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, I NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
COLUNA DE ABILIO LIMA
Tem como actividades principais a de Formador, de Consultor Técnico e a
Prestação de Serviços e Apoio Técnico a Entidades do Sector Agrícola.
Para além da sua actividade profissional é Conferencista da Team Europa que
é uma rede de conferencistas independentes da Comissão Europeia
especialistas em temas específicos da União Europeia, existentes em diversos
pontos do país e que estão disponíveis para intervir em conferências,
seminários, debates, iniciativas nas escolas, acções de formação, ou para
contribuir com artigos na imprensa e programas de rádio, nomeadamente a
nível local.
Abílio
Lima é Engenheiro Agrário com larga experiência na sua área profissional e
no campo da formação e desenvolvimento de projectos.
Neste jornal Abílio Lima desenvolve a parte noticiosa e informativa dos
eventos que têm lugar a nível comunitário relacionados directa ou
indirectamente com Portugal ao mesmo tempo que presta os esclarecimentos
que lhe forem solicitados sobre programas comunitários, formas de
candidatura a programas comunitários e de uma forma geral tudo o que esteja
relacionado com a União Europeia.

O novo Prémio da União Europeia para a Literatura distingue doze autores europeus em início de carreira
No Teatro Flagey, em Bruxelas, 12 autores europeus em início de carreira receberam o novo Prémio da União Europeia para a Literatura durante uma cerimónia que reuniu cerca de 800 individualidades da cena cultural europeia. O Presidente José Manuel Barroso e o escritor Henning Mankell abriram o evento com um diálogo sobre literatura, tendo concluído que o verdadeiro valor do prémio será a sua capacidade de fazer passar a literatura através das fronteiras da Europa e para além dela. Desenvolvimento em IP/09/1369.
Antitrust: A Comissão adopta um novo regulamento de isenção por categoria relativo aos consórcios de transportes marítimos regulares
A Comissão Europeia adoptou um novo regulamento de isenção por categoria, que revê a actual isenção a favor dos consórcios de transportes marítimos regulares da proibição de práticas comerciais restritivas prevista no Tratado CE (artigo 81.º). O actual Regulamento n.º 823/200 de isenção por categoria relativo aos consórcios de transportes marítimos regulares, cuja vigência termina em Abril de 2010, permite que a companhias de transportes marítimos regulares cooperem ente si com o objectivo de prestar um serviço conjunto de transporte de mercadorias (designado «consórcio»). O novo regulamento prorroga por mais cinco anos, até Abril de 2015, o actual período de isenção relativo a tal cooperação e define um novo quadro legislativo e económico. Mais Desenvolvimento em IP/09/1367.
Campanha Alimentação Saudável «A equipa dos sabores» - Uma nova iniciativa da UE para promover hábitos saudáveis e uma dieta equilibrada entre as crianças
Mariann Fischer Boel, Comissária responsável pela Agricultura e pelo Desenvolvimento Rural, lançou a 28 de Setembro uma nova Campanha Alimentação Saudável para as crianças europeias em idade escolar. Sob o lema «Come, bebe e mexe-te!», três exposições itinerantes percorrerão sete países europeus, dando às crianças a oportunidade de participar em actividades educativas e lúdicas. A Comissão Europeia lançou também um sítio Web interactivo, concursos e outros eventos tendo em mente um grande objectivo - mudar os hábitos alimentares das crianças. Para ajudar a fazer passar a mensagem, a campanha contará com o apoio da campeã de ténis belga Justine Henin e do recordista do Guinness, de 8 anos de idade, Rosolino Cannio. Informações em IP/09/1366.
Consumidores: a UE adopta medidas para limitar os riscos sanitários que resultam da exposição ao ruído dos leitores de música portáteis
Na sequência de uma decisão adoptada a 28 de Setembro pela Comissão Europeia, os consumidores passarão a beneficiar da aplicação de novas definições por defeito nos leitores de música portáteis para garantir níveis seguros de exposição ao ruído e da utilização de advertências claras sobre os efeitos adversos de uma exposição excessiva a níveis sonoros elevados. Em Outubro de 2008, o Comité Científico da UE (CCRSERI) alertou para o facto de a utilização de leitores de música portáteis num volume elevado, por um período prolongado, poder provocar danos irreversíveis à audição. Entre 5% e 10% dos ouvintes correm o risco de perder a audição de forma permanente. Esta percentagem refere-se às pessoas que normalmente ouvem música durante mais de 1 hora por dia com o volume muito elevado. Calcula-se que possam estar em risco até 10 milhões de pessoas na UE. A Comissão Europeia mandatou a 28 de Setembro o CENELEC (o organismo de normalização da UE) no sentido de serem estabelecidas novas normas técnicas de segurança. Mais Informações em IP/09/1364.
