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Desde 7 de Março de 2011

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Varanda do Oriente

Legado Português - Bang Portuguet - Peregrinos da Fé

Por José Gomes Martins (Tailândia)

Depois de as ruínas do Campo de São Domingos estarem a descoberto, em 1984, graças ao Embaixador Mello Gouveia e ao Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkiam, ficam a aguardar, por cerca de 10 anos, para que um edifício de largas dimensões e de linhas arquitectónicas elegantes, viesse, finalmente a ser inaugurado, em Abril de 1995.

De um matagal espesso, surge um campo de oração e da prática do culto da religião católica, esta que os missionários do Padroado Português do Oriente introduziram no Reino do Sião, em todo o Oriente, após as Cortes de Portugal e do Sião assinarem Acordos de Amizade Comércio e Navegação.

O Padroado desempenha, durante as descobertas portuguesas, um papel primordial nessa expansão. A cruz, as armas, a pólvora e o amor são, assim, factores importantes para o encetamento de relações entre o ocidente e o oriente. Com isto a transformação do mundo.

A mitologia, as crenças religiosas, sejam quais forem os princípios das suas ideologias tem servido para o equilíbrio, ligação e harmonização das civilizações inseridas no planeta mundo.

No Bang Portuguet, mesmo dentro de um matagal espesso os católicos contemporâneos, que herdaram o catolicismo do seus antepassados de séculos, de joelhos, em frente à capelinha, feita de madeira tosca, é ali que vão fazer as sua preces.

Agradecer a imagem de São José, dentro, alumiado por uma vela de cera, fundida dos favos, construídos num ramo de árvore, pelas abelhas silvestres do Bang Portuguet.

A partir do ano de 1985 a Aldeia dos Portugueses passa a ser, todos os anos, depois do Domingo da Páscoa um local de peregrinação dos católicos locais e outros vindos de partes mais distantes da Tailândia.
São os Peregrinos da Fé.

São quase 500 anos em romagem a um local que consideram como fazendo parte de si mesmos. Desde há séculos, de geração em geração, tem passado este costume, inclusivamente aumentando de ano para ano, o número de romeiros ao Campo Português de Ayuthaya.

Em 1767 as três igrejas portuguesas que existiam no Campo Português de Ayuthaya, antiga capital do Reino do Sião, São Domingos, dos dominicanos, São Paulo, dos Jesuítas, e a de São Francisco dos Franciscanos, foram incendiadas e saqueadas pelas tropas invasoras birmanesas, depois de estas terem destruído os palácios reais e os templos budistas, na outra margem do Rio Menam, onde a corte siamesa, com todo o esplendor, se instalara a partir do ano de 1350. A ferocidade destas destruições fora motivada pelas guerras seculares e por ódios gerados entre birmaneses e siameses, apenas terminados com a queda de Ayuthaya.

Os missionários do Padroado Português do Oriente, embora com imensas dificuldades em converter os siameses ao cristianismo, uma vez que a monarquia era budista, chegaram a converter mais de três mil almas distribuídas pelas três paróquias da Aldeia dos Portugueses.

Ainda hoje se conservam cerca de cinco centenas deles, uns vivendo nas proximidades das igrejas, outros nas redondezas. Muitos vêm, agora, das províncias, a muitas centenas de quilómetros de Ayuthaya, para assistirem às cerimónias religiosas celebradas depois da quaresma, em cima das ruínas de São Domingos.

São os peregrinos da fé com quase 500 anos em romagem a um local que consideram como fazendo parte de si mesmos.

Ainda o sol não raiou no horizonte já os primeiros romeiros começam a chegar, pelos mais diversos meios de transporte, entoando cânticos religiosos, na esperança de que a prece feita ao seu santo, seja atendida nesse dia.


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