Pagª 1 - EDIÇAO NºXLI , I NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


As olimpíadas estão chegando

Por : Haroldo P. Barboza

Resenha antecipada dos jogos olímpicos.

O Brasil «ganhou» o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016, conforme provável decisão do clube de Bilderberg. A «votação» serviu como mera formalidade para atender à programação das tvs. Votação secreta eletrônica. Não vimos nenhuma cédula sendo depositada. Devem ter usado o mesmo esquema brasileiro, onde «votamos» e não temos a materialização que permita a conferência do resultado.

Mas a mídia fez o povo acreditar que foi pelo «entusiasmo» do povão. «Provaram» isto através da presença de um aglomerado de banhistas no bairro de Copacabana. Esperavam quase 100.000 mas não conseguiram nem a metade. Conseguiram juntar quase 30.000 usando os seguintes artifícios:

- Marcaram o encontro na praia, que com sol a pino, já garantiria uns 10.000 banhistas.
- Convidaram bons cantores para o palco montado na areia. Este fato deve ter atraído mais uns 18.000 adeptos.
- O Município e o Estado decretaram ponto facultativo. Pelo menos mais 1.500 funcionários devem ter aproveitado a oportunidade de desfrutar da praia.
- Os demais 500 presentes faziam parte da turma de vendedores ambulantes e pivetes de plantão.

Se tivessem promovido uma enquête no Largo da Carioca (e mais 5 ou 8 praças do Rio) com uma cabine eletrônica permitindo que os passantes escolhessem entre «aprovo» e «não aprovo» certamente teríamos um bom termômetro para medir o tal «entusiasmo».

Com a citação constante de que «vencemos» (o que?), a enorme parcela sofrida da população (a que chama de «gênio» o inocente do «Big Besta Brasil» que pronuncia uma frase de 5 palavras) vai continuar se alimentando de «orgulho», apesar do estômago solicitar vitaminas.

Com certeza o evento trará alguns ganhos para o país. Mas a lei da contabilidade é cruel. Para que uns ganhem, outros precisam perder. Como no mercado de ações. Na nossa ótica, podemos avaliar os ganhos e perdas em diversos segmentos no resumo abaixo.

Não esquecendo que 95% dos melhoramentos na cidade ficarão restritos ao «perímetro olímpico do Rio» (PORJ) que circunda os trajetos percorridos por atletas, fornecedores, jornalistas e autoridades do evento.

Bairros como Cascadura, Encantado, Olaria e adjacências continuarão com ruas esburacadas, sem asfalto, sem lâmpadas e sem policiamento.

A tal mídia alardeia que o Brasil vai ganhar muito. Com certeza uma grande parte do mundo vai descobrir que Buenos Aires não é nossa capital. Mas a miséria que habita 90% dos Estados do Norte e Nordeste tende a piorar, pois recursos financeiros serão desviados para custear as obras do evento esportivo.

O Estado do Rio também vai inchar suas favelas. Vários desempregados de outros Estados virão para cá em busca de trabalho.

Diversos políticos vão usar esta «euforia» como trampolim político já em 2010.

Nos próximos 7 anos várias categorias terão empregos garantidos e aumento de renda, tais como: motoristas, garçons, guias de turismo, vendedores de camisetas, flâmulas e bandeiras e outros não citados.

Claro que em 2017 mais de 50% serão dispensados (como acontece todo ano depois do Natal) apesar de estarem anunciando que até 2027(?) serão criados 2 milhões de postos de trabalho por conta desta olimpíada.

Mas esta quantidade deveria ser criada a cada 5 anos independente de abrigarmos ou não competições esportivas!

Nossos valorosos e dedicados atletas finalmente contarão com patrocinadores para a preparação física e técnica.

As linhas de transporte de massa realmente poderão ser chamadas de legado, assim como novos hotéis e vias urbanas.

Praças serão recuperadas. Monumentos serão lavados, pintados e lustrados. Bueiros serão desentupidos. Mendigos serão deslocados para fora do PORJ. Será que desta vez resolverão as enchentes da Praça da Bandeira que já completam mais de 60 anos?