A Comissão recupera dos Estados-Membros 214,6 milhões de euros de despesas da PAC
A Comissão Europeia adoptou a 29 de Setembro uma decisão que implica o reembolso de um total de 214,6 milhões de euros indevidamente gastos pelos Estados-Membros no quadro das despesas agrícolas da União Europeia. Esse montante reintegra o orçamento comunitário em consequência do incumprimento das regras comunitárias ou da aplicação de procedimentos de controlo inadequados às despesas agrícolas. No quadro da política agrícola comum (PAC), os Estados-Membros são responsáveis pelos pagamentos e pela verificação das despesas e a Comissão deve assegurar a correcta utilização dos fundos. Desenvolvimento em IP/09/1375.
COLUNA DE TOM COELHO

A Escolha da Profissão
Por Tom Coelho
«Antigamente publicitário era aquele que tinha largado o curso de jornalismo.
Hoje, publicitário é o cara que largou o curso de publicidade.»
(Eugênio Mohallem)
Uma análise do Censo de 2000 do IBGE feita pelo Observatório Universitário indicou a correlação entre a profissão exercida e o curso superior realizado pelos profissionais.
Enquanto 70% dos dentistas, 75% dos médicos e 84% dos enfermeiros trabalham na
mesma área em que se formaram, apenas 10% dos economistas e biólogos e 1% dos
geógrafos segue o mesmo caminho.
Exame atento de outras profissões ainda nos indicará que apenas um em cada
quatro publicitários, um em cada três engenheiros e um em cada dois
administradores faz carreira a partir do título que escolheu e perseguiu.
E evidente que faltam vagas no mercado de trabalho. O emprego formal acabou. Se
nas décadas de 1960 e 1970 o paradigma apontava como colocação dos sonhos um
cargo no Banco do Brasil, na Petrobras ou em outra empresa pública; nos anos de
1980 experimentamos o boom das multinacionais e empresas de consultoria e
auditoria, que recrutavam os universitários diretamente nos bancos escolares; e
na década de 1990 o domínio de um segundo idioma, da microinformática e a posse
de um MBA eram garantia plena de uma posição de destaque, nada disso se aplica
hoje.
As grandes empresas têm diminuído o número de vagas disponíveis e são as
pequenas companhias as provedoras do mercado de trabalho atual.
Ainda assim, a oferta de trabalho é infinitamente inferior à demanda – e,
paradoxalmente, muitas posições deixam de ser preenchidas devido à baixa
qualificação dos candidatos.
Assim como todos os produtos e serviços concorrem pela preferência do
consumidor, os profissionais também disputam as mesmas oportunidades.
Engenheiros que gerenciam empresas, administradores que coordenam departamentos
jurídicos, advogados que fazem estudos de viabilidade, economistas que se tornam
gourmets. Uma autêntica dança das cadeiras que leva à insegurança os jovens em
fase pré-vestibular.
Há quem defenda a tese de que adolescentes são muito imaturos para optar por uma
determinada carreira. Isso me remete a reis e monarcas que com idade igual ou
inferior ocupavam o trono de suas nações à frente de grandes responsabilidades,
diante de uma expectativa de vida da ordem de apenas trinta anos...
O que falta aos nossos jovens é preparo. Um aparelhamento que deveria ser
ministrado desde o ensino fundamental através de disciplinas e experiências
alinhadas com a realidade, promovendo um aprendizado prazeroso e útil,
despertando talentos e desenvolvendo competências.
Um ensino capaz de inspirar e despertar vocações. Ensino possível, porém
distante, graças à falta de infra-estrutura das instituições, programas
curriculares anacrônicos e, em especial, desqualificação dos professores.
Em vez disso, assistimos a estudantes com dezessete anos de idade, onze deles ou
mais na escola, que às vésperas de ingressar no ensino superior sequer conseguem
escolher entre Psicologia e Comunicação Social, entre Arquitetura e Educação
Física, entre Veterinária e Direito.
A escola e a família devem propiciar ao aluno caminhos para o autoconhecimento e
descoberta da própria personalidade e identidade.
Fornecer informações qualificadas e estimular a reflexão, exercendo o mínimo de influência possível. Muitos são os que direcionam suas carreiras para atender às expectativas dos pais, aos apelos da mídia e da moda, à busca do status e do sucesso financeiro, em detrimento da auto-realização pessoal e profissional.
E acabam por investir tempo e grandes somas de dinheiro numa formação que não
trará retorno para si ou para a sociedade.
Orientação vocacional não se resume aos testes de aptidão e questionários.
Envolve conhecer as diversas profissões na teoria e na prática.
Permitir aos estudantes visitarem ambientes de trabalho e ouvirem relatos de profissionais sobre os objetivos, riscos, desafios e recompensas das diversas carreiras.
Tomar contato com acertos e erros, pessoas bem sucedidas e que fracassaram.
Provocar o interesse e, depois, a paixão por um ofício.
Precisamos voltar a perguntar aos nossos filhos: «O que você vai ser quando
crescer?».
A magia desta indagação é que dentro dela residem os sonhos e a capacidade de vislumbrar o futuro.
Aliás, talvez também devamos colocar esta questão para nós mesmos, pais e educadores...
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite www.tomcoelho.com.br.