Pagª 44 - EDIÇAO NºXLIII , III NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Poemas de Pequenina

Gotas Salgadas

A noite chora
Num lamento de dor
Mistura-se ao ruído do mar
Lágrimas caem…
Sobre a areia branca num apelo
Pés atados…
Sentimentos afundados
Mente estafada, alma acorrentada
Sinto-me só, presa ao nada
Solidão da madrugada
Inserida no meu pensamento
Que como o vento, ruge
Absorvendo-me a cada dia
Gargalhando com ironia
A fé perecida, a desesperança…
Que por vingança…
Me faz sugar as suas gotas salgadas
Respingo das vagas do mar
Impregnadas de incompreensão
Machuca, sangra o coração
Os meus conceitos, meus defeitos
Frutos de fatais enganos…
São pedaços de mim, insanos
São os meus danos…


Caminhante Errante

Mãos rudes, embrutecidas
Pés descalços, nas calçadas da vida
Pernas rígidas e endurecidas…
Trôpegas, mal resolvidas
Passadas curtas…
Inflexíveis, constrangidas
Cansado e humilhado, vai
Um vulto que declina, mas não cai…
Caminhante errante…
Vindo de um remoto passado
Já bem distante
Nasceu, sofreu e morreu…
Morreu em vida…
Limitado dos seus gestos
Sem protestos…
Com a lucidez corrompida
Dolência de uma alma enfraquecida
O querer ser e não poder
O desprazer, os desamores…
As dores, sem favores…
Nada para si, foi um mar de flores
A mudez das portas fechadas
O vai e vem das longas caminhadas
Vida e morte se encontram
Como pedras se acasalam, se defrontam
Na galeria do tempo, empobrecido
Abandonado, envelhecido
A sina de um esquecido...

(Ver mais)

 

 

 

 


 

A mortandade de animais no Zoológico de Goiania

Por Se-Gyn

Hoje, recebi um e-mail repassado pelo meu amigo W., a respeito da misteriosa mortande de animais do zoológico de Goiânia. O número de animais mortos até agora é espantoso: sessenta e nove, num rol que incluem um bisão, um casal de hipopótamos, um casal de girafas, várias capivaras, uma onça, alguns tracajás, um leão e, um jacaré (oh-oh!, será o pobre e velho Jacir, o animal a quem, tempos atrás, os veterinários e biológos do local classificavam como «Jacira»?).

Suponho que o que dizem do diretor do Zoológico de Goiânia, entretanto, não corresponda à verdade dos fatos, até porque, ele - que está a um longo tempo no cargo, tem uma boa folha de serviços no local.

Mas, a questão é que, há meses, os animais do zoo de cidade estão morrendo, um após o outro, independentemente da espécie e, nada se faz para mudar tal situação. Até agora, aliás, ninguém veio a público para dizer ao menos se existe alguma suspeita da causa da morte dos animais ou, qual a providência efetiva para estancar o problema e, quais foram as iniciativas para identificar a causa.

O superintendente do Zoológico, que é aquele a quem cabe as providências imediatas, continua firme no cargo e, com a simpatia da imprensa. O Secretário do Meio Ambiente, não se apresenta para se manifestar sobre o caso, que está afeto à sua pasta e, ninguém vai lá, para despertá-lo para a situação grave e vergonhosa.

Alguns dias atrás, apareceram com uns gambás cuica que os funcionários do zoo haviam capturado e, aos quais atribuiam a morte de oito tracajás. Mas, esses bichinhos danados não podem ser culpados da morte de animais do porte de capivaras, girafas e... hipopótamos!

Me espanta especialmente, no caso, o comportamento distanciado dos goianienses, que evidencia bem o seu desprezo para com um dos mais antigos e, frequentados pontos de turismo de Goiânia, erigido, se não me engano, durante uma das gestões de Venerando de Freitas.

Eis o texto do e-mail que recebi e que tem por título:

«Zoológico de Goiânia - o que está acontecendo?»

«Pessoal, observem a conversa que tive com a ex-diretora do zoológico, o que está descrito abaixo é uma cópia fiel do que ela disse:

«Estão matando os animais por motivos de mudança do zoologico, pra que a população pense que é o local que está matando os animais, mas quando fui diretora lá, o local estava perfeito, quem destruiu o zoologogico, foi o diretor Raphael Cupertino, eu denunciei o trafico e maustratos, e fui exonerada. E assim que agem os politicos. E onde está o prefeito Iris Rezende que até agora nada fez? Se quisesse salvar a vida dos animais já teria demitido o diretor. Mas como o diretor tem muitos parentes politicos importantes... A manifestação está de vento em popa, muitas pessoas confirmaram, tem tb a populaçao de Goiania que está revoltada, que tb vai participar, e, se cada pessoa que for levar alguem, vai ser uma multidão.»

Vamos fazer algo..... não devemos aceitar isso, esta situaçãojá está ridícula ....»

Eu respondi ao meu amigo, em tom de revolta e ironia, recordando fatos do passado:

«Rapaz, se isso acontecesse na Europa, não tenho dúvidas de que caía o Secretário do Meio Ambiente e, estava enterrada a carreira do Prefeito da cidade. Mas, por aqui, ambos fingem de mortos e, a imprensa deixa tudo muito barato - isso, quando os orgãos de imprensa dedicam algum tempinho à verificação e divulgação do fato...

Este acontecimento lamentável, todavia, acabou por me trazer à lembrança uns fatos vividos, anos atrás: tinha um vizinho doidão que se chamava M. e que trabalhava como tratador do Zoológico de Goiânia.

Ele gostava de contar que, na geladeira dele, nunca faltava carne de bicho - em especial coelho (que criavam no Zoo para servir às feras) e, paca. Mas, dizia ele que também gostava de trazer carne de capivara, jacaré-tinga...

Achava que aquilo era leréia. No dia em que fui à casa dele, entretanto, fiquei espantado com a quantidade de couro de animais selvagens e, cascos de tracajás que tinha pendurado pelas paredes de sua vivenda!»

Leia outra crônica minha, relacionada com esta, aqui:

** Voltei em 02.09.09 - um amigo me mandou um e-mail, dizendo que as autoridades tinham justificado a morte de diversos animais. Aí, contabilizei os animais que ele citou, mais os nove tracajás supostamente pelos gambás cuicas e, debetei do quantitativo apontado pela imprensa. Pois, bem: ainda sobrou 77 mortes de animais selvagens inexplicadas...

Se Gyn