Pagª 28 - EDIÇAO NºXLI , I NUMERO  DE OUTUBRO DE 2009 - COMENTARIOS Direcção Interina: Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade. Relações Publicas: Alexandra Figueiredo. Educação e Cultura: Arlete Deretti Fernandes. Consultor Africa: João P. Correia Furtado.         

Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter AVALIE-NOSLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO

Nota introdutória elucidativa: (Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no seguinte endereço: Arquivo IV. )
                          

 

LAPSUS VISUS & LIGUAE

 - Foi criado em Angola um corpo paramilitar com o nome de Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil de Angola (OPVDCA), para que foi estabelecida uma hierarquia e atribuído um fardamento.

Os oficiais superiores, eram militares de carreira, das Forças Armadas, designados para dirigi-la e naturalmente na OPVDCA havia oficiais, até ao posto de Comandante de Companhia, equivalente ao de Capitão no exército. Havia, também, sargentos e praças, com as suas designações específicas.

Entre os quadros privativos da OPVDCA a distinção, entre os postos fazia-se por passadeiras escarlates sobre as quais assentavam dois ou três punhais dourados (para oficiais), e passadeiras negras com (também dois ou três) punhais prateados, para os postos equivalentes ao da classe de sargentos no exército.

O fardamento, esse, era verde-oliva, que até podia confundir-se um pouco com o verde do camuflado usado pelos militares das forças armadas quando em operação na selva.

No exército os distintivos constituem-se por passadeiras negras, para oficiais e sargentos (sobre que assentam galões dourados de número, desenho e espessura diferente, de acordo com os postos correspondentes e por passadeiras vermelhas (vermelho vivo) sobre que assentam estrelas prateadas ou douradas, para os oficiais-generais.

À entrada e à saída das instalações militares, nas respectivas portas de armas, os oficiais generais são homenageados com o brado de armas e cerimônias militares subseqüentes.

A porta do edifício em que funcionava o Quartel General das Forças Armadas em Angola, estava postada natural e obrigatoriamente um par de sentinelas durante as 24 horas de cada dia.

Certa feita, um dos sentinelas, confunde a cor (escarlate) das passadeiras de um simples Comandante de Destacamento da OPVDCA – posto equiparado ao de tenente nas forças armadas - com as de um general do exercito (vermelho vivo) e logo procede como manda o regulamento:
Solta um sonoríssimo, AS ARMAAAAAS !! destinado a convocar a guarnição para a cerimônia obrigatória.

Entretanto, com a aproximação do general o sentinela repara melhor nota a diferença, apercebe-se do seu erro e ainda antes da chegada da guarda de honra, corrige-se, agora com um brado não constante de nenhum regulamento mas tão sonoro quanto o primeiro e imensamente eficiente:
ENGANEI-ME quer ele dizer, mas erra de novo e sai - lhe :

S’ ENGANEEEEIIIIIII !!!

DEFESA DE INTERESSES

- Um oficial de infantaria, dava instrução de ordem unida à sua unidade, quando um dos instruendos lhe chama a atenção para o facto de estar com a braguilha aberta.
O oficial, constata a verdade da observação e, enquanto puxa o zip vai comentando:
- Se fosses sapateiro.. terias certamente olhado para os sapatos ...!

CHAMASTE ???

- Outro oficial, tinha voz de timbre pouco freqüente entre os humanos masculinos. Era, assim como que a de qualquer contralto com tendência a falsete.

Estando a dar instrução de ordem unida, profere a habitual voz de comando: PELOTAAAOOOO....e antes que tivesse tempo para a completar com a de execução que naturalmente se lhe seguiria, imitando-lhe o tom alguém das fileiras ecoa:

«QUE EEEEEE???»

 

 


Histórias da Minha Terra

Por Arlete Piedade

A Abóbada de Mestre Afonso Domingues

A propósito da história da Padeira de Aljubarrota, publicada na edição anterior, e da construção do Mosteiro da Batalha, inicialmente chamado de Santa Maria da Vitória, ordenada pelo rei D. João I, como agradecimento á Virgem pela vitória na batalha, resolvi contar-vos outra história desta época e que se passou durante a construção do mosteiro.

Como se imagina, nesta época uma obra desta magnitude, levava vários anos até ser concluída, e esta não foi excepção, tendo sido iniciada em 1386 até que em 1517 foi dada como concluída, tendo atravessado o reinado de sete reis de Portugal.
D. João I encarregou do projecto e condução das obras, o arquitecto português Mestre Afonso Domingues, que durante anos trabalhou para erguer o grande monumento de estilo gótico tardio, ou manuelino, como veio a ser designado.

Mas em 1402 o mestre estava cego e já de avançada idade e o rei resolveu entregar a condução da obra a um mestre irlandês de renome, Mestre Huguet . Na altura em que este arquitecto tomou conta das obras, estava em curso a conclusão de uma imponente sala, a mais extensa do mosteiro, chamada a Sala do Capítulo. Faltava levantar a abóbada, que segundo o projecto do velho mestre Domingues, dispensaria o uso de pilares, sendo totalmente livre de apoios centrais, e seria apenas apoiada nas paredes laterais, segundo o recurso a uma nova técnica de construção.

 

Também devido a ter conhecimento dessa inovação arquitectónica, o rei temendo que os olhos já sem vida do mestre falhassem, resolveu confiar a condução da obra ao mestre estrangeiro. Este querendo sair-se bem aos olhos do patrão real e tendo conhecimento dos receios do monarca, resolveu fazer alterações no projecto, com vista a uma melhoria pensava ele.

Trabalhou afanosamente refazendo os cálculos e dirigindo os operários, e na data marcada a abóbada estava pronta, e o seu orgulhoso mestre assim o comunicou ao rei português. Mas vinte e quatro horas depois, um grande estrondo anunciou o fracasso do orgulhoso estrangeiro. Todos acorreram e o que viram encheu-os de vergonha. A Sala do Capítulo estava atulhada de pedras, pó e massa! A abóbada refeita pela argúcia do irlandês, tinha ruído!

Envergonhado o rei D. João I, mandou chamar o idoso mestre á sua presença e voltou a entregar-lhe a condução da obra, apesar da idade avançada e da cegueira.

Mestre Afonso Domingues, pegou nos seus cálculos e mandou levantar a abóbada de novo. Depois na parte central da enorme sala, mesmo por baixo do fecho da enorme cobertura, mandou colocar uma pedra e sentou-se sobre ela, dando início a um voto feito de que ficaria ali para provar que os seus cálculos estavam correctos e que dava a sua vida como penhor da sua competência e de que a abóbada não cairia.

Todos os operários, mestres, monges, e restante pessoal da Corte, incluindo El-Rei, fizeram vigília no mosteiro esperando que as vinte quatro passassem, enquanto na Sala o Arquitecto esperava sozinho, velho e cego, sentado na sua pedra. Consta que passadas as vinte e quatro horas iniciais, o mesmo terá exclamado perante o Rei que o foi visitar:

- A Abóbada não caiu, a abóbada não cairá!

Quiseram que ele saísse dali, mas o velho mestre permaneceu sentado na pedra por 3 dias, até que o foram encontrar morto! Não esmagado pelas pedras, mas pela idade e o jejum que se tinha obrigado a fazer, para dar testemunho da grandeza da sua arte.

Este grandioso monumento, veio a ser considerado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO e em 7 de Julho de 2007, foi considerado uma das sete maravilhas de Portugal, sendo considerado Monumento Nacional desde 1910.

Para verem que passados seis séculos continua de pé, podem fazer uma visita virtual á Sala do Capítulo clicando aqui:
Para mais informações sobre este grandioso feito arquitectónico ver:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_da_Batalha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Domingues