Coluna
de Arlete Piedade
Pessoas que nos Honram
Maria Petronilho
Conheci Maria Petronilho ao vivo, há cerca de quatro anos, quando acompanhada com a fadista Ana Marina e seu marido, Duarte, compareci no Laranjeiro, na Associação Alma Alentejana, a uma festa de lançamento de um livro seu.
No entanto já antes ela me tinha contactado por email, e trocávamos correspondência assiduamente. Descobrimos através desse conhecimento virtual e depois real, muitos pontos em comum, dos quais o que mais nos aproximou foi termos nascido no mesmo dia, 19 de Junho, embora em anos diferentes, o que nos levou a tratar-nos por gémeas, não só de signo, como de dia de nascimento e também de vocação semelhante no campo da escrita, da poesia e do gosto pela comunicação.

Maria Petronilho com Arlete Piedade
Desde esse primeiro contacto ao vivo, muitos outros se seguiram, em convívios
organizados por mim em Santarém, em Coimbra, em Lisboa e de novo em Almada.
Através dessas tertúlias o meu circulo de amigos foi-se expandindo, bem como os
convites para colaborações com diversas entidades e pessoas a nível da
literatura e poesia.
Mas quem é Maria Petronilho além de uma cara bonita e uma pessoa simpática?
Eis o seu retrato contado por ela própria:
«Nasci no coração de Lisboa em Junho de 1952.
Não me lembro de como aprendi a ler e a escrever, como não me lembro de como
aprendi as coisas primeiras e primárias sem as quais a vida não seria possível.
Tento transmitir a grandeza das pequenas coisas versus a pequenez das aparentes
grandes coisas, que não grandes causas.
Destas premissas e da observação do que me rodeia, nasce a minha escrita.
Diária. Essencial como o ar que respiro.
Dedico-me exclusivamente à Literatura, principalmente na Internet, participando
em sites de literatura e HP de amigos.
Sou membro da Academia Virtual da Sala de Poetas e Escritores, Membro Académico
do Projecto Cultural Abrali,
dos Poetas del Mundo, da União Lusófona das Letras e das Artes, da Ordem
Nacional dos Escritores, da Associação Portuguesa de Poetas e da Ponte da
Amizade.
A minha obra literária está registada no www.igac.pt
(referência 2276/DRCAC)»
Obras Físicas Publicadas:
-
Participação em 4 volumes das Antologias POESIS, Editora Minerva, Lisboa
-
Colectânea DA INCERTEZA (poesia a catorze), Editora Minerva, Lisboa
-
Antologia TEMPO DE POESIA, Editora Novas Letras, S. Paulo, Brasil
-
Antologia PALAVRAS DE SAFO, Editora Novas Letras, S. Paulo, Brasil
-
ANTOLOGIA «A ÁRVORE DA VIDA» (por 5ª classificação em concurso, dentre 1351
trabalhos de 11 países), Editora Arnaldo Giraldo,S. Paulo, Brasil
-
ANTOLOGIA PALAVRAS AZUIS (II), ( Sindicato de Escritores de Blumenau) Brasil,
-
Antologia POESIA SÓ POESIA, Editora Novas Letras, S. Paulo, Brasil
-
ANTOLOGIA TERTULIA NA ERA DE AQUARIUS (Grupo Luna e Amigos) Editora Espaço do
Autor, Santos, SP Brasil
-
1ª ANTOLOGIA POÉTICA (Edição Histórica) da Academia Virtual Brasileira de Letras
Editora AVBL, Baururu, Brasil
-
ANTOLOGIA «AGRESTE UTOPIA» (Por 3ª classificação dentre 1700 trabalhos de 12
países) - Editora Arnaldo Giraldo, S. Paulo, Brasil
-
ANTOLOGIA «RODA MUNDO» 2005, 43 autores - organizador Douglas Lara, Ottoni
Editora, Itu. Brasil
- ANTOLOGIA DE ESCRITORES E POETAS «UniVersos», coordenada por Vanderli Medeiros,
Editora e gráfica Ivan, Barra do Garças - MT, Brasil
-
DOIS POVOS UM DESTINO - II Antologia Literária Grupo Ecos da Poesia - coordenada
por Victor Gerónimo, Projecto Cultural Abrali, Editora Zeni Leal- Curitiba,
Brasil.
-
ANTOLOGIA ESCRITORES BRASILEIROS e Autores de
Língua Portuguesa - 3ª edição, coordenada e editada por Ricardo De Benedictis,
Baía, Brasil (2006)
-
ANTOLOGIA ESCRITORES BRASILEIROS e Autores de Países de Língua Portuguesa, 4ª
edição - RB Editora, 2007
-
ANTOLOGIA "RODA MUNDO" 2007, 37 autores - organizador Douglas Lara, Ottoni
Editora, Itu. Brasil.
-
1ª ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS - 81 poetas seleccionados de 4 continentes,
edição Folhetos & Design, Leiria
-
DEZ ROSTOS DA POESIA LUSÓFONA, na XIII Bienal Internacional do Livro do Rio de
Janeiro 2007 - convite, publicação e edição - Fernando oliveira - Editora
H.P.Comunicação
-
ANTOLOGIA DE NATAL 2007 - Edição ULLA (União Lusófona das Letras e das Artes) -
impressora Publidisa.