A área do cais do porto finalmente será modernizada (permitindo que pelo menos cinco hotéis flutuantes atraquem em 2016) para deleite nos estrangeiros que aterrisarem no aeroporto do Galeão.

A Baía da Guanabara deve sofrer uma limpeza (prometida há 30 anos) do lodo. Duro vai ser eliminar o cheiro oriundo dos esgotos abertos das favelas na periferia e dos óleos despejados de navios que não respeitam as normas.

O efetivo da PM deverá crescer em pelo menos 40%. Mas terão equipamentos e salários condizentes? As viaturas policiais abandonadas nos pátios serão recuperadas?

Pelo menos 5 favelas da zona Sul (que podem ser vistas do Pão de Açúcar e Corcovado) receberão melhoramentos para atender os justos anseios das comunidades. Mas as demais 700 favelas continuarão sofrendo com os problemas de saneamento e risco de desabamento de barracos.

O valor inicial do investimento está previsto em R$ 28 BI. Mas deve chegar a R$ 40 BI. E a diferença nós sabemos para quais bolsos irão: empreiteiros que vão usar material de custo Y e cobrarão 2Y; administradores que assinarão os contratos das licitações «transparentes»; fiscais que fecharão os olhos às deficiências existentes.

Basta lembrar que a vila do Pan2007 ainda não pode ser habitada por quem adquiriu os apartamentos. E do muro que desabou no estádio do «Engenhão» e não matou pessoas por sorte. Fora outras instalações abandonadas.

Podemos solicitar ao COI a inclusão de nova modalidade: «assalto orçamentário».

Para finalizar: muitas áreas sociais dentro do PORJ sofrerão melhoramentos (principalmente de alvenaria para ilustrar fotos) para funcionarem adequadamente (pelo menos entre 2014 e 2017).

Tudo acima são considerações previsíveis. Nossa única certeza é que a educação e a saúde continuarão deficientes, para que o povo continue alienado e anestesiado, para que os ratos de gabinete continuem sugando nossa dignidade e enchendo suas contas bancárias.

As olimpíadas mundiais ocorrem a cada 4 anos num ponto do planeta.

Aqui, as olim...piadas acontecem diariamente. E nós somos os atletas que executam as mais perigosas atividades dentro deste «circo». Nossa única medalha é o direito de continuar respirando (ainda sem impostos).

Para ler todas as publicações de Haroldo P. Barboza.

 

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Dia do Professor (Ver Início)

De referir que este dia se comemora em datas diferentes nos outros países das CPLP, nomeadamente a 15 de Outubro no Brasil, por ser o aniversário de um Decreto Imperial do imperador D. Pedro I, que em 1827, criava o ensino elementar no país e decretava que em todas as vilas, lugarejos e lugares do país, devia ser criada uma escola para ensino das primeiras letras, além de instruções como o conteúdo das matérias a serem ensinadas, e até como contratar os professores e os salários dos mesmos.

No entanto só em 1947, foi comemorado pela primeira vez o Dia do Professor, em S. Paulo, tendo essas comemorações depois alastrado pelo país, sendo instituído o dia como feriado escolar, para que os alunos possam homenagear e visitar os seus professores.

A seguir aos pais, quem é mais marcante e inesquecível para a vida de todos nós? Sem dúvida os nossos professores, aqueles que nos ensinaram não só as primeiras letras, como também abriram as janelas por onde espreitámos a vastidão do mundo e aprendemos que não estamos sós na nossa aldeia, ou vila, que existem muitas pessoas vivendo em outras cidades, outros países, pessoas que falam outras línguas, que vivem em lugares diferentes e que vivem de maneiras que nos são estranhas.

Mas em especial o que mais me impressionou e marcou a minha juventude e definiu os meus sonhos, foi saber que essas pessoas que viviam de maneiras diferentes e em outros lugares, tinham um passado, ou melhor antepassados, pessoas que viveram há milhares de anos, e que nos locais do presente, já incontáveis gerações, nasceram, viveram e morreram, deixando a sua marca, nos sítios, nas edificações, na cultura, na gastronomia, nos genes dos seus descendentes.

