Pagª 21 - EDIÇAO NºXLIII
, III NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Pelo dia do Mestre
Um
dia basta?
Por Haroldo P. Barboza
Basicamente cada categoria tem seu dia no calendário cívico. Policiais, motoristas, médicos e professores (entre outros tantos) são lembrados pela sua importante participação na cadeia produtiva deste país. O «seu dia» deveria ser motivo de festa e alegria.
No entanto, serve para lembrar com tristeza os demais 364 dias do quanto são relegados e humilhados por normas que não reconhecem os valores que agregam à sociedade. No dia do Professor, cabe-nos uma breve meditação sobre as penúrias que nossa classe desfruta.
Prezados Mestres do Brasil!
Temos plena consciência de que esta laboriosa classe exerce preponderante papel
dentro de nossa sociedade. E esta, neste momento da história, encontra-se
perigosamente adoentada e sem um remédio imediato para recuperação de sua
dignidade esgarçada por sucessivas «normas» educacionais que a cada governo
reduz sua importância (e salário) enquanto aumenta a liberdade (falta de
respeito) dos alunos.
Atravessamos um período conturbado onde todas as áreas sociais (em todas as
esferas) encontram-se abandonadas pelas autoridades e trazendo enormes
transtornos a todos nós. Torna-se desnecessário ilustrar cada carência que
compromete nossa qualidade de vida cotidiana dentro de nosso imenso e maltratado
território. Certamente vocês se defrontam com várias delas ao longo do dia. É
angustiante, desgastante, intrigante e revoltante.
Especificamente aqui, temos consciência das dificuldades que vocês (meus
colegas) enfrentam (até mesmo na área privada) para desenvolver um trabalho
pleno para atender nossos herdeiros: falta de material (inclusive higiênico),
ambientes sem manutenção correta (quedas de quadros, cadeiras, janelas, reboco),
salários indignos (congelados, ao contrário das tarifas), desrespeito dos alunos
(protegidos por estranhos estatutos), diretrizes confusas e em muitas vezes,
falta de apoio gerencial superior.
Estamos perdendo o espaço de formadores de opinião para a boa formação do jovem
cidadão que troca suas palavras (assim como a dos líderes religiosos) pelo ruído
das armas que angustiam nossas famílias.
Situação desconfortável que vocês (principalmente mulheres ainda discriminadas
pelo sistema machista mundial) enfrentam com bravura por mais de 20 anos.
Coragem que nasce do amor que possuem pela digna profissão e pelo recebimento de
carinho por algumas doces crianças.
E ainda precisam aturar alguns pais distantes que só comparecem ao colégio
quando são chamados para explicar o mau comportamento dos filhos ocasionado por
uma orientação familiar deficiente. Ou para reclamar de uma unha quebrada do
filho que caiu da cadeira.
Temos a perfeita noção do quanto é difícil lutar para incutir algo de útil na
mente de nossos herdeiros, numa época em que eles são massacrados pela mídia que
invade nossos lares (tv e Internet) sem nenhum critério de respeito aos valores
morais, familiares e religiosos.
Até porque esta conduta não interessa aos vermes que se encastelaram no poder e
lucram com o caos moral que nos envolve e que nossa inércia não tem forças para
combater com a valentia necessária. Os (e as) chefes de família passam o dia
correndo atrás do sustento e deixam seus filhos sem apoio familiar, sendo
contaminados pelo cenário de sujeira, imoralidade e abandono que circundam as
soleiras de nossas casas.
Nós e outras categorias já esgotamos nossas paciências com este quadro que
oprime nossas famílias e que tende a se eternizar se não mudarmos nosso
comportamento aparentemente acomodado nestes últimos anos.
Não basta ficarmos indignados diante da mídia «amestrada» com as medidas
editadas freqüentemente e que basicamente beneficiam os poderosos grupos que
ditam as regras em nossa terra. Pela lucidez que temos a felicidade de possuir,
precisamos esclarecer com convicção aos que se relacionam conosco diariamente.
Precisamos nadar mesmo que em direção oposta das ondas maléficas.
Afinal de CONTAS, não somos nós que as pagamos? Então temos direito de definir
nossas necessidades e anseios. Algo que líderes governamentais jamais nos
permitiram realizar. Nossos atuais «representantes» públicos pisaram nas
procurações que lhes concedemos através do voto. Suas fotos freqüentam as
páginas policiais dos jornais.
Pelo fato de não fazermos parte de nenhum partido político nem de alguma
entidade relacionada a qualquer um deles (muitos não honram suas próprias
siglas), convidamos vocês para uma reflexão que nos possa fornecer uma luz
dentro da treva cívica que nos envolve.
Reúna seus pares e idealizem uma forma de combate que possa ser disseminada
entre seus alunos para salvar esta terra que será deles em breve.
Nas eleições municipais podemos iniciar a urgente faxina dentro da «casa do
povo» de cada município antes que a lama que brota dos palácios governamentais
penetre em nossos lares em grande escala. Em doses homeopáticas ela já pinga
através da falta de censura oficial e familiar que libera as telas de LCD sem
nenhum critério.
Precisamos engajar nesta empreitada os jovens que nos cercam, pois em síntese, é
para eles que ainda mantemos este país erguido (ainda que cambaleante). Quando
mudarmos de plano existencial, desejamos que eles se lembrem de nós com orgulho,
pelo legado positivo que deixaremos para eles.
