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EDIÇAO NºLX , II NUMERO  DE MARÇO DE 2010 - COMENTARIOS GERAIS

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A COLUNA DE ARLETE PIEDADE

DIA INTERNACIONAL DA MULHER – TRIBUTO A UMA MULHER MUITO ESPECIAL


O Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora, é celebrado em reconhecimento ao papel desenvolvido pela mulher, na reivindicação de uma participação plena e igualitária na sociedade e na luta contra a discriminação, entre géneros. A data é comemorada desde 1910, em homenagem às mulheres que morreram numa fábrica de tecidos, situada na cidade norte-americana de Nova Iorque, por reivindicarem melhores condições de trabalho. Em 1857, operárias desta fábrica de tecidos fizeram uma greve e ocuparam o recinto fabril, reivindicando melhores condições de trabalho, tais como a redução do número de horas diárias de trabalho, de 16 para dez horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno no ambiente de trabalho.

As fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário e as mulheres chegavam a receber apenas um terço do salário de um homem, pelo mesmo tipo de trabalho efectuado. A manifestação foi reprimida com violência e as mulheres foram fechadas dentro da fábrica, que depois foi incendiada. Aproximadamente 130 operárias morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano.

O dia 8 de Março começou a ser comemorado em 1910, mas somente em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Conhecido tradicionalmente como mês da mulher, Março deve servir de reflexão sobre os inúmeros problemas que a camada feminina enfrenta na sociedade, pois, a data significa que se devem resolver as questões que ainda impedem a emancipação progressiva e harmoniosa das mulheres. Nós aqui no jornal Raizonline, resolvemos homenagear todas as mulheres e em especial as nossas colaboradoras, elegendo como sua representante a nossa querida poetisa e amiga, Maria da Fonseca, que convidámos a contar-nos uma breve história da sua vida.

Sou Maria da Fonseca, nasci em Lisboa, filha de pai português, natural do Porto e de mãe alemã, nascida em Berlim. O meu Pai admirava imenso os escritores da sua época, lia muito e recitava poesia. Eu comecei logo de criança a gostar de o ouvir e fui influenciada pelos seus gostos.

Ao terminar o curso do liceu, era o momento de escolher a área científica para prosseguir os estudos. Optei por Ciências e mais tarde escolhi seguir o ramo de engenharia químico - industrial. Terminei o meu curso no Instituto Superior Técnico em 1955.

Fui sempre boa estudante e sentia-me compensada por fazer parte do grupo dos melhores alunos do curso desse ano. Ao todo éramos 25, sendo 9 moças e 16 rapazes. As oportunidades de emprego em Portugal não surgiam com facilidade. Houve colegas que foram trabalhar nas fábricas dos seus familiares, outros dedicaram-se à investigação e vários ao ensino. Para as moças era ainda mais difícil; as indústrias portuguesas não ofereciam possibilidade de emprego às engenheiras e muitas nem sequer tinham engenheiro ou mesmo qualquer outro técnico qualificado. Assim restava-lhes seguirem o ensino ou a investigação.

Mas eu queria ir para uma fábrica – era esse o meu maior desejo! Tinha estagiado em três grandes empresas nacionais: CUF, SACOR, SAPEC e COVINA. Um dia finalmente realizou-se o que eu pretendia. Recebi o convite de um industrial português para chefiar o laboratório da principal fábrica de vidro plano da América do Sul. Estava instalada no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Pareceu-me um projecto que correspondia às minhas expectativas. Consultei o meu Pai, ele aceitou bem a ideia e toda a família se alegrou com esta possibilidade surgida exactamente no dia 13 de Maio de 1956 – dia de Nossa Senhora de Fátima.

Assim no dia 10 de Outubro do mesmo ano, saí da minha casa para o meu primeiro voo no Constellation, avião que atravessaria o Atlântico rumo às terras de Vera Cruz. Cheguei completamente desfeita pela minha primeira viagem de avião de 18 horas. No entanto, em terra, recuperei as forças e fiquei curiosa. O dia estava lindo e quente, era meio-dia – olhei à minha volta e vi os restantes passageiros também satisfeitos por terem chegado ao seu destino. Tinha pedido a uma amiga para ir ao meu encontro no Aeroporto do Galeão. O Director Técnico da Companhia estava também à minha espera. Mal sabia eu que esse engenheiro que eu fui conhecer naquele momento era o meu futuro marido!