Ou seja, além dos lugares, o tempo! Os séculos, as eras, os períodos históricos, toda a evolução humana!

E aqui tenho que fazer um parêntesis e referir um professor importante nas minhas recordações da escola. Era como é evidente, o meu professor de História! Era muito simpático e fazia da aula um tempo fascinante! Por ele (tive uma paixãozita por aquele professor...), desenvolvi o interesse pelos mistérios das antigas civilizações, pela arqueologia, pelos egípcios, a Babilónia. Os Incas, os Maias (esses já tinha ouvido falar até antes de entrar na escola) e todos esses povos antigos.

Bem, mas seria injusta se não falasse na minha primeira professora da Escola Primária. Não é que as recordações sejam muito agradáveis. Pois que ela estreou-me nas «reguadas» e essa foi umas das primeiras injustiças que me fizeram, porque o motivo pareceu-me muito insignificante para tal castigo. Ela só me disse que a minha letra era pequena de mais. E isso seria motivo para me castigar, ou seria para me ensinar? Enfim...

Mas na escola primária, nem tudo foram castigos, pois a minha última professora do ensino primário, foi espectacular e ainda a recordo com todo o carinho. Ela tinha orgulho em mim e nas minhas redacções, incentivava-me a seguir os estudos e foi devido a ela que os meus pais decidiram em mudar toda a sua vida, para que eu e a minha irmã pudéssemos tirar um curso e conseguir uma vida melhor.

Recordo em especial, quando vim a Santarém fazer o exame de admissão ao ensino secundário (na altura era necessário para quem quisesse continuar os estudos), ela me acompanhou, bem como a minha mãe e a seguir á prova, no largo fronteiro á escola, comentava com os outros professores, a redacção que eu tinha feito na prova do exame, com muito orgulho e carinho.

Bem mas todos os meus professores foram importantes para mim, com todos aprendi e continuo a aprender ainda hoje. Sim porque sou adepta de continuar a aprender até morrer. Estou a frequentar uma formação em socorrismo e a adorar cada detalhe, até o facto do professor(formador), ter metade da minha idade, ser bombeiro voluntário desde a infância e enfermeiro e socorrista diplomado, com uma vasta experiência já dos dramas da vida, apesar da pouca idade.

Enfim, o bom professor educa e ensina, não se limita a transmitir conhecimentos. Se a acção do professor não fosse essencial, bastava virmos á Internet e coligir as informações por aqui e por ali. Já caminhamos para isso é verdade, mas acho que neste Dia do Professor temos que repensar bem o papel dos professores e não deixar que aos nossos filhos ou talvez netos, apenas um computador substitua esse papel essencial do professor, do formador, do educador, na nossa vida.

Deixo portanto o meu muito obrigado a todos os professores que fizeram de mim quem sou, e espero que continuem a ser vitais na educação, formação e ensino dos jovens do futuro.

Arlete Piedade

(Ver o Poema Mãe Negra e apresentação P.Point-pps)

Veja  vídeo de Arlete Piedade em 2007 na II EPAC (II Encontro de Poetas Abralianos e Convidados) realizado em  Almeirim - Portugal.

 

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Por isso não vamos fazer uma crónica muito longa, vamos deixar  que as pessoas, sem vestígios de interferência minha neste plano, gozem o momento, olhem para o trabalho realizado (que é de todos, repetimos) e vejam que o engenho humano pode ir muito longe.

Este projecto já veio até aqui, tudo indica que irá muito mais longe, tudo indica que daqui a alguns anos, se calhar, voltemos aqui a dizer a mesma coisa com elementos diferentes. Mesmo que factores externos venham a interferir (há sempre essa possibilidade mais presente desde que fomos confrontados com o descambar de uma crise pela maioria inesperada) esses factores serão sempre rechaçados por uma razão «simples»:

Nós trabalhamos com pessoas e para pessoas. Trabalhamos com as memórias muitas vezes milenares das gentes e por pior que seja a crise uma coisa é certa: nada nem ninguém acaba com as pessoas, com a gente, com o ser humano, com a nossa política virada, de facto, e feita de facto, por e para as pessoas.

Podemos abanar...mas não caímos.