Pagª 5 - EDIÇAO NºXLI
, I NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
A Criança
Poema de Francis Raposo Ferreira
Alguém disse
e toda a gente repetiu:
«a criança de hoje
será o homem de amanhã»
mas ninguem viu,
nem o pápá , nem a mãmã,
que a criança não sorriu.
e ao romper da manhã
o sol não nasceu ,
mas a criança cresceu
e a tempestade começou
veio a escola,
a professora o adorou
vieram os exames
e a criança chumbou.
os pais desolados perguntaram
porque a criança não passou!
e a professora respondeu
porque o ministério mandou.
a criança meteu-se na droga
para esquecer o passado.
a sociedade fá-lo marginal
e ele acaba passando droga na capital
o hospital a socorreu
mas a criança morreu
e a sociedade não chorou
a criança que marginalizou.
Angolano Luís Gomes Sambo foi reeleito director regional da OMS Africa para um segundo mandato

Os Estados membros presentes na 59ª sessão do Comité Regional da OMS elegeram
unanimemente Luís Sambo segunda-feira durante a sessão anual do órgão director
regional em Kigali, no Ruanda.
Luís Sambo inicia oficialmente o seu segundo mandato a 1 de Fevereiro de 2010.
Sob a sua direcção, foram feitas várias reformas que contribuíram para a
melhoria dos resultados para a saúde nos últimos cinco anos.
Luís Sambo
formou-se em Medicina pela Universidade Agostinho Neto de Angola e pela
Universidade Nova de Lisboa.
Antes de integrar a OMS, foi vice-ministro da Saúde do seu país de 1983 a 1989.
Ocupou diferentes funções no seio da organização internacional, das quais a do
chefe da Equipa de Apoio Estratégico Inter-Países, representante da OMS na
Guiné-Bissau, responsável da Estratégia Mundial Saúde Para Todos, director da
Divisão de Desenvolvimento dos Serviços de Saúde na representação regional e
director de Gestão dos Programas no escritório regional.
O dia em que a terra parou

Ficção de Valdeck Almeida de Jesus
Salvador amanheceu com uma chuva torrencial. Prédios e condomínios dos chamados bairros nobres desabaram como pedras de dominó, centros comerciais ruíram, afundando em crateras descomunais e as principais avenidas da cidade se transformaram em cânions com correntezas que levaram consigo a riqueza e a pujança da Terra da Felicidade.
A tragédia não foi maior, pois sobraram incólumes os bairros periféricos, suburbanos, invasões e ocupações. Dessa vez os barrancos e as encostas não desceram morro abaixo, nenhum casebre rachou ou foi arrastado à destruição.
Famílias de baixa renda não precisaram ser atendidas nos galpões e casas de amigos e parentes, pois, milagrosamente, a chuvarada não atingiu a população carente da capital da Bahia.
Depois da tempestade a grande descoberta: A nata da sociedade, políticos os artistas renomados desapareceram sem deixar sinal. Por isso, o carnaval desse ano vai ser diferente.
Os blocos afros desfilarão nos principais circuitos da folia momesca. Trios elétricos especiais foram preparados para dar vez à grande parcela de moradores que antes só via a festa pela televisão ou espremida no cortejo festivo do Campo Grande e Barra-Ondina.
Não haverá corda separando o público. Todo mundo vai pular atrás do trio com ou sem abadá. A fantasia será a vontade de se divertir, do jeito que cada um quiser e puder.
Bandas de fundo de quintal, músicos que jamais conseguiram mostrar o seu trabalho nas rádios ou no carnaval vão ocupar todas as posições de destaque e a mídia vai fazer cobertura total.
As imagens e som serão transmitidos via internet, TV aberta e fechada para todo o país sem custo algum.
Os jornais impressos também farão reportagens que serão publicadas e distribuídas para quem desejar reproduzi-las sem pagar nada.
Água, cerveja e comida serão patrocinadas por grandes empresas, apenas pelo prazer de ter seus produtos consumidos pelos soteropolitanos e visitantes de baixa renda.
Políticos e representantes de grupos econômicos não serão admitidos em postos de destaque.
Todos os participantes do folguedo terão tratamento igual e poderão subir nos trios, entrar e sair dos blocos, ocupar os camarotes e espaços vips.
Os governos estadual e municipal não gastarão milhões de reais com a festança, nem amargarão prejuízos ao final da diversão coletiva. As cifras milionárias serão aplicadas em segurança, limpeza urbana, saúde e educação durante o resto do ano.
Tudo isso aconteceu no dia em que a terra parou na Bahia.