-
DEZ ROSTOS DA POESIA LUSÓFONA, na XX Bienal Internacional do Livro de S. Paulo
2008 - convite, publicação e edição - Fernando oliveira - Editora AllPrint
-
NAS ASAS DO MAR - Poesia - Corpos Editora, 2006
-
NOS PONTEIROS DA ALVORADA - Poesia, 2007
-
IN VENTAR A VIDA - Poesia, 2008
-
MÃOS AO VENTO - Poesia - Corpos Editora, 2009
e.books
participação em várias antologias e colectâneas virtuais, de poesia e de prosa.
-
O CLARO INTERIOR
-
DA ALMA QUE CANTA
http://www.portalcen.org/bv/petronilho/petronilho.html
-
MARIA PETRONILHO DE A a Z
www.notivaga.com
-
SONHO QUE NOS LEVA
-
O SOL QUE VENHA
-
MISERAS_MÃOS;
Autoras: Maria Petronilho e Maria Thereza Neves
-
AO TEMPO E AO VENTO 20 contos de Maria Petronilho
http://www.mariapetronilho.ebooknet.com.br
-
FILHOS DO UNIVERSO - Edição Bilingue;
Tradução para espanhol por Alberto Peyrano, Buenos Aires, Argentina,
Editado por HM Ebooks
-
PASSARO DE FOGO cem poemas de Amor;
Editado por Maria Petronilho
http://www.maria-petronilho.net
Blogs
-
ASA DE MAR (poesia);
http://blogmaria.blogspot.com/
-
VOU-TE CONTAR (prosa); http://vou-tecontar.blogspot.com
Site Pessoal - http://www.maria-petronilho.net
Maria Petronilho foi uma criança não desejada por seu pai, que na sua ignorância
a culpou pela morte precoce da mãe quando ela tinha seis anos de idade, com uma
doença derivada de complicações contraídas no parto.
Os seus irmãos e primos, tiveram acesso ao ensino superior, mas com a pequena
Maria, órfã de mãe desde tenra idade, ninguém se preocupou em ajudar a conseguir
uma educação esmerada, para a qual ela tinha tanta apetência e vocação.
Foi assim que foi criada com tias, muitas vezes servindo de serviçal e
escondendo-se da ira de seu pai, que a qualquer pretexto se vingava nela dos
desgostos da vida e da viuvez.
Quando teve idade para trabalhar construiu a sua independência através de um
emprego nos correios e aspirou a formar a sua própria família, casando e tendo a
sua única filha. Mas o divórcio foi a solução encontrada quando descobriu a
traição do marido que a queria forçar a abortar do filho tão desejado.
Sozinha criou a sua filha por quem se sacrificou sem um queixume, mas também a
filha saiu de casa precocemente, atraída por uma seita de jovens rebeldes e
abandonando a mãe que tanto tinha desejado uma família e se via só antes dos
quarenta anos de idade.
Assim, sofreu o primeiro ataque cardíaco aos quarenta e poucos anos de idade e a
reforma por invalidez impôs-se como a solução mais adequada.
Chamada a filha ao hospital, como única parente conhecida, friamente propôs
internar a mãe num lar. No entanto Maria não aceitou e desde aí, tem vivido na
sua casinha luminosa e florida, que divide com pássaros, flores e gatos, no
coração de Almada, na sua Rua das Flores, ali á beira Tejo e á vista de Lisboa.
Não é pois de estranhar que na sua obra poética, sempre esteja presente a
nostalgia e a saudade, mas também a alegria das pequenas coisas que ainda lhe
alegram a vida rotineira, como a pena colorida da ave que flutua na gaiola, ou o
botão de flor que desabrocha na varanda envidraçada, enquanto lá fora a
madrugada se vai colorindo de raios de luz dourada, sobre o azul escuro do rio.
Esta foto ilustra o primeiro desses nossos encontros, em que compareci através
do convite de Ana Marina:

Fiz um soneto um dia para dedicar á Maria. Ela não compõe em soneto, mas disse-me que gostaria de saber escrever sonetos. Então ofereci-lhe este:
Soneto para Maria Petronilho:
Ah Maria, mana querida!
Nesta vida, mal amada!
tua alma tens em ferida,
tua carne, mal curada!
Es a Tágide da poesia!
Es sereia ao entardecer!
Teu olhar, doçura irradia,
nenhum mortal te pode ter!
Pois nasceste misteriosa,
tal como botão de rosa,
que já não consegue abrir…
na tua origem, dolorosa,
essa mãe triste, formosa
que lá no céu, está a sorrir!
Arlete Piedade
E pois esta mulher e poetisa que hoje apresentamos aos nossos leitores com carinho e admiração pelo seu percurso de vida, desde filha desamparada, esposa traída, mãe abandonada, mas poetisa muito amada e querida por toda a comunidade lusófona, a quem presto a minha mais sincera homenagem com muita amizade.
Arlete Piedade
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