Pagª 27 - EDIÇAO NºXLI
, I NUMERO DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti
Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.
Poesia de Pequenina
Esquecer a vida
Quero esquecer a vida
E o tudo o que me acerca
Viver com a realidade
Sem luxos, e sem vaidade
Ser livre, com liberdade.
Quero comer «pamonha»
Do milho verde, tenrinhos
Feita na casca, em tubinhos
Dos céus, o melhor manjar
Melhor que este não há.
Quero dormir na rede
Olhando de perto o teto
Por folhas secas coberto
Ver a chuva regando a horta
E o galo a cantar a porta.
Pisar na terra molhada
Com os gansos a dar risadas
Ao verem-me despenteada
Muge o rebanho no curral
Os pássaros fazem o coral.
Quero ter luzes vagando
Com os pirilampos piscando
Voando daqui para acolá
Nas densas matas verdinhas
No alto das «Andorinhas».
Onde o plantio é fecundo
Num paraíso de um mundo
Tão pobre e tão desgastado
Ali, vou sepultar o meu fado
E com ele, todo o passado.
Poesia de José Manuel Veríssimo

Noite e Sombra
É(é) nas sombras da noite
Que as velas se acendem
Os incensos se queimam
E o bruxulear das estrelas
Brinca connosco
Em magia difusa e poliforme.
O Sol
Cansado ou envergonhado
Dorme....ou se esconde
Quem dera o sortilégio
De uma chuva de sal
Mesmo daquela que greta
As pálpebras
As faces
As rugas
A tal que traz
«o Bem e o Mal»
Para os novos velhos insaciados
Caminhantes surdos
Que se consomem
Nas noites das misturas
Entre nomes e sons
Gritados
Que se não ouvem
Pelos momentos a viver
Ou já vividos
Em ânsias
De novas fomes
A «euforia»
Dos tímpanos torturados
Em carências
De trilhos
De gente
De falsa alegria
De demências
Nem ácidos
Nem regras
Nem estrelas
Nem os velhos lugares queridos
Nem pássaros tímidos
Impossíveis de reconhecer
Flores
Rios escondidos
Entre veredas na penumbra
Verdades que a fluorescência cega
E onde a claridade directa
Ou é sombra
Ou nem sequer chega
Seixal 18.07.2009