Pagª 11 - EDIÇAO NºXLI , I NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         


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Maria da Fonseca - Poemas Infantis

Visita ao Zoo - (1ª parte)

- Amanhã vamos ao Zoo,
Vamos ver os animais,
Podem brincar no jardim. -
Prometeram os seus Pais.

Com risos e muitas palmas,
Os quatro irmãos festejaram.
Contentes e excitados,
Muito felizes ficaram.

A Joana e o Tiago,
A pesar de mais velhinhos,
Nem sempre conseguem ser
O modelo dos maninhos.

O David muito esperto
Faz parceria co' a Rita.
Todos comeram a sopa,
Só a pensar na visita.

E lindo o Jardim Zoológico,
Com espécies variadas.
Vindas de todo o planeta,
Sempre muito bem tratadas.

E foi vê-los, no outro dia,
Regressarem do jardim.
A pesar do seu cansaço,
Inda falavam assim:

- Gostei muito das girafas,
Graciosas, as vedetas.
- Têm o pelo amarelo,
Cheiinho de manchas pretas!

- E o pescoço tão comprido!
Podem comer facilmente,
As folhas tenras das árvores, -
Disse a Mãe que está presente.

- Têm de ir para a caminha,
Amanhã é dia de aulas. -
E a conversa não parou.
- Mas, e os macacos nas jaulas?

- Não, esses são os gorilas -
Explica lesta a Joana.
- Eles podem ser perigosos,
Mas também comem banana.

- Na aldeia, os macaquinhos,
É que passam bem o dia,
Brincalhões e curiosos,
Todos guincham de alegria.

- Para mim são os mais giros -
Dizia a Rita encantada.
- Saltando de casa em casa,
Não acertam na morada.

As crianças todas riram,
E a Mãe, apertando os lábios,
- Vamos lá mas é deitar,
Amanhã falam os sábios!

Esta alusão aos mais velhos,
Fez calar a pequenada.
- Não esquecer o Pai Nosso,
E, uma noite descansada...

Lisboa, 23.10.2001


Visita ao Zoo (2ª parte)

São cinco horas da tarde,
Estão todos a lanchar,
E a criançada contente,
Nos bichos volta a falar.

- E o pinguim de casaca,
Como diz a nossa Mãe.
- Os noivos para casar,
Vestiam assim também!

- Eu tive pena dos ursos,
Com todo aquele calor!
O seu lindo e farto pêlo
Dá-lhes um ar sofredor!

- Como estão impacientes!
Sentam-se no chão molhado,
Depois logo se levantam,
E balançam-se de lado.

- Lembram-se das tartarugas ?-
Pergunta a Rita animada.
- Estão dentro duma concha,
Muito forte e abaulada.

- Com a cabeça de fora
E as quatro patas também,
Fazem bonito na água,
Porque nadam muito bem .-

As crianças continuam,
Sempre muito interessadas.
- Viram bem o elefante,
Com suas pernas pesadas !-

Comenta o David atento.
- E para tocar o sino,
Aceitou na sua tromba,
A moeda do menino.

- Também a zebra é curiosa
Com o seu pêlo listrado -
Diz a Mãe que, com carinho,
Os serve de mais gelado.

- E qual é o rei da selva?
- É o leão - gritam em coro.
Tem uma juba tão grande,
E porta-se com decoro.

Mas, a merenda acabou.
Os mais velhos vão estudar,
Enquanto os mais pequeninos
Se entretêm a brincar.



Lisboa, 3.11.2001


Visita ao Zoo (3 ª Parte)

- Vou ter educação física -
Diz o Tiago animado.
Dá um beijo aos seus Pais,
E sai de casa apressado.

A Joana vai co'a Mãe,
Que leva o David e a Rita.
Vão de carro até à escola,
Tagarelas à compita!

Buliçosa e traquinas,
A Rita é a que mais fala,
E ainda que lhe peçam,
A menina não se cala.

- Quero pedir à Inês,
Que me empreste os lápis dela.
Vou pintar o papagaio
A espreitar pela janela.

- Onde deixaste os teus lápis ?-
Pergunta a Mãe espantada.
- Perdi-os, vou comprar outros
Com a minha semanada.

- Oh! minha rica menina,
Que cabecinha de vento!
Veja lá se perde a língua,
Quando é que ganha tento? -

- Ela não sabe dos lápis?!
Pu-los em cima da mesa -
Confessa o David alegre,
Resoluto na certeza.

- Eu ontem fiz um desenho,
Inspirado no Jardim.
Tenho um lindo carrossel,
Todo pintado por mim.