Na fábrica tudo correu bem – já tinha conhecimentos sobre a indústria que me esperava. As pessoas receberam-me com afabilidade e comecei a sentir-me à vontade. No entanto sentia saudades de Lisboa, da Família e das minhas Amigas. Escrevia-lhes longas cartas a contar tudo e também recebia imensas. Vivia no Hotel em Icaraí. Na verdade todos me aconselharam que sendo sozinha seria melhor viver na cidade, no bairro de Icaraí, que tem uma magnifica praia e uma esplendorosa vista para a baía da Guanabara - do Corcovado, do Pão de Açúcar, do Botafogo, da Ilha da Boa Viagem - um cenário indescritível.

Não ia à praia apesar do intenso calor. Gostava mais de ir ao cinema e dedicava-me à leitura, o que constituiu sempre o meu hobby. Comecei a socializar-me a pouco e pouco apesar da minha timidez. O Brasil começou a conquistar-me pela sua beleza, grandiosidade e simpatia. Cerca de dois anos passados, viemos casar a Lisboa e tivemos três lindas Meninas (duas nasceram no Brasil e a terceira em Portugal). A vida familiar era atribulada com três filhas. O emprego, as transições e a educação das moças foi tarefa árdua. Apesar de todos os problemas tenho grande orgulho no meu percurso (no Brasil e em Portugal). As minhas filhas têm a sua vida constituída e são mães de seis belos Netos.

O meu gosto pelas letras foi constante na minha vida, mas com tantas tarefas, a oportunidade para me dedicar à escrita era escassa. Próxima da aposentação comecei a sonhar; desta vez imaginava escrever um livro – talvez contar a vida, a minha luta que acho interessante. Sucedeu que o convívio com os netos fez surgir a inspiração para escrever versos. E eles apreciam, o que me dá grande alegria. Fui desenvolvendo o gosto de observar a Natureza e tudo o que me rodeia! Sinto-me feliz enquanto escrevo. Verificar que os meus Amigos aceitam sensibilizados o meu poetar – traduzir em palavras simples o que me vai na alma – entusiasma-me para continuar esta arte maior.

Maria da Fonseca

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Nasci mulher e não flor
Porque Deus assim o quis.
Surgi dum acto de amor
E não cheguei de Paris.

Sou mulher e não gaivota,
Foi assim como Deus quis.
Asas não me deu prà rota
Mas amor pra ser feliz.

Assim como Eva criou,
Mulher, companheira e mãe
Da família que espalhou
Por todo este mundo além,

Deus determinou ainda
Que eu nascesse mulher,
Dando-me esta missão linda
De lutar p'lo que se quer.

E este dia tão formoso
Porque à mulher dedicado,
Tornemo-lo mais honroso
Ao lançar o nosso brado:

Dai-nos forças, meu Senhor,
Pra ajudar na Criação.
Só no mundo o Teu Amor
Pode trazer salvação.

Lisboa - Portugal
Maria da Fonseca
COM A FAMÍLIA

O Sol brilha a colorir
O céu, os toldos, o rio.
A Família a reunir,
Dos pardais ‘scuta-se o pio.

Seis velas correm no Tejo
Nesta tarde radiosa.
Os namorados dão beijos.
Nossa conversa amistosa.

São os primos que se encontram,
Os meus Netos radiantes.
A jogar se desencontram,
Escondem-se vigilantes.

No meio da brincadeira
Acham linda joaninha
Que se afasta mui ligeira
Dando às asas, vermelhinha.

Por cima o comboio passa
Na ponte pênsil, ruidosa,
E a brisa a todos abraça,
Mais fresca, mais buliçosa.

A tarde já vai caindo!
E preciso regressar.
Este é um domingo lindo
Que Deus deu por nos amar.

Lisboa - Portugal
Maria da Fonseca

Por tão linda e longa vida, o nosso agradecimento a Maria da Fonseca que a todas nós inspira com o seu carinho e gentileza que mostram a grande Senhora e Mulher que soube sempre ser e continua a honrar-nos com a sua amizade e poesia.

Arlete Piedade

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Veja mais referências ao Dia da Mulher:

A independência feminina. - Por Haroldo P. Barboza

8 de março - dia internacional da mulher - Por Abilio Pacheco, Rita Licks e Martha Medeiros