EDIÇAO NºLX , II NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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José Varzeano

O «monte» do Pomar, uma relíquia perdida!

Ver Pequena Nota Biográfica

Já tínhamos passado por lá há uns bons anos e ficámos bem impressionados pela sua estrutura edificada, espaços, volumetria equilibrada, singeleza, situação e terrenos próximos. A notícia mais antiga, que possuímos desta pequena povoação, é a que nos dá as «Memórias Paroquiais (1758)» pois no inquérito formulado o pároco da freguesia de Vaqueiros refere a sua existência como tendo quatro vizinhos. Nesta altura, tinham apenas dois Malfrade, Madeiras, Jardos e Preguiça e com igual número Mesquita, Bentos, Ferrarias e Galachos. Enquanto uns se mantiveram ao mesmo nível, Malfrade e Bentos foram os que mais se desenvolveram.

A consulta bibliográfica que seguidamente estava ao nosso alcance era a Corografia do Algarve (1841), de Silva Lopes, obra indispensável nesta área. Nada encontrámos sobre este pequeno monte. Depois recorremos ao «Portugal Antigo e Moderno (1873/1890 - VI vol. 1882)» de Pinho Leal mas mais uma vez nada obtivemos.

[Localização. Foto JV, 2010]

Nos anuários comerciais dos princípios do século passado encontramos a sua indicação como povoação englobada na freguesia de Vaqueiros, o que igualmente acontece na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. (1936). A quando da escolha para o fornecimento de energia fotovoltáica, estudaram-se umas tantas povoações da freguesia de Vaqueiros, sendo esta uma deles. Na altura (1982) tinha 18 habitantes em 7 fogos, havendo uma pessoa emigrada. Existiam no monte 15 candeeiros a petróleo. A escolha, atendendo a vários parâmetros, veio a recair no monte do Vale da Rosa, mas que a utilizou por pouco tempo.


[Habitações simples, portas e janelas com postigo. Foto JV, 2010]

A inauguração da luz eléctrica tem lugar cerca de dez anos depois, mais precisamente no dia 10 de Dezembro de 1992 e os arruamentos foram arranjados no ano seguinte. (1) Em 1960, segundo o censo populacional, tinha 33 habitantes. Entretanto os habitantes do monte começaram a incluir os «isolados» devido às definições da lei que para efeitos de recenseamento dizia: E considerado aglomerado populacional todo o conjunto de prédios contíguos ou vizinhos com cinco ou mais fogos e a que corresponde uma designação. Para os mesmos efeitos, fogo é o alojamento em prédios destinados a morada de uma só família. Não satisfazendo estes requisitos, o número de pessoas recenseadas passou para o conjunto de isolados.

[Construções típicas, sem «maisons» apoiadas umas nas outras! Foto JV, 2010]

O Censo de 1991 introduz alterações definindo como Lugar o agregado populacional constituído por um conjunto de edifícios contíguos ou vizinhos a que corresponde uma designação e que tem pelo menos 10 alojamentos. Como se verifica, a situação passou a ser mais exigente pelo que se manteve a situação de «isolados». (2). Em 1998, segundo informação verbal, teria dois ou três moradores.

O monte situa-se numa pequena elevação, circundada por outras de muito maior altitude como bem se pode ver pela foto que encabeça a «postagem». Os barrancos que por ali correm tornam com os seus sedimentos os terrenos mais produtivos, além da água os tornar mais frescos. Agua e terrenos aráveis foram fundamentais para a fixação do homem. Não existem casas dispersas, estão todas encostadas umas às outras deixando espaço suficiente para se transitar. As construções são ao gosto regional, com telhados de telha de canudo a uma ou duas águas. Paredes de xisto e grauvaque, rebocadas e caiadas. Junto das fachadas principais, lá estão os piais (poiais) cobertos por lajes de xisto e que hoje já começam a desaparecer.

Apesar de só ser habitado esporadicamente, notam-se os terrenos circundantes limpos e arborizados. As velhas oliveiras ainda existentes, fez-se a plantação muito recentemente de um olival já por métodos actuais, com terrenos bem preparados e as árvores dispostas em linha e a distâncias aconselháveis. Pode não haver gente, mas existe vida. Deixámos para o fim o topónimo que nos parece de fácil explicação e vulgar no país, espalhando-se de norte a sul. No dicionário que habitualmente consultamos (3), encontrámos doze simples, incluindo este da freguesia de Vaqueiros e mais umas tantas dezenas de compostos. Pensamos que o topónimo nunca se terá ajustado tanto como aqui acontece. A fotografia junta mostra um pomar em terreno propício. Possivelmente por ali já terão passado com o decorrer dos séculos alguns pomares. Em muitos montes do concelho é difícil poder manter uma laranjeira, por exemplo, quanto mais um pomar! Aqui, está à vista!

[Um pomar, no Pomar. Foto JV, 2010]

NOTAS
(1)– em>Boletim Municipal nº 12, de Abril de 1993.
(2) – Do povoamento rural ao desenvolvimento local, in Estudar e Intervir, nº 4, de 1994.
(3) – Novo Dicionário Corográfico de Portugal

Publicado por José Varzeano  - BLOG ALCOUTIM LIVRE - jose.varzeano@gmail.com

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