A conversa acha graça,
A Mãe, que vai a guiar.
- Ainda a visita ao Zoo,
As crianças, a encantar!

- Estamos quase a chegar,
Bom estudo, juizinho,
Até logo mais à tarde.
Venho buscar-vos cedinho.

Lisboa, 10.11.2001

 

 


JORNADA CREPUSCULAR

Multidões

Por Mário Matta e Silva

«Entrámos no novo século sem bússola. Desde os meses iniciais, ocorrem eventos inquietantes que levam a pensar que o mundo conhece um desregramento considerável e em vários domínios ao mesmo tempo – desregramento intelectual, desregramento financeiro, desregramento climático, desregramento geopolítico, desregramento ético.» - AMIN MAALOUF inicia assim o seu último livro, que acabo de ler: «UM MUNDO SEM REGRAS» cuja leitura aconselho.

Nesta minha jornada, iniciada no dia 11 de Setembro, de má memória, olho o crepúsculo de forma crispada, sentindo um arrepio percorrer-me o corpo. Tudo o que gira à minha volta mostra-me este desregramento de que nos fala Maalouf, num mundo egoísta e doente.

Olho os ecrãs de televisão e sou invadido por multidões que se misturam neste ou naquele pedaço de terra por onde circulam bandeiras e partidos em busca dos seus votantes, em plena campanha eleitoral.

Os discursos têm a forma de embrulhos envenenados, nos programas eleitorais e nas promessas que atiram ao ar na esperança de engrossarem as suas plateias. As arruadas ou os comícios em locais fechados animam-se de palmas, de gritos, de slogans, de histerias, de beijos, palmadinhas nas costas, acenos, sorrisos, acusações mutuas… as imagens falam por si de um regime democrático de onde ressalta o aumento do nosso endividamento e do elevado número de desempregados.

Há multidões para todos como se não trabalhássemos em Portugal durante estes dias de campanha eleitoral. Como é possível juntar-se tanta gente à roda das palavras de ordem. Todos os males do mundo ficam pelo caminho como a saúde, a justiça, a educação onde o tal desregramento é bem patente.

Todos sonhámos com uma democracia sã, palpável, humana, abrandando o desregramento geopolítico que também nos sufoca. Em vez disso, os negócios escuros, os malabarismos na banca, os endividamentos, as obras sumptuosas, a desumanização para com os desempregados, a perseguição aos professores, a falta de resposta do Serviço
Nacional de Saúde, fazem esquecer esses males maiores que afligem a humanidade no seu plano mundial, como a crise de mentalidades, de culturas, de religiões ou como os de carácter físico – planetário, onde podemos incluir o buraco do ozono, as diferenças climatéricas… tudo isto a ameaçar um futuro mais próximo do que se pensa.

A jornada vai longa por estes meandros de politica que hoje vivemos em Portugal, acossados por dois actos eleitorais seguidos, tornando o País um palco de artistas, brilhando no seu «votem em mim», numa animação permanente que abrange as alas da esquerda e da direita, nas grandezas e nas fraquezas que cada um dos partidos tem
para oferecer.

Tudo no melhor dos aplausos dessas multidões que se deslocam, animadas, volúveis, histéricas, fazendo coro com os seus eleitos, os seus «endeusados», lavados em glória, por becos, ruas, salões, no mais aviltante desprezo pelo que vai por esse mundo, feito de injustiças e de misérias.

Por todos os altos orçamentos gastos nas campanhas eleitorais, que querem americanizadas, assentam as incoerências do que se propaga para o que se pratica. UM autentico crime é o que se gasta nesta euforia sendo todos nós, os contribuintes, a pagar essa onda democrática que se repete de quatro em quatro anos, quando não menos, se a legislatura ficar pelo caminho.

A farsa continua perante a passividade de muitos daqueles que ficam em casa a ver tão desgovernado arraial partidário. Perante as cores diversas que me mostra cada crepúsculo eu gozo de espanto como as sociedades são perversas, quando animadas em tanta falsidade, tanto cinismo, tanta hipocrisia que as campanhas eleitorais nos oferecem… chamando a estes animados espectáculos, pela conquista do poder de «democracia plena».

Vale tudo! Mas valha-nos isso: realmente é preciso atacar o deficit democrático, como o que vivemos recentemente na comunicação social, ou melhor, na tão desejada liberdade de imprensa. Neste caso, infelizmente, também não faltou esse desregramento ao qual as multidões aceitam de forma tão passiva!
11.09.2009

 

Comentários ao Jornal e Colaboradores

De: ACAS

Para = Se Gyn

«O mendigo de São Caetano» ou a «A Valsa do Mendigo».Tenho maior gosto por este tipo de crônica; basta reportar-se para os meus textos «Prosa debaixo d´água....».

