Pagª 26 - EDIÇAO NºXLIII , III NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

 

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O Choro

André de Sapato Novo -Czardas - Bolero de Ravel -Noites...Por Roda de Choro de Lisboa (DEIXE CARREGAR S.F.F.) 

O Choro, popularmente chamado de chorinho, é um género musical, uma música popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Os conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou instrumentistas, são chamados de chorões. Apesar do nome, o género é em geral de ritmo agitado e alegre, caracterizado pelo virtuosismo e improviso dos participantes, que precisam ter muito estudo e técnica, ou pleno domínio de seu instrumento. O choro é considerado a primeira música popular urbana típica do Brasil e difícil de ser executado.

O conjunto regional é geralmente formado por um ou mais instrumentos de solo, como flauta, bandolim e cavaquinho, que executam a melodia, o cavaquinho faz o centro do ritmo e um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base do conjunto, além do pandeiro como marcador de ritmo.

Surgiu provavelmente em meados de 1870, no Rio de Janeiro, e nesse início era considerado apenas uma forma abrasileirada dos músicos da época tocarem os ritmos estrangeiros, que eram populares naquele tempo, como os europeus xote, valsa e principalmente polca, além dos africanos como o lundu. O flautista Joaquim Calado é considerado um dos criadores do Choro, ou pelo menos um dos principais colaboradores para a fixação do género, quando incorporou ao solo de flauta, dois violões e um cavaquinho, que improvisavam livremente em torno da melodia, uma característica do Choro moderno, que recebeu forte influência dos ritmos que no início eram somente interpretados, demorando algumas décadas para ser considerado um género musical.

David Russell - Heitor Villalobos - Choro Brasil No.1 LAZARO CARDENAS mich. 

Dentre as composições de Heitor Villa-Lobos, o ciclo dos Choros é considerado a mais significativa. O chorão mais conhecido e activo na actualidade é o virtuoso flautista e compositor Altamiro Carrilho, que já se apresentou em mais de 40 países difundindo o género.

Altamiro nasceu na cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ), em 21 de Dezembro de 1924. Formou seu primeiro conjunto em 1950. Anos mais tarde manteve um programa na TV Tupi, em horário nobre, época em que gravou o seu famoso maxixe «Rio Antigo», conquistando um grande respeito e reconhecimento por todo o Brasil.

 

Actualmente apresenta-se com seu conjunto de choro por diversas cidades brasileiras, com sucesso absoluto. Em um show alegre e descontraído, conta algumas histórias da música popular brasileira ao lado de seu seleccionadíssimo e apurado repertório, que também traz arranjos de música clássica em ritmos brasileiros. Frequentemente, apresenta-se com orquestras sinfónicas por todo o território nacional e em diversos países, exercitando assim o seu lado erudito.

Compositor de versatilidade extraordinária, já compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100 gravações entre discos, fitas e CDs.

 

É um génio vivo, património inegável de nossa cultura! Um grande exemplo de perseverança, amor pelo instrumento e à música – dom de Deus, que lhe permite transmitir ao público: alegria e amor.

 

 

 

 



Poemas de Manuela Pittet

Embalada...

Deixo-me ir , entre guitarras e violinos
abraçada por poetas e brisas várias
nas notas musicais de cada acorde
e sou harpa e piano, instrumento de cada som
neste respirar dançante e melodioso
nem de amor preciso falar
porque em Amor danço e canto...

Estou, em delícia e Sou...
Grutas, fadas, flautas, fontes e rios
numa ciranda grávida de tudo
danço com os fetos que em mim crescem
Abro os braços, deixo cair as minhas mãos
são tantas as ondas que me cercam
rodopio nelas, faço parte delas, SOU
fusiono-me , sinto-me água, ar, fogo, terra, éter
e ainda mais elementos, são mais que cinco
não os sei contar apenas sentir
porque vivo no seu interior
e não no exterior para poder contar
Sinto-me balançar, como que escorregar
não sei descrever, só sei que Sei o que não sei...
só Sei que Sou, e em Sou medito
Em desfile...
Em parada
marco com todos os elementos o compasso

E é vitória, é vitória, é vitória
Amor Bandeira
No interior de cada um
Nesta fusão de Mim!!!

Manuela Pittet in: «Rostos de Amor»
28/11/2006

Ser, sem nenhuma questão...

Tenho marés e luas
sois, brisas e tempestade
que voam e nadam nuas
aqui e por todo o lado...

Tenho também muita garra
sendo um pouco selvagem
sou como a aragem
que nunca ninguém agarra...

Experimento o frio e o calor
que entra e sai neste coração
e assim viajo em estado de Amor
porque o Sou sem nenhuma questão!...

Manuela Pittet, in «Rostos de Amor»

Estrela para um Mago

Chama por mim em verso encantado
Chegarei escorregando em olhos de cetim
Sentirás minha presença a teu lado
De mil cores e perfumes de jasmim

Não pertenço ao reino dos mortais
quando navego em ondas celestiais
meu corpo brilha de todos os cristais
e danço o hino dos imortais...

Trago de minhas águas de afago
presentes de entre as nuvens retirados
que se fundiram em Estrela para um Mago
iluminar todos os seres alados...

Os murmúrios de seus desejos de Luz
pintam cometas nos meus oceanos
surpreendendo o Tempo, algo induz
de maravilha, todos os arcanos...

E quando tudo parece ruír
e em vulcões se desfiguram as montanhas
deixo a Luz em mim fluír
no mais profundo de minhas entranhas

Deixo então todas as transformações
que do Bem-Querer sou capaz de criar
e salpico de ternura todos os corações
com esta força que se chama Amar!


Manuela Pittet
in: «Rostos de Amor»