Numa coisa estamos alinhados em pensamento: votar nos «mesmos» (e seus
herdeiros) que poluem o cenário político desde o início da década de 80
certamente não vai amenizar nossos problemas. Quanto mais resolvê-los!
Temos a total certeza que a classe dos Professores carrega na alma o orgulho de
ver SUA pátria crescendo e sabendo que sua atuação é a de maior peso nesta
batalha onde a poderosa arma que derruba a ignorância brota de seu espírito
valente: a palavra.
Haroldo P. Barboza – Matemática (infantil) / Informática (adultos) - Vila
Isabel/RJ
Autor do livro: Brinque e cresça feliz.
Nota 1: este texto foi enviado no início de março de 2008 a quase 20 entidades
relacionadas com os docentes do país. Nenhuma resposta (contra ou a favor) foi
devolvida. Silêncio total. Tudo está contaminado e anestesiado ou ainda existe
um fio de esperança? O tal túnel já desabou inteiramente? E a luz que existia
dentro dele ainda tremula no poço de vergonha que habitamos?
Nota 2: em linhas gerais, este «chamado» pode ser adaptado e enviado a outras
categorias profissionais que igualmente estão sendo menosprezadas e
desvalorizadas pelas políticas trabalhistas e sociais em voga em todas as
esferas. Pelo menos para testar se estão «satisfeitas» com o atual cenário ou
ainda possuem forças para lutar por sua dignidade, honrar sua tradição e passar
um belo exemplo aos seus herdeiros.
(Ver ao lado Ao Mestre com Carinho - Arlete Deretti Fernandes - Ver também Coluna de Arlete Piedade)
UNIVERSO RECONFIGURADO
LUIS ATHOUGUIA

exposição de pintura
Até 27 de Outubro
CASA SENHORIAL D' EL REI D. MIGUEL
Rio Maior
... a sua «representação» é bem mais profunda (no tempo e no espaço) que o teor
do sonho, da vigília, do transe, ou mesmo do êxtase, e está muito para além do
alcance da Psicanálise, da História, ou mesmo da Ciência. Isto porque os
conteúdos aprofundados são aqueles da consciência – em si.
Numa condição superior a qualquer sonho, imaginação ou alucinação, a consciência
recriadora deste autor aprofunda a leitura e codificação de anagramas de
memória, circulantes - em potência - na nossa genética.
Por entre as fendas dinâmicas de uma exuberante realidade pré-mítica Luís
Athouguia criou um código próprio pelo qual exprime a harmonia de um jogo entre
opostos.
Luís Athouguia recria em suporte ideogramas da consciência universal, os quais
reflectem (fazendo-nos reflectir acerca de) o desejo radical a todo e qualquer
ser existente, i.é., o querer saber na Natureza e o sentir do mais alto apelo
Cósmico.
Natural de Cascais, diplomado pelo IADE, Instituto Superior de Design de Lisboa,
participou em relevantes Exposições Internacionais, Bienais de Arte, encontros
de Arte Postal e integrou diversos grupos multi-disciplinares e plurinacionais
de Artistas. Desde 1983, Luis Athouguia realizou mais de três centenas de
exposições em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália. Está representado em
museus, instituições e importantes colecções nacionais e estrangeiras e foi
premiado em certames de Arte nacionais e internacionais.

CASA SENHORIAL D'EL REI D. MIGUEL
Rua Serpa Pinto
2040-249 Rio Maior
Tel.: +351 243 999 300
Segunda a Sexta: das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h30
Sábados: das 9h00 às 13h00
CONTACTO: athouguia@gmail.com (+351) 917892703
Ao Mestre com Carinho
Arlete
Deretti Fernandes
«Todo aquele que passa por nossa vida, não vai só,
Deixa um pouco de si e leva um pouco de nós».
No dia «15 de outubro» é a data em que comemoramos em nosso país o Dia do
Professor. Neste dia, em 1827 , Pedro I, Imperador do Brasil, baixou um Decreto
Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil.
Foi somente em 1947, 120 anos após, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor. Iniciou-se a lembrança desta data em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como «Caetaninho».
O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça - inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a idéia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase «Professor é profissão. Educador é missão».
Até os dias de hoje, milhares de professores fazem seu trabalho com amor, com paixão, com muita dedicação. A empatia, a simpatia, a amizade surgida entre mestres e alunos é uma energia que alimenta nossos ideais de amor pela humanidade.
Ensinar, transmitir a outra criatura o conhecimento, dar-lhe orientação, é colaborar com o próprio Criador. Todas as pessoas consideradas de alta cultura e que atuam em cargos e profissões relevantes para uma Nação, como por exemplo, juízes em tribunais, médicos, senadores, governadores de Estado e até Presidentes da República, passaram por professores que os ensinaram desde as primeiras letras.
E difícil é compreendermos o porque da falta de valorização do magistério, em todos os níveis. Ao fazermos um estudo mais profundo, descobrimos como a História da Educação em nosso país teve e tem grandes mestres, mas por outro lado esteve e está atrelada a muitos outros interesses nada nobres.
Parabéns, professor!!!
Ver ao lado - acima - Pelo dia do Mestre - Um dia basta? - Por Haroldo P. Barboza - Ver também Coluna de Arlete Piedade