minha, e nossas lágrimas
gritem vertentes...
Entreguemo-nos as almas!
É a única certeza de um todo sempre...


TODO TEU!

Vinde a mim, dona e rainha...
Farta-te à vontade de minha alma que insiste
em servir-te toda florida...
Com cheiros de todas as primaveras que já vistes!

Degusta inteira!
Além deste corpo que te é servido em lençol
de linho, nu em folha...
A vastidão do meu ser inteirinho!

Dos gemidos e sussurros ao teu ouvido,
há muito mais que emoções banais...
Deste homem pequeno e carnal,
que se entrega enlouquecido!

Vinde a mim, amante e mulher!
Lava-te em minha fonte de prazer...
Não te esqueças que, além dela, há
muito mais que este miserável ser!

Vinde a mim, amor meu!
Sou todo alma,
todo puro...
Todo teu!

«A função do escritor?
Ser testemunha do seu tempo e da sua sociedade.
Escrever por aqueles que não podem escrever.
Falar por aqueles que muitas vezes esperam ouvir da nossa boca a palavra que gostariam de dizer. »

Lygia Fagundes Telles