Pagª 10 - EDIÇAO NºXLI
, I NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
AUTO DA PRIMAVERA
Poema
de
Sandra Fayad
Do Verão, és alma gêmea - a irmã preferida,
Que lhe coça as costas e massageia o ego.
Se apagas as cinzas e regas de cores a vida,
Em tua presença, a cantar no banho me pego.
Do Inverno, és meio-irmã, mas deves-lhe gratidão:
Sem ele não serias tão prestigiada, tão rainha...
À sua sombra, tomas as rédeas da coloração,
Despertando paixões do amanhecer à tardinha.
Do outono, és prima querida, afinada e generosa:
Juntas alimentam almas e levam perfume à mesa.
Se a uma agradeço por ser de frutos a dadivosa,
À outra rendo homenagens por viver tanta beleza.
Corres o Planeta, carregando no bolso a esperança,
Para presentear os «inverneiros» de plantão.
Há os que te aplaudem desde os tempos de criança,
E os que nem sabem se um dia te aplaudirão.
Mesmo assim vais injetando tons e sabores
Nos poros saudáveis da Mãe-Terra adoentada,
Para mostrar aos homens como podem as flores
Provocar, em suas vidas, a grande virada.
O estranho caso de Benjamin Button
Por
Francis Raposo Ferreira
O filme «O estranho caso de Benjamin Button» fez-me pensar se de facto
não existirá muita gente, mesmo entre os nossos amigos, a quem terá
sucedido o mesmo que ao personagem Benjamim Button, espantados?
Verdade, quantas das pessoas com quem nos cruzamos, não terão vivido uma
experiência semelhante à de Benjamim Button, não que tenham velhos e
caminhado para novos, mas sim porque terão começado a saber o que é
realmente viver, quando já tinham muitos anos de vida, e muitos mais de
sofrimento, quantos nunca conheceram o amor de mãe ou pai, quantos foram
criados a comer o pão que o Diabo amassou e só conseguiram compreender o
verdadeiro significado da palavra família, quando, contrariando as vozes
agoirentas que lhe previam um triste fim, construíram a sua própria
família.
Uma família onde a palavra avós não faz qualquer sentido, mas onde o
amor paterno/materno é uma constante.
Será que afinal não haverá muitos mais Benjamins Button do que aquilo
que possamos pensar, e que aquela história de ficção, não está muito
mais próxima da realidade do que possamos pensar.
Eu acredito que sim, pois, de certeza, nem todos tiveram a felicidade de
terem sido bafejados pelo amor de pai como eu o fui.

O Estranho Caso de Benjamin Button
Título Original: The Curious Case of Benjamin Button
País: Estados Unidos Ano: 2008
Género: Drama Duração: 155m
Realização:David Fincher
Interpretação:Julia Ormond, Cate Blanchett, Brad Pitt, Taraji P. Henson,
Tilda Swinton
Argumento:Eric Roth
«Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais». É assim que começa «O Estranho Caso de Benjamin Button», adaptado a partir da história de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce com oitenta anos e regride na sua idade: um homem, como qualquer um de nós, que é incapaz de parar o tempo. O filme conta a história de Benjamin e da sua «viagem» fora do comum, das pessoas e lugares que descobre ao longo do seu caminho, dos seus amores, das alegrias da vida e da tristeza da morte, e daquilo que dura para além do tempo.
A Coluna de José Geraldo Martinez

O FRIO...
O frio me traz lembranças...
Dias de fondue e vinho!
Edredom cujos sonhos balançam
por tantos momentos e caminhos...
Traz lareira acesa...
Com lenhas ao fogo crepitando!
Toalhas com massas na mesa,
beijos com molho chegando...
Pipocas cheirosas com filmes...
Romances cheios de emoção!
Chá que chega fumegando,
aconchego no coração...
O frio me traz lembranças...
De cometas riscando o céu, levianos!
Banheira de espuma aquecendo,
à espera do nosso banho.
A cama posta e branquinha...
O quarto no aquecedor!
Aquele cheiro de amor atrevido,
debaixo do cobertor...
Palavras inconfessas
ditas à meia-luz...
Por testemunha ninguém!
Além de nossas sombras na parede,
trazidas por um abajur!
O frio me traz lembranças...
Saudade no coração!
Falta de qualquer temperança,
ao amor partido em vão!
«Quando te separares de um amor, não te preocupes, pois o que tu amas nele pode
tornar-se mais claro com a sua ausência, assim como para o alpinista a montanha
aparece mais clara vista da planície.»
Gibran Khalil Gibran
BOLA DA VEZ !
Quem sou eu agora nesta noite infinita...
Um ponto que a natureza ignora,
um homem frágil que chora,
a sua própria pequenez !
Aquele que teve por desdita,
a solidão junto a mim, já prescrita,
tornando-me a bola da vez!
Solidão maldita!
Cumpres de tua vida, os deveres...
Olhos de águia, rapina
que neste universo peregrina,
encontra-me entre milhões de seres!
Justo a mim
que anda com a alma esfolada,
perdido em mil estradas,
de braços com teus prazeres ?
Já não bastam as pedras esparramadas,
as duras chicotadas e
as lições do meu caminho?
Faze-me um ser minguado,
e tu, meu cavalo alado,
com tua cara, sozinho!
Como se pouca fosse minha tristeza
e meu amor tivesse fim.
E, nesta tua avareza,
deixa-me a alma em pobreza,
com ela distante de mim!
Trocas comigo de lugar?
Entenderás o que é amar
e o quanto é ruim a tua presença!
Vais torcer para ela voltar
e de vez abandonar,
a maldade que tu alimentas !