Pagª 49 - EDIÇAO NºXLIII
, III NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Jorge Costa Reis, M.D.

- Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra - Dez. 31.1971
- Especialista em Ortopedia - Jul. 19.1975
- Membro da Ordem dos Médicos (desde 1971)
- Membro do Colégio de Ortopedia da O.M. (desde 1975)
- Especialista dos Hospitais Distritais (desde 1979)
- Especialista dos Hospitais Centrais (desde 1983)
- Consultor de Ortopedia (desde 1987)
- Chefe de Serviço da Carreira Hospitalar (desde 1988)
As Chaminés Algarvias
«Quantos dias quer de chaminé?» O mestre pedreiro algarvio costumava fazer esta pergunta ao proprietário da casa para a qual iria construir a chaminé. Com efeito, o preço da chaminé, um dos símbolos da região algarvia, calculava-se pelo tempo que ela demorava a erguer.

Quanto mais específico e elaborado era o seu desenho, mais cara se tornava. Eram as chaminés da vaidade do proprietário. É por isso que as chaminés algarvias têm as formas mais diversas. Há-as de todos os modelos e para todos os gostos só tendo como limite a imaginação de quem as faz.
Muitas vezes passamos por elas sem as ver mas, se estivermos minimamente atentos, elas surgirão aos nossos olhos, em casas antigas ou modernas, numa multiplicidade e beleza que vale a pena registar.

Cilíndricas ou prismáticas, quadradas ou rectangulares, simples ou elaboradas, as chaminés algarvias são um símbolo da região e uma prova da influência de cinco séculos de ocupação árabe.
Um legado arquitectónico e ornamental presente em grande parte das cidades e
vilas do sul de Portugal e visível nas ruas estreitas, na estrutura das casas e
no ar de minaretes das chaminés que adornam os telhados.
E no Algarve não havia duas chaminés iguais, porque os mais ou menos elaborados
motivos decorativos dependiam sempre dos dias de construção, do prestígio, da
vaidade e das posses do proprietário.
Aliás, era costume entre os mestres pedreiros perguntar quantos dias queriam de chaminé para avaliar o valor da chaminé a construir, que se traduzia no tempo que a mesma demorava a erigir.
Quanto mais delicada e difícil era a sua elaboração, mais dispendiosa se tornava.
A cor predominante era o branco da cal, mas honrosas excepções mostram ainda hoje alguns motivos coloridos, sobretudo em tons ocres e azuis.
Esta é uma das principais razões por que as chaminés algarvias ostentam as mais variadas formas, desde as simples ranhuras, aos complicados e belos rendilhados, ou à representação em miniatura de torres de relógio ou de casas.
Mas sempre um símbolo visível da arte popular, uma prova de perícia para cada pedreiro e um motivo de orgulho para qualquer proprietário.

Mais do que pura utilidade, as chaminés algarvias desempenhavam um papel ornamental, sendo prova disso a presença de duas chaminés nas casas de campo, numa região em que as condições climatéricas pouco o justificam.
A chaminé de uso e também a mais simples e mais funcional ficava situada na casa do forno, onde era costume fazer as refeições, enquanto a chaminé rendilhada, mais pequena e personificada, ocupava um lugar de destaque na cozinha da própria casa, compartimento apenas utilizado para receber visitas ou organizar festas.

Em termos práticos, a chaminé era considerada um sinal de presença de pessoas nas casas, um bom indício do estado do tempo e o local onde era marcada a data de construção da casa.

O interior do Algarve, especialmente Querença, Martinlongo e Monchique são os locais onde melhor se podem contemplar estas seculares chaminés algarvias, uma arte de formas geométricas e rendilhados diversos, rematada a cal, que simboliza o prestígio e a vaidade dos proprietários.
Fonte: Dr. Jorge Reis - http://achaminealgarvia.blogspot.com/