Pagª 44 - EDIÇAO NºXLI , I NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

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Caminhante Errante

Poema de Pequenina

Mãos rudes, embrutecidas
Pés descalços, nas calçadas da vida
Pernas rígidas e endurecidas…
Trôpegas, mal resolvidas
Passadas curtas…
Inflexíveis, constrangidas
Cansado e humilhado, vai
Um vulto que declina, mas não cai…
Caminhante errante…
Vindo de um remoto passado
Já bem distante
Nasceu, sofreu e morreu…
Morreu em vida…
Limitado dos seus gestos
Sem protestos…
Com a lucidez corrompida
Dolência de uma alma enfraquecida
O querer ser e não poder
O desprazer, os desamores…
As dores, sem favores…
Nada para si, foi um mar de flores
A mudez das portas fechadas
O vai e vem das longas caminhadas
Vida e morte se encontram
Como pedras se acasalam, se defrontam
Na galeria do tempo, empobrecido
Abandonado, envelhecido
A sina de um esquecido...

(Ver mais)

 

 

 

 


 

A Jacira era braba pra danar - batia até morrer...

Por Se-Gyn

Anos atrás, no Zoológico de Goiânia, Jacira, a jacaré fêmea, era famosa e, o seu sítio era, talvez, o mais visitado do local.

E, as visitas, em parte, decorriam da fama de ser o maior espécime de jacaré existente em cativeiro, no país - de fato, impressionava vê-la ali, soberana e folgada, à beira do poço, coma bocarra semi-aberta e, o corpanzil exposto ao sol e, com a cara de sempre, isto é, de poucos amigos.

Mas, as visitas também decorriam de sua fama de fêmea valente e mortal, que, ao longo dos anos, desafiou aos esforços dos profissionais do zoo, na tentativa de realizar seu acasalamento.

Com efeito, ao longo dos anos, se repetia a notícia de que os veterinários e biólogos do parque haviam trazido um espécime macho para acasalar com Jacira e, dias depois, suceder a notícia de que, ela havia trucidado mais um companheiro que haviam solto em seu poço, para emprenhá-la.

Os anos foram passando e, nada mudava: Jacira atacava e, batia até matar, nos pobres jacarés ofertados para matrimônio.

Aí, os profissionais do Parque Zoológico de Goiânia, encafifaram com aquele estranho comportamento da bela e feroz fêmea de jacaré e, resolveram então, submetê-la a toda sorte de exames, para tentar verificar a causa de sua recusa ao chamado da natureza para a reprodução.

Colheram amostra de tecidos, sangue, e tudo o mais, e enviaram para os laboratórios, requerendo uma série de exames, contagem disso e aquilo, verificação da presença de hormônios tais e tais e, outros assim.

Certo dia, estava em Goiânia um renomado biólogo, cuja especialidade de estendia às espécies de jacarés encontradas no país. O pessoal do zoológico o convidou para ir até o zoológico e ver de perto o caso da beata Jacira.

Chegando lá, o biólogo bateu o olho e, a fitou por um longo tempo, verificando seu biotipo e dimensões. Depois de algum tempo, pediu que imobilizassem e anestesiassem o animal, para exames.

Foi uma trabalheira, mas atenderam ao pedido.

De luvas de borracha na mão começou uma série de exames e toques por diversas partes do imenso corpo do bicho.

Depois, sentenciou:

- Não haveria como acasalar este espécime com outro macho, pois a Jacira aqui não é Jacira - é Jacir!