O jovem escritor tem muito talento. Parabéns a ele e parabéns a nós, colaboradores do Raiz on Line, que fazemos esta festa lusófona todas as semanas. Pena que eu já esteja perdendo o pique... .

Mas, o Se Gyn, dentre outros, levarão o estandarte lusófono-brasuca por caminhos nunca dantes percorridos, parodiando o dito luso"por mares nunca dantes navegados". Feliz ingresso ao Raiz, talentoso escritor Se Gyn..................

De : ACAS

Para: Tico (Zé Pedreira da Cruz

«As Cerejeiras do Japão»........

Meu estimado colega de vários anos, o Tico falou bonito ao cantar as árvores floridas neste quase início de primavera. Fico feliz porquê eu também publiquei um texto sobre árvores floridas, o «Ipês».

O Tico tem uma sensibilidade fantástica. É um «monstro», no melhor sentido da palavra.

Parabéns tico, porém não deixe de me presentear com aqueles textos da «boa terra», com lavradores, jumentos, bodes, cabras,emas e muita animação. ...........

DE: ACAS

Para: João (da Praia) Furtado

Qualquer texto que ele escreve João da Praia é um grande sábio e grande escritor.

Fico me coçando de curiosidade á cada semana para ler seus artigos e textos repletos de universalidade, ainda que caboverdeanolusófono.

sempre gentil e sempre sábio................

De: ACAS

Para: Daniel Teixeira

Ipês verdes do ACAS

Mais que um editor, um irmão das letras. Não sei o que seria de nós todos que estamos aqui colaborando, cada um à sua maneira com o Raiz on Line. Mas, o fato dele dispor de seu precioso tempo para pesquisa e abrilhantar com imagens inéditas meu texto Ipês, já me permitem agradecer ao irmão luso que tenho.

Hoje é o ano Novo Judaico; ano 5770. Que o Daniel tenha um ano doce, junto com as Arletes e João da Praia e a professora Denise.

Um abraço à Ilona, Marias /Fonseca e Petonilho, Cambeta, Cecílio (amo esse escritor caipiracicabano; o Tom, Pequenina e todos estes craques que integram nossa equipe (desculpem lusos=> equipa, eu quis dizer).

De: Sandra Fayad

Mensagem = Sobre a Coluna de Arlete Piedade: Belo histórico da evolução das ações para proteção da camada de ozônio! Só me incomoda o fato de que essas ações levam décadas em processo de discussão, enquanto muito pouco é feito de fato.

São reuniões caríssimas, papelada para lá e para cá e resultado quase nulo, senão nulo, senão negativo.

Acho que a humanidade (de seres eretos) que aí está só se preocupa com o hoje, o seu hoje.

Um abraço

Beijos

De: Sandra Fayad

Mensagem = Sobre Jornada Crepuscular, do Sr. Mario Matta e Silva:

Enquanto aí os parlamentares se aplaudem veementemente, aqui no Brasil encenam peças de humor negro que nos tiram o sono.

Mentiras? são flocos de algodão perfumado.

Um grande abraço

De: Sandra Fayad

Mensagem = Sobre o comentário de Haroldo P. Barboza:

E pensar que o pré-sal, se for for possível, é um projeto para daqui a 12 anos. Nosso atual Governo usa isto como propaganda institucional hoje.

A vida do cidadão comum e a preservação do meio ambiente? Só se der lucro para quem decide.

Parabéns pela análise.

De: Deth Haak
Bênçãos Mana! Esse lugar de tão mágico, vive a aguçar a imaginação. Parabéns pela divulgação de sitio tão precioso.
Deth Haak «A Poetisa dos Ventos»

De: Ilona Bastos

Acabei de ler, com alguma emoção e muito prazer, alguns textos de Arlete Piedade e de Tom Coelho. Excelentes! Não quis deixar de vos dar conta do meu entusiasmo. Os meus parabéns aos Autores e ao Raizonline.
Abraços, Ilona Bastos

De: Lurdes
Antônio Carlos Affonso dos Santos - ACAS
Olá! Eu sou a Lurdes, sou portuguesa, e sou morena de olhos negros tal como a protagonista do teu poema, revejo-me nele, tb tenho um jardim que gostaria que estivesse um pouco mais cuidado, tb tenho um pomar mas apenas de laranjeiras... olha está LINDO... continua
Até breve,
Lurdes Louro

De: Antonio Carlos Affonso dos Santos
Lurdes,
Muito grato por ter gostado de meu despretensioso texto.
ACAS