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EDIÇAO NºLX
, II NUMERO DE MARÇO DE 2010 -
COMENTARIOS GERAIS
COMENTARIOS TEXTO A TEXTO NO FINAL DE CADA ARTIGO. COMENTE! QUEREMOS OUVIR A SUA VOZ.
COLUNA
DE ROSA PENA
Eight years!
Ser ou não ser um escritor!
A mente em código e o coração em barra, assim deveriam ser os escritores.
Escrever é por vezes se debater contra os seus próprios limites, avisar a
quem quer e a quem não quer saber, que na maioria das vezes a seda é um
cetim bem chinfrim, é se esquecer que a lei do bom senso indica que o mais
cômodo é ficar calado, é ignorar as consequências de abrir o verbo na
primeira pessoa para quem nunca soube da sua existência, é rebentar com os
muros da conveniência, é estilhaçar com a medida entre o bem e o mal. Um
eterno reconstruir de conceitos. Ou é mais? Mais! E dar a cara a tapas.
Eis a questão:
Quem vai querer desvendar os hieróglifos de um sonhador e se identificar com
eles? A ordem do mundo está por um chute e você, ainda que revoltado, abre
um largo sorriso colgate nas entrelinhas do seu texto verdade ou derrama
copiosas lágrimas num momento raro de vitória da fraternidade.
A solução:
Uma dia você descobre alguém Odara, aquela joia rara e aí nasce a esperança
certeza que sua loucura tem acompanhante. Sensação boa quando se percebe que
valeu a pena a incessante busca de quem irá puxar sua alegria, amenizar sua
tristeza, pactuar com sua revolta, correr contigo atrás de «todos são iguais
perante a lei».A partir daí, escrever e ler já não serão atos tão
solitários, pois vem uma certeza que não é apenas um par de olhos, os seus,
que ouvirá seus gritos no papel.
O Palanque é isso. Terapia de grupo, é encontro de amigos, é uma tribo que respeita o ritual de cada qual, ou pode até ser clube da solidão. Liberdade a gente usa como quiser. Mas o mais importante nesse encontro semanal é que o cacique marginal sempre consegue passar uma deliciosa sensação de estréia em cada número que vai ao ar.
Ele vibra, dá uma ênfase de primeira publicação, um gosto bom de início e isso nos estimula, escritores e leitores, a buscar mais e mais.
Quem disse que já se passaram mais de trezentas edições entre os seus olhos
e os meus?
Oito anos... Palanque virando adolescente tão de repente. Filho a gente não
percebe que cresce.