Pagª 33 - EDIÇAO NºXLIII
, III NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
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Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Nobel da Literatura para Herta Müller

O Prémio Nobel da Literatura foi atribuído este ano à escritora alemã de origem romena Herta Müller, de 56 anos. A Academia sueca sublinha que Herta Müller consegue, «com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados».
Müller é autora de livros como «O homem é um grande faisão sobre a terra»,
editado em Portugal pela Cotovia, e «A terra das ameixas verdes», publicado a
nível nacional pela Difel.
Nascida a 17 de Agosto de 1953, na aldeia de Nitzkydorf, perto de Timisoara, na
Roménia, estudou alemão e literatura romena na sua terra natal e trabalhou
depois como tradutora numa fábrica de Timisoara, antes de ser demitida das suas
funções em 1979 por se ter recusado a colaborar com a polícia política de
Nicolae Ceaucescu.
Müller acabou por abandonar o seu país em 1987 para ir para a Alemanha com o
marido, o também escritor Richard Wagner. A chanceler Angela Merkel destacou o
simbolismo do Nobel com o aniversário da queda do Muro de Berlim. «Agora, 20
anos depois da queda do muro, é um sinal maravilhoso para toda a elite da
literatura. Este tipo de experiências de vida orgulham-nos pela distinção»,
declarou.
Muller foi sempre uma voz contestatária do regime de Nicolae Ceaucescu, e ganhou
notoriedade com os relatos de vítimas do antigo ditador. Para trás deixou uma
longa luta perdida pela publicação dos seus trabalhos frontalmente críticos ao
regime de Ceausescu, que acabaria por ser derrubado três anos depois de Müller
sair da Roménia.
«É desta forma que eu vejo a minha escrita. Vivi numa ditadura durante 30 anos.
Convidaram-me a sair e o facto da ditadura ter caído três anos depois foi
sorte».
Em 1984 foi distinguida com o Prémio Aspekte e onze anos depois recebeu o prémio
europeu de literatura Aristeion e foi eleita para a Academia Alemã para Língua e
Poesia.
Em 1998, recebeu o prémio irlandês IMPAC, no ano seguinte o Prémio Franz Kafka.
Em 2003, foi galadoarda com o prémio Joseph Breitbach de literatura alemã, em
2004 com o prémio de literatura da Fundação Konrad Adenauer e, em 2006, com o
Prémio Würth de literatura europeia.
Herta Muller tornou-se a décima segunda mulher a receber o Nobel da Literatura.
A entrega do prémio realiza-se no dia 10 de Dezembro.

(500) Dias com Ela - (500) Days of Summer, 2009)

Quem for assistir a este filme esperando uma comédia romântica como estas que lotam os cinemas ano após ano, vai se decepcionar. Já quem está cansado da mesmice dessas comédias românticas que lotam os cinemas ano após ano, vai se surpreender.
«(500) Dias com Ela» é um romance honesto, no sentido mais puro da palavra. Ele
se posiciona na contramão de outros filmes e até músicas que idealizam um amor
perfeito e inatingível. Isso somado a um elenco afiado e uma estrutura bem
diferente faz de «(500) Dias com Ela» um dos melhores filmes do ano.
A narrativa é não-linear, e se utiliza dos números dos dias para posicionar o
espectador no tempo. São os tais 500 dias do título, que envolvem todo o
relacionamento de altos e baixos de Tom e Summer. Ele é vivido por Joseph
Gordon- Levitt, que ficou conhecido ainda jovem na série «3rd Rock from the Sun»
e em «10 Coisas que eu Odeio em Você».
E ela é Zooey Deschanel, que consegue dar mais humanidade para o personagem que
parece interpretar em todos os filmes que faz. O destaque é a pequena Chloë
Moretz, que esteve em «Horror em Amityville» e aqui faz a irmã de Tom que dá
conselhos absurdamente inteligentes ao rapaz.
«(500) Dias com Ela» não é uma comédia romântica normal porque não tenta criar
uma idéia falsa de um romance sem falhas. Logo de início, aliás, o espectador
percebe que o relacionamento de Tom e Summer não está às mil maravilhas, graças
aos pulos entre passado e futuro que a contagem dos 500 dias permite que a
narrativa dê. Não dá para não se identificar com os conflitos dos personagens,
esteja o espectador em casal ou sozinho.

Esta é a estréia em longas-metragens de um diretor de videoclipes chamado Marc
Webb, com um roteiro supostamente baseado em dores do coração verdadeiras
escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber, ambos principiantes, com apenas
o roteiro de «A Pantera Cor-de-rosa 2» no currículo. «(500) Dias com Ela» já
nasceu um novo
clássico, e sua honestidade tem tudo para fazer dele um marco no gênero.
(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer, 2009), 95 min.
Direção: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Chloe Moretz,
Matthew
Gray, Gubler, Clark Gregg, Patricia Belcher, Rachel Boston