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Poesia de José Brites Marques Inácio
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Rio Chão; Parecenças; Clarividência
Rio Chão
(JBMI)
Acho-te fluidez de riacho inebriante
vapores de cálida fonte
sob o manto triunfante.
é assim o começo
de um rio travesso
e seu barco primeiro
à sombra do salgueiro.
Sinto-te aridez de deserto petulante
vítrea miragem de infante
e oásis de uma semente.
Corda à ré desatada
trinados escondidos
taça de frutos à proa
voz do vento e gemidos.
São águas, marinheiro do leme,
sereias de corpo inteiro
sedentas de chão firme.
07 de Janeiro de 2012
José Brites Marques Inácio
Parecenças
(JBMI)
Pareceu-me que pereci.
Ou talvez tema
que a alguém
o facto parecesse.
Se bem percebi
só pareceria
o que realmente pereço
quando alguém o percebesse.
Entre aquilo que parece
e o que em mim perece
vou crendo que
o que em suma acontece
será o que a alguém parece ser.
Neste ser e parecer
o melhor é ir perecendo
devagar, claro,
fazendo por não parecer
e por mim perceber
a incerta hora de acontecer.
Até que alguém perceba.
Sem que o pareça, temo.
08 de Junho de 2011
José Brites Marques Inácio
Clarividência
(JBMI)
Sublime-se a Natureza.
Mesmo se é noite sem luar
e se agiganta de tal subtileza
que mil estrelas ardem devagar.
Exalte-se a estonteante seara
de outeiros alvoroçados,
mesmo se a dança é rara
e os braços desnudados.
Cultive-se a física sideral
de fímbrias, clarões e anos sem fim,
mesmo na escotilha de nave vagueando
de noite e perdida, junto a mim.
30 de Maio de 2011
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