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Poesia

Por Abilio Pacheco

 

canção (desnorteada) para 2012; poesia silencio; Fotografia;  Memórias de Março

 

 

canção (desnorteada) para 2012

 

tenho pra mim que este ano será diferente
tudo indica que não será como o que passou
vejam na tv que já começou deveras desigual
não teve mortes, acidentes, desastres ou explosões

começou sem notícias de bebês nascendo,
sem votos de felicidades, sem fogos de artifício
ninguém prometeu mudar, consertar erros,
fazer diferente, emagrecer ou aprender línguas

tenho pra mim que este ano será diferente
sem reformas em ministérios ou secretarias
sem salário de fome acrescentado um pouquinho
sem novos projetos pessoais, familiares ou públicos,

é que a cartilha rota e gasta não deve mais ser usada
e ano novo nasce como nasce um dia novo
sem mais quê nem por quê
mas farto de quês e por quês

 

poesia silencio

a poesia requer silêncio, requer ausências, ócios,
mesmo em meio a barulhos, ruídos e gritos,
mesmo em meio a gente, multidões, afazeres

o que ela quer é instalar-se, impregnar-se, emprenhar-nos
e de dentro fazer-se voz e grito, presença e trabalho

 

Fotografia

Queria a realidade,
mas à câmera
o olho no espaço escuro

Cria a realidade,
mas a câmera ao olho
é espaço obscuro

Cromos, cronos;
cones, ícones
captura o que
(não) há

: memória

 

Memórias de Março

Quando amanheço… leito manso e lento
Nesta manhã sob este sol silente
A cidade desperta calmamente
Ao meu olhar atônito e em tormento.

Uma canoa tangida pelo vento
Com as lembranças da última enchente
Em mim desliza e a cidade sente,
à margem, nos degraus, um leve alento.

Mas a tristeza morre neste instante
Quando, no Pontal, o Itacaiúnas
Vem, farto de canoas, desaguar…

E sou, portanto, este olhar brilhante
Cheio de lembranças, de botos, de buiúnas…
Que corre lento assim de encontro ao mar…

In: Pacheco, Abilio. Mosaico Primevo. Belém: Ed. do autor. 2008. pág. 30.

 